O Amor nos Tempos de COVID

O DVD na Playstation. Sentados de sofá. Play.

O palco era o mesmo do ano passado. A decoração também. A música era, claro, de Natal, cantada a várias vozes, umas mais afinadas que outras.

Tudo era tão igual às outras festas de Natal da escola. Mas tão diferente. Não poder ver ao vivo e a cores. O distanciamento entre os miúdos. E as máscaras. As máscaras.

Entristeceu-me tanto. Não sei bem porquê. Todos já nos habituámos a ver as crianças de máscara. Mas ver aqueles meninos, tão pequeninos, com a cara meia encoberta a entoar canções sobre bolas de Natal e de guizos a soar, enquanto tentavam não ficar com os narizes destapados, abalou-me muito. Por momentos.

Depois deixei-me levar. Pela alegria que transbordava dos olhos, pelo empenho em cumprir coreografias, não falhar a letra. Pela pureza, pelo entusiamo, pelo nervosismo e pela felicidade geral. Deixei de ver as máscaras.

Assim vou viver este Natal. Decidi logo após dançarmos que nem malucas ao som da música final.

Ver para além do que atrapalha, do que é incómodo, do que faz falta, das tradições que ficarão por cumprir, das festas por ir, dos convívios por fazer, dos abraços e beijos por dar. Ver para além do que não é e não pode ser.

Ver o que é. O que pode ser. O tanto que tenho.

E fazer uma folga. Das notícias, do número de casos, das variações do vírus. Não baixar a guarda, mas desligar.

Ver os meus. Ver-me a mim. Celebrarmo-nos. Mesmo com cansaço, com birras. Delas e minhas. Ver os sorrisos, cantar muito, comer demais e fazer-me aos licores. Comer muitas broas feitas a seis mãos e carne de vinho-e-alhos da mãe e da sogra. Namorar. Fazer embrulhos elaborados, chocolate quente e jogar ao Party e Co. que elas ainda não sabem que o Pai Natal lhes vai trazer.

Ver o que é. O que pode ser. O tanto que tenho.

Um clichê, isto tudo, à filme de Natal da Fox Life? Sem dúvida. Embrulhado com a mensagem dos vídeos institucionais sobre o Natal? Completamente. Com um belo laço a rematar.

Mas vai fazer-me feliz. Enquanto vejo, pela milésima vez, o Quatro Casamentos e um Funeral. Sem a cena final. Que essa, até para mim, é clichê demais.

Feliz Natal a todos! Um que seja igualmente diferente!