Estepilha: Madeira, a ilha “Alcatraz”…

Rui Marote
Estepilha, há dias alguém dizia-nos, acerca da galopante situação do Covid-19: “Tenho mais medo dos que cá estão, do que dos que chegam de fora!” O melhor Destino Insular da Europa, a ilha mais segura do Mundo, são chavões publicitários apregoados nos quatro cantos do globo.
Os nossos governantes tudo fizeram para impedir para que o “bicho” chegasse à ilha: “Tampão” no aeroporto, bloqueio no porto do Funchal… Aplauso! No início resultou… Mas, sem recursos financeiros e sem outras indústrias que não ser o Sol ,Mar e Paisagem, a  “galinha dos ovos de ouro”, ou seja, a monocultura do turismo, teve morte quase imediata. Todos esperavam que a pandemia fosse passageira. Hotéis encerrados, restaurantes às moscas, e todos os derivados desta  pandemia… Todos esperavam que a economia se voltasse a erguer rapidamente. A Primavera volta sempre, mas não sabemos quando regressará o tempo das “vacas gordas”. Entretanto, as promessas não se cumprem e o dinheiro prometido nunca chega… Até lá vamos vivendo de empréstimos.
Por outro lado, todas as quintas-feira anda a roda dos milhões na Madeira, quando a Santa Casa da Misericórdia da Quinta Vigia [leia-se Conselho do Governo] distribui dinheiro a rodos, por estes e por aqueles, em adjudicações e contratos-programa. O vice presidente do GR, autêntica Rainha Santa Isabel, continua esvaziar o saco que já não tem fundo para que daqui a dias possa fazer o milagre das rosas.
Para a próxima semana deverão sair novas medidas da casa cor-de-rosa. O Estepilha não quer ser profeta da desgraça, mas a bomba relógio pode explodir a qualquer momento. A nossa situação é como a do Titanic: a orquestra continua a tocar até ao fim. As luzes de Natal vão acender, o carrocel e carros eléctricos vão andar e os palhaços do circo vão exibir-se, e ainda há quem queira poncha, noite do mercado e missas do parto. O povo madeirense acostumou-se a estar sempre em festa. A juntar a tudo isto, o Réveillon e o fogo-de-artifício, pois não passamos sem isso. Essa é a “vacina” do povo. Na Baía o nosso ferry “Lobo Marinho” deverá fazer as honras da casa, dando as boas vindas ao Novo Ano com as tradicionais buzinadas numa baía deserta, fenómeno de que não há memória. Estará provavelmente repleto de VIPs, mantendo as distâncias e não esquecendo as máscaras anunciando o Carnaval do próximo ano…
E com tudo isto qualquer dia seremos uma Alcatraz no meio do Atlântico, sitiada pelo vírus.