PCP encontrou-se com trabalhadores da hotelaria e traça “quadro negro”, apelando à união

O PCP realizou hoje no Funchal um encontro com trabalhadores do sector hoteleiro, para analisar os problemas actuais de muitos trabalhadores. Deste encontro resulta “um apelo à unidade dos trabalhadores, como condição indispensável para melhor resistir e lutar pelos direitos neste tempo especialmente marcado por graves ameaças”.

“Está na hora de resistir e de unir forças!”, exortam os comunistas, pois, na Madeira e Porto Santo, demasiado dependentes do turismo, muitos trabalhadores ligados directa e indirectamente ao turismo e à hotelaria estão a ser confrontados com situações gravíssimas de sobrevivência e subsistência.

“O mais recente anúncio do despedimento colectivo no emblemático Hotel Reid´s, é inaceitável e incompreensível, e é um sinal de um problema mais profundo que atinge a economia regional e de um processo vasto de ataque aos trabalhadores da hotelaria. Para além de revelar contradições entre o que os governantes prometeram e a realidade concreta, sobretudo, quando se sabe que aquela empresa recebeu apoios públicos para, em contrapartida, manter postos de trabalho e não para fazer o que agora anunciou”, sublinha o partido.

Deste modo, o turismo está a ser um dos sectores mais afectados pelo surto pandémico, provocado pelo vírus da COVID-19, agravando a situação económico-social de milhares de famílias na RAM.

“Os impactos negativos na realidade laboral deste sector e na vida de milhares de trabalhadores são dramáticos e foram muitos os exemplos que foram apresentados neste encontro promovido pelo PCP com trabalhadores da hotelaria: trabalhadores desesperados ao serem confrontados com cortes salariais, com salários em atraso, com a perspectiva de desemprego; confrontados com abusos e ilegalidades de muitas empresas que receberam apoios e incentivos para manterem os postos de trabalho, mas que agora, alegando dificuldades, avançam e agravam as ilegalidades que vêm sendo cometidas ao longo dos últimos meses, sobre os trabalhadores”, reza uma nota.

Enquanto para as empresas não faltam milhões de euros a fundo perdido, para os trabalhadores sobram apenas as migalhas dos dinheiros públicos e um futuro incerto, resume esta força política.

“Foi também referido como a situação económico-social se agrava a cada dia que passa, com exemplos identificados desde o início de todo este processo. A não renovação de milhares de contractos a termo de muitos trabalhadores que já estavam numa situação precária e instável, trabalhando alguns deles para empresas de trabalho temporário, mas muitos outros que trabalhavam para grandes grupos hoteleiros, como é exemplo especialmente negativo o caso do Grupo Pestana”, informa-se.

Outros problemas foram apontados, como o uso abusivo do lay-off por parte de muitas empresas; o facto de muitos trabalhadores terem perdido o direito às férias, uma vez que o período de lay-off foi contado como férias; situações de lay-off parcial onde os trabalhadores trabalhando mais 6 dias e 5 horas por mês, irão receber apenas aproximadamente mais 30€, como está acontecer com o Grupo Cardoso.

Foram ainda destacadas situações em que, para além das unidades hoteleiras, “existem outros exemplos de injustiça e de atentado aos direitos dos trabalhadores, como é exemplo o Café Apolo, na cidade do Funchal, onde persistem ainda salários em atraso e as ameaças do eminente encerramento”.

“A pressão sentida por quem vive na incerteza do seu posto de trabalho cria uma instabilidade acrescida, fazendo com que muitos trabalhadores cedam a pressões e chantagens por parte de algumas entidades patronais, perdendo anos e anos de casa para receber uma pequena indemnização que serve apenas para remediar o dia a dia”, lamenta o PCP.