Célia Pessegueiro apostada em novos investimentos apesar das limitações e entraves

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A presidente da Câmara Municipal da Ponta do Sol, Célia Pessegueiro, declarou hoje, na sessão solene que assinalou os 519 anos da localidade, que, mau grado as limitações impostas pela pandemia, tem sido possível assinalar esta efeméride por todo o Concelho, algo que acontece pela primeira vez.

“Ainda que de forma modesta e contida, em colaboração com as Associações e artistas locais, temos levado dinamismo, e uma palavra de esperança que sirva de alento para os dias mais difíceis. Manter a distância social não impede um sorriso, usar uma máscara não impede que se cumprimente. Nestes momentos em que o individualismo parece ganhar terreno, é importante potenciar o melhor que há em nós, para que nunca nos esqueçamos que o vírus vai passar e nós, e as futuras gerações, por cá vão continuar”, afirmou. Por outro lado, alertou que “a Democracia também continua, mesmo que à espreita estejam sempre aqueles que gostam de uma forma musculada de fazer política, sem atenção pelos princípios, regras e valores que o 25 de Abril, a liberdade e a autonomia do poder local nos trouxeram”.

É por isso, declarou, “que fizemos questão que se mantivesse a intervenção dos partidos da oposição, com assento na Assembleia Municipal. Foi algo que durante muitos anos reivindicamos e que introduzimos neste mandato. É das mais elementares regras democráticas: dar voz aos legítimos representantes eleitos pelo Povo, como hoje aqui ouvimos. Independentemente das visões e estratégias de cada um, concordemos ou discordemos dos seus discursos, o importante é que todos continuem a querer o melhor para a sua Terra”, sublinhou.

Aproveitando para agradecer a todos os profissionais de saúde e aos bombeiros pelo trabalho realizado no âmbito desta pandemia, destacou todos os outros profissionais que se mantiveram ao serviço e que permitiram que o essencial não nos faltasse. “Neste sentido, é de toda a justiça fazer um elogio especial aos trabalhadores deste Município, que trabalharam durante todo o período do estado de emergência e estado de alerta, e que mesmo em tempos de grande incerteza sobre os perigos desta nova doença, sendo muitos deles dos grupos de risco, mantiveram-se ao serviço da população (…)”

Deixou ainda uma palavra de apoio aos emigrantes. “Onde quer que estejam, no Reino Unido, em França, na Venezuela, na África do Sul ou em qualquer outro destino que tenham escolhido, desejamos que esta mensagem vos encontre bem, apesar das circunstâncias destes tempos ditados por um vírus que se espalhou por todo o mundo”.

“Aos que regressaram ou pensam regressar, queremos que saibam que esta é a vossa casa e que são muito bem-vindos, independentemente das condições que vos trazem de volta, quer venham investir ou venham à procura de melhores condições de vida”.

Prosseguiu para enumerar que, apesar do cancelamento de várias iniciativas e investimentos, a pandemia levou a Câmara a uma intervenção rápida no apoio social às famílias do concelho: a ajuda alimentar chegou a mais de 80 famílias, sendo 2/3 só no período da pandemia; foi reforçado o apoio social, passando o Município a dispor de 107 mil euros para este tipo de ajuda; a CMPS nterveio de forma célere e eficaz no apoio escolar para os alunos que não dispunham de equipamento informático, doando 116 equipamentos, cerca de 20 mil euros de investimento; procedeu à isenção de taxas num valor não arrecadando de 37 mil euros; apoia a retoma da actividade económica do Alojamento Local, com o incentivo à subscrição do selo Clean and Safe, num apoio estimado de 50 mil euros – uma actividade que entre 2017 e 2020 cresceu 80% no Concelho, representando hoje 164 unidades, e cerca de 500 camas.

O alojamento local, enfatizou, “é uma fonte de receita extraordinária para o concelho, com muito trabalho informal, sabemos nós, mas também uma fonte de receita para muitos negócios de gestão de alojamentos, manutenção de piscinas e jardins, limpezas, etc. Isto para além da dinamização dos pequenos negócios, bares e restaurantes”.

Por outro lado, apontou. “a Ponta do Sol continua a ser um concelho com grande volume de construção para habitação própria permanente por parte dos ponta-solenses, mas tem também uma forte procura para segunda habitação, por madeirenses e estrangeiros. Estamos convictos que as condições de vida que o Município oferece, as medidas lançadas para a atracção e fixação de novos residentes, aliadas a uma beleza natural e paisagística ímpar, com um bom ambiente urbano e dinâmica cultural, com actividades ao longo de todo o ano, são decisivas para a escolha do Concelho”, enfatizou, dando conta de que, apesar da pandemia, continua uma elevada procura dos serviços municipais para as licenças de construção, algo só comparável aos anos anteriores a 2007.

“Tem sido possível ser cada vez mais célere e eficaz a capacidade de resposta dos serviços da Câmara, comparativamente aos primeiros meses de mandato, situação que melhorará ainda mais com a abertura ao público, daqui a menos de uma semana, da Loja do Munícipe da Ponta do Sol, um espaço que concentrará o atendimento de todos os serviços municipais e permitirá um serviço mais rápido, acessível e eficaz a todos munícipes”, anunciou Célia Pessegueiro.

