À conversa com Jorge Gabriel… o Porto Santo, a televisão e o vandalismo

Fotos Funchal Notícias

Há 14 anos que o apresentador de televisão, Jorge Gabriel escolhe o Porto Santo para passar férias de verão com a família. Fá-lo “pelas razões óbvias que o Porto Santo oferece a quem o descobre”.

Em conversa com o Funchal Notícias, Jorge Gabriel elogia a praia única, água com ótima temperatura, mar sem risco, pessoas afáveis, tudo a 1h20 do continente português.

Qualifica o destino turístico Porto Santo como um todo, com oferta de praia, sol, golfe, ténis, padel, caminhadas, bicicletas, BTT, atividades náuticas. “Tudo isto faz parte do Porto Santo. O que mais valorizo no Porto Santo é, indiscutivelmente, a segurança, a calma e a tranquilidade. O oposto do que temos noutros destinos que é rebuliço, centros comerciais, vida noturnna muito ativa. Quem anda a fugir disso tem aqui essa oportunidade”, disse.
“Gostava que mais portugueses o fizessem, não apenas em tempo de pandemia”, disse.

Sobre a velha questão das viagens caras, Jorge Gabriel espera que o Estado, ao deter mais de 72% da TAP, consiga baixar o preço das viagens aéreas do continente para o Porto Santo.

“Para a esmagadora maioria das famílias portuguesas, não é barato vir ao Porto Santo. Não trabalho na TAP mas sei que para ir às Flores ou ao Corvo é mais barato que ir ao Porto Santo. Isso não tem qualquer espécie de cabimento porque estamos a falar do dobro da distância. Não se compreende que uma viagem de 1h20 seja mais cara do que uma viagem de 1h30 para o Funchal”, disse.

“Espero que o Estado, de uma vez por todas, não tome o Porto Santo como um concelho da RAM mas que assuma o Porto Santo como uma ilha. E sendo uma ilha tem particularidades que não tem um simples concelho na ilha grande. O Porto Santo tem as suas próprias idiossincracias. O Governo Central e a própria RAM devem ter cuidados próprios com o Porto Santo que não têm com outros concelhos”, explicou.

“Há pessoas que vivem aqui, que permanecem aqui e que tentam que a portugalidade e a nossa identidade aqui se mantenham. Porque senão, se deixarmos andar é natural que venha a despovoar, a ser apenas uma ilha sazonal e isso não se compreende não apenas pelo passado mas pelo potencial que tem esta ilha”, disse.

Jorge Gabriel fez o teste de despiste à COVID-19 à chegada ao Porto Santo e elogia os procedimentos.
“Sinto-me seguro. Segurança é o nome do meio do Porto Santo. É “Porto (Seguro) Santo”. A segurnaça não é só na COVID mas é em todos os dias que aqui passámos, exceptuando quando algumas criancinhas vêm para aí fazer algumas “brincadeiras” que não têm o devido controlo que deviam ter”, disse.
Aliás sobre os actos de vandalismo em mobiliário público praticados na época estival, sobretudo por adolescentes, Jorge Gabriel é particularmente contundente.

“Não são excessos de verão, não faz parte da juventude. A educação tem-se em casa e depois espelha-se na rua. Também já tive aquela idade, tenho filhos nessa idade e sei até onde podem ir. A partir do momento em que cometem uma vez esse erro não voltam a repetí-lo. Não há desculpas. Não há desculpas. Ter sangue na guelra e ser adolescente, todos passámos por isso. Mas todos temos de ter responsabilidade. Não há desculpas para partir sinais de trânsito, partir caixotes de lixo, asfixiar animais. Isso é falta de educação, não são excessos de juventude”, explicou.

“Excessos de juventude é fazermos directas, sem prejudicarmos terceiros. É uma pouca vergonha que alguns pais autorizem que menores venham passar férias para o Porto santo sem a sua supervisão. É inconcebível e as autoridades têm de tomar as rédeas disto porque, verão após verão, isto sucede”, disse.
Sugere que as autoridades administrativas e de segurança sejam proactivas e não reactivas, tomando as medidas “antecipadmente e não posteriormente”.

Sobre o mundo da televisão e sobre a renovação do contrato com a RTP até 2022, Jorge Gabriel disse que fê-lo porque gosta do serviço público que presta aos portugueses.
Numa altura em que se fala de transferências milionárias de vedetas das televisões privadas, Jorge Gabriel assegurou que não são os cifrões que o movem.

“Respeito os outros canais. Estou na RTP a cumprir serviço público de televisão que é uma coisa que muito me apraz e que permite que muitos portugueses tenham acesso a uma exposição do seu esforço, do seu empenhamento e do seu trabalho, coisa que não acontece nas televisões comerciais, o que se entende perfeitamente”, disse.

Sobre a disparidade de remunerações entre as estacções privadas e a pública, Jorge Gabriel nem entrou por aí.
“Gosto muito do que faço e de defender as causas nacionais. A RTP tem-no feito há muitos anos, tem-se mantido dentro dessa linha e espero que assim de mantenha: atenta ao público, às inovações, que não baixe os braços porque serviço público sem público não é serviço”, disse.

Sente que o seu trabalho é valorizado e reconhecido por que o aborda na rua.
“Sinto muito agradecimento. As pessoas que o fazem, dirigem-se a mim sabendo que não iriam a mais nenhum sítio qualquer se não fosse a RTP. Não tem escala. A RTP serve para mostrar aqueles que não têm escala. É uma montra para mostrar toda a espécie de actividades desde o artesanato, cultura, empreendedorismo, tantas áreas onde os portugueses se dêem a conhecer”, rematou.