Serras do Poiso acolhem Tosquias Tradicionais

O Perímetro Florestal das Serras do Poiso volta a receber, durante o mês de junho, duas das mais emblemáticas manifestações da tradição pastoril madeirense: as Tosquias Tradicionais da Ribeira dos Boieiros, no próximo dia 10 de junho, e do Chão dos Terreiros, agendadas para 21 de junho. As iniciativas são promovidas pelo Instituto das Florestas e Conservação da Natureza (IFCN), em parceria com a Associação de Criadores de Gado das Serras do Poiso (ACGSP), reunindo centenas de pessoas entre residentes, visitantes e amantes das tradições rurais da Madeira.

Os eventos decorrem no coração das Serras do Poiso, onde cerca de 900 ovelhas adultas integram atualmente os dois rebanhos organizados da ACGSP que pastoreiam naquela área florestal, aproximadamente 300 animais na Ribeira dos Boieiros e 600 no Chão dos Terreiros. Trata-se de uma prática profundamente enraizada na identidade serrana da Região, mantida de forma organizada desde a década de 1960, através do trabalho contínuo dos pastores que asseguram diariamente o ordenamento silvopastoril das serras.

Tratando-se de um momento associado ao ciclo agrícola e pecuário, as tosquias representam uma tradição viva da Madeira rural, preservando conhecimentos ancestrais e reforçando a ligação histórica entre as comunidades e a paisagem natural do interior da ilha. Ao longo dos anos, estes encontros transformaram-se também em momentos de convívio e celebração popular, atraindo famílias madeirenses e muitos visitantes interessados em conhecer práticas tradicionais ligadas à pastorícia.

Além da tosquia das ovelhas, os dois dias serão marcados por um ambiente típico de arraial madeirense, com animação cultural e recreativa, atuações artísticas e várias barracas de comes e bebes, promovendo um ambiente de partilha e valorização das tradições locais.

O secretário regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, destaca a importância destas iniciativas na preservação do património cultural e ambiental da Região Autónoma da Madeira. “As Tosquias Tradicionais das Serras do Poiso representam um exemplo notável da ligação harmoniosa entre a atividade humana, a preservação da natureza e a identidade cultural madeirense. Estamos a falar de práticas ancestrais que continuam plenamente atuais pela forma como contribuem para a gestão sustentável da floresta, para a prevenção do risco de incêndio e para a valorização das nossas tradições rurais”, afirma Eduardo Jesus.

O governante sublinha ainda que “o trabalho desenvolvido pelos pastores e pela Associação de Criadores de Gado das Serras do Poiso constitui um contributo essencial para o equilíbrio ecológico daquela área florestal, garantindo um aproveitamento sustentável dos recursos forrageiros e ajudando a manter viva uma atividade com enorme relevância social, cultural e ambiental para a Madeira”.

O IFCN tem vindo a assegurar um apoio continuado à ACGSP, não apenas na organização das Tosquias Tradicionais, mas também através de diversas medidas estruturantes fundamentais para a continuidade da atividade pastoril nas Serras do Poiso. Entre esses apoios destaca-se a celebração de contratos-programa de cooperação financeira entre o IFCN e a associação, no valor anual de 60 mil euros, destinados a garantir a permanência dos pastores indispensáveis à manutenção do ordenamento silvopastoril naquela área florestal.

Paralelamente, encontra-se em fase de conclusão, durante o corrente ano de 2026, a recuperação do Ovil do Chão das Feiteiras, num investimento de 322.629 euros, reforçando as condições de apoio à atividade pastoril nas serras.

O apoio do IFCN inclui igualmente a cedência de feno para alimentação dos animais durante os períodos de menor disponibilidade alimentar, bem como a disponibilização de infraestruturas fundamentais, nomeadamente o Ovil da Ribeira dos Boieiros, o Ovil do Chão das Aboboreiras e o próprio Ovil do Chão das Feiteiras.

A gestão sustentável das áreas de pastagem constitui outra das vertentes do trabalho desenvolvido, através da cedência das áreas de pastoreio no Perímetro Florestal das Serras do Poiso, da manutenção dos espaços de apascentação com controlo de espécies invasoras e infestantes e ainda do apoio à reparação de vedações, mediante a doação de postes de madeira e rede ovelheira à associação.

Para Eduardo Jesus, “a continuidade deste modelo de cooperação entre o IFCN e os criadores de gado demonstra que é possível conciliar conservação da natureza, atividade económica e preservação cultural. As Serras do Poiso são hoje um exemplo de boas práticas de gestão integrada da paisagem, com benefícios claros para o território e para as futuras gerações”.


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