Pior que o coronavírus só os preços da TAP


 
A praga do coronavírus afectou vários sectores económicos, mas o do turismo internacional destaca-se de todos os outros pela velocidade e força, paralisando milhares de aviões nas placas dos aeroportos com o encerramento de fronteiras, em algumas partes do mundo.
A Madeira não foge à regra. O motor da nossa economia “gripou”. Temos de tirar o chapéu ao secretário Eduardo de Jesus,  que se desdobra em reuniões diariamente para pôr a Madeira em marcha. Tem sido uma luta sem tréguas com “Velhos do Restelo” a empurrar com a barriga o prolongamento do confinamento e o início da actividade turística para 2021. Não querendo entrar em polémicas, a saúde e a economia remam em sentidos contrários. Não se morre da doença, mas acaba-se por morrer da cura.
Alertámos há dois meses que um medo excessivo estava instalado e não seria fácil mudar mentalidades. O mundo começa a organizar-se, com a máquina publicitária a entrar nas nossas casas. A Madeira, no entanto, é um grão de areia e não tem economia para acompanhar os “tubarões” nestas máquinas publicitárias.
Como exemplo, o Japão prepara-se para injectar 11,4 mil milhões de euros para um programa de turismo. O governo japonês poderá pagar uma parte das viagens aos turistas que visitem aquele país.
O país do Sol Nascente, com mais de 126 milhões de habitantes em finais de Maio, tinha registado 16.581 casos. Ainda assim, está a ter dificuldade em recuperar o fluxo turístico, depois do surto de Covid -19.
A agência de turismo do Japão prevê que o programa poderá ser lançado em Julho, se a taxa de contágio no país continuar a descer. O Japão estava a contar com os Jogos Olímpicos de 2020 para um fluxo de receitas no Verão. O evento foi adiado para 2021  e este programa de apoio ao turismo poderá ser a solução para época alta e uma maneira de atrair visitantes de fora. Embora não se saiba ainda como vai funcionar em pormenor, afirma-se: venham, que devolvemos 50% do preço das viagens e estadias.
Outro exemplo vem da Europa: na Sicília, Itália, resolveu-se oferecer metade da viagem a quem lá passar uns dias no Outono. O projecto ronda 50 milhões de euros e pretende recuperar as receitas que os milhares de estrangeiros costumam lá deixar em tempos ditos normais. A juntar a esta oferta, os sicilianos oferecem entradas nos museus e espaços arqueológicos, que passam a ser gratuitos.
Os madeirenses cá dentro podem oferecer o quê? Literalmente, o “céu e a terra”… 
A maior pandemia que enfrentamos, pior que o coronavírus, é a TAP, que oferece preços que afugentam os que querem cá vir, fazendo-os agarrar as oportunidades que vão surgir noutras paragens, a preços de fim de estação.
Há quem queira transformar a Madeira num destino quase tão inacessível como o reino do Butão, a preços proibitivos, colocando-nos uma “canga” e travando o nosso sector turístico. É tempo de dizer basta e termos os nossos recursos de transporte.

 


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