Ronaldo abandona estágio da Seleção e pode ficar até seis meses fora das Quinas

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Copenhaga, 30 de setembro de 2026 — Cristiano Ronaldo deixou, esta quarta-feira, o estágio da Seleção Nacional de Futebol, em Copenhaga, na véspera do jogo contra a Dinamarca, para a Liga das Nações da UEFA. O capitão das Quinas anunciou a decisão nas redes sociais, após uma conferência de imprensa do selecionador Jorge Jesus e uma conversa com o presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Pedro Proença.

“A seu tempo, direi a verdade”

Numa publicação no Instagram, Ronaldo justificou a saída com a necessidade de, mais tarde, explicar “a verdade a todos os Portugueses” sobre os motivos que o levaram a abandonar a equipa nacional, à qual “sempre me dediquei”.

“Após a conferência de imprensa do Selecionador Nacional, e no seguimento de uma conversa com o Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, tomei a decisão de deixar o estágio da Seleção Nacional. A seu tempo, direi a verdade a todos os Portugueses sobre as razões que motivaram a minha saída da equipa nacional, à qual sempre me dediquei”, escreveu o avançado de 41 anos.

A FPF confirmou oficialmente a saída num comunicado curto, garantindo que a preparação para os jogos contra Dinamarca e Noruega prosseguiria “nos termos previstos”, com os restantes 24 jogadores convocados, e sublinhou o “foco absoluto” da comitiva nos próximos encontros.

Atrito com Jorge Jesus

O episódio surge no rescaldo de um período de tensão entre Ronaldo e Jorge Jesus. O selecionador deixou o astro do Al Nassr no banco no jogo anterior, frente à Noruega, e, na conferência de imprensa desta quarta-feira, afirmou que “ninguém mudaria” as suas ideias sobre a gestão do jogador, numa mensagem lida como um sinal de que não haveria mudanças de plano.

Ronaldo faltou, por dois dias consecutivos, aos treinos da Seleção e acabou por abandonar o estágio ainda na Escandinávia, encerrando, pelo menos momentaneamente, um ciclo de mais de 23 anos ao serviço da equipa nacional.

Sanções em cima da mesa

De acordo com os Regulamentos Disciplinares da FPF, um jogador que, “tendo sido regularmente convocado, abandone ou não compareça, sem justificação, a treino, jogo ou atividade das seleções nacionais” pode ser sancionado com suspensão de 1 a 6 meses em jogos e atividades das seleções e, sendo profissional, com multa entre 5 e 10 unidades de conta (cerca de 500 a 1.000 euros).

Vários meios desportivos sublinham que o risco real para Ronaldo é, assim, ficar até seis meses indisponível para a Seleção, e não uma proibição de jogar pelo clube. Não existe, nas regras públicas da UEFA ou da FIFA, uma sanção automática de “10 meses no clube” por abandonar um estágio de seleção; as suspensões por conduta em contexto de seleções aplicam-se, em regra, a competições de seleções e a contextos relacionados.

Fim de uma era?

O jornal português O Jogo avançou que a decisão de Ronaldo seria “tomada e irreversível”, sugerindo o fim da carreira internacional do jogador, embora não exista, até agora, um comunicado oficial de reforma.

Com 23 anos de Seleção, centenas de internacionalizações e um lugar central na história do futebol português, o abandono do estágio em Copenhaga marca um dos momentos mais polémicos da relação entre Ronaldo e as Quinas, e coloca a FPF perante um dos seus maiores desafios disciplinares e simbólicos das últimas décadas.

A Federação deverá, nos próximos dias, decidir sobre a abertura de processo disciplinar e a aplicação de sanção, num caso que promete dominar a agenda do futebol nacional nas próximas semanas.


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