A edil afirmou ainda a capacidade da autarquia na resposta em áreas como a limpeza urbana, reparação de estradas e equipamentos municipais, reparações na rede de águas e saneamento e manutenção de jardins e cemitérios etc. “Tal como prometido, foi iniciado e concluído o processo de contratação de 20 novos trabalhadores para a área operacional, o que representa já um aumento significativo da resposta destes serviços, que se batiam pela falta de pessoal”, sublinhou. “Só neste ano 2020 saíram 6 trabalhadores por aposentação, o que é bem demonstrativo da situação limite em que os serviços se encontravam”.

“São 10 os trabalhadores, já aposentados, que hoje aqui recebem a justa e merecida homenagem, com a devida solenidade, pelos muitos anos de serviço prestados a esta casa e à população da Ponta do Sol. Desejamos que possam gozar com saúde o seu merecido descanso junto das suas famílias e amigos, e que guardem com carinho quem vos estima”, declarou.

Afirmando que a CMPS fica marcado por um forte investimento e apoio aos agricultores, “através da reparação ou construção de levadas, veredas e tanques de rega, ajudas essenciais para ajudar a ultrapassar a falta de água numa actividade bastante relevante económica e socialmente no concelho como é a agricultura. Continuaremos a investir nesta área, e reforçaremos no próximo ano as verbas para estas obras de proximidade”, prometeu.

Célia Pessegueiro prometeu continuar a apoiar as famílias através do apoio social, dos manuais e material escolar e das bolsas de estudo para o ensino superior, bem como de programas de formação; continuar com medidas de apoio às empresas em diversos sectores, como foi o caso do apoio à retoma para o Alojamento Local e Comércio; continuar a investir para fomentar a atracção de investimento para o concelho.

“Vamos continuar a investir apesar de todos os entraves para que não consigamos levar avante os investimentos que projectamos. O chumbo do empréstimo de 1 milhão e meio por parte do PSD na Assembleia Municipal é bem demonstrativo do quanto alguns se atormentam com a possibilidade de concretizarmos obras estruturantes, que são ambicionadas pelas pessoas. Estas obras não estão hoje no terreno por vontade do PSD e da agenda de alguns dirigentes locais, telecomandados pelo Funchal, para impedir que se cumpra a vontade da população”, acusou.

As obras que não avançam por causa disso, relevou, não ficarão esquecidas.

Entretanto, e no campo da piscicultura, “uma vez mais, lembramos que a Ponta do Sol não quer e não precisa” desta actividade na sua costa. “Não aproveite o Governo um momento menos bom no turismo para vir destruir o que ainda temos de bom e que representa uma vantagem competitiva, a nossa paisagem e a qualidade das nossas águas costeiras”, exortou, considerando que esta actividade “não traz vantagens para a Ponta do Sol ou para os Ponta-solenses: não há criação de postos de trabalho, não há entrada directa de dinheiro na economia do Concelho. Só fica mesmo o lixo”.

Dirigindo-se ao vice-presidente do Governo Regional, Pedro Calado, lembrou-lhe que há uma série de reivindicações e necessidades da população que continuam por ser atendidas, nomeadamente o alargamento da ER 209 no troço que liga os Salões à Levada do Poiso; a requalificação da ER 222 que atravessa o concelho, desde a Lombada passando pelos Canhas, até aos Moledos, dando especial atenção à Recta dos Canhas que carece de passeios e estacionamentos e à ponte da Ribeira da Madalena, deixada ao abandono depois de anos;  e a requalificação da Estrada dos Anjos, antiga Regional 101, “onde tem aquela bonita cascata que é muito usada pelo Turismo da Madeira. Não lhe pedimos nada mais do que foi feito na Ribeira Brava e na Calheta, em que o Governo financiou a intervenção mesmo sendo essas estradas municipais”.

Pediu ainda que o Governo Regional olhe pela educação no Concelho e não deixe que o pré-escolar continue o ano sem o número de profissionais, educadoras e auxiliares presentes em sala em número adequado às idades e à situação pandémica que se vive. É uma situação que está a causar muita apreensão aos pais e deverá merecer a melhor atenção por forma a ser resolvida. E pediu que aumente no próximo Orçamento regional as verbas para Contratos-programa com as autarquias, de forma a não esgotar as verbas nos primeiros dias do ano a favor dos municípios previamente avisados.

Aproveitou, por outro lado, para fazer um balanço do trabalho realizado no último ano; a título de exemplo, mencionou a Loja do Munícipe, um investimento que já ronda os 300 mil euros e a alteração da orgânica da Câmara, com novas chefias e com a contratação de 20 novos trabalhadores, entre outras obras, que incluem um ecocentro e a reactivação da ETAR.

Em carteira, declarou, há já projectos para outros 6 investimentos, três dos quais estratégicos (Lombada, Lugar de Baixo e Levada do Poiso, mas que tiveram o chumbo do empréstimo por parte do PSD na Assembleia Municipal) e outros três noutros locais, onde já foram encetados contactos com moradores.