Finalmente a Escola para os alunos do século XXI

 

Nas últimas legislativas de 2019, o Governo do Partido Socialista tomava então, de novo, as rédeas dos destinos do País. Entre saídas, entradas, trocas de cadeiras nascia assim uma nova orgânica ministerial dando assim um papel de destaque ao Ministro adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira, que além de passar a ser o número dois do executivo abarcou uma nova pasta, a da Transição Digital.

Nos últimos anos, tem-se assistindo em Portugal a uma substancial evolução dos sistemas informáticos da administração pública, tem havido uma aposta forte na componente dos websites e muitas apps tem sido desenvolvidas para facilitar a vida de todos os cidadãos no acesso mais alargado aos organismos que fazem parte da esfera do Estado. Este é o caminho, estou certo, mas é preciso investir mais e reforçar a criação de planos de desenvolvimento estratégicos mais integrados para todos os sectores públicos. É necessário criar sinergias e canalizar as verbas e os recursos para esta nova realidade que a pandemia do covid-19 nos confrontou. É necessário aproveitar esta “oportunidade” que a pandemia nos deu e repensar todo o modelo de trabalho e ensino que tem vindo a ser desempenhado até então.

No início desta pandemia, o País viveu um apertado período de confinamento onde direitos e liberdades foram restringidos e de forma a garantir a saúde pública de toda uma nação, tiveram de existir encerramentos forçados e novas formas de adaptação à nova realidade. A Escola como todos nós, até então, a conhecíamos teve de se reinventar para dar resposta a uma nova realidade.

No início de cada ano lectivo é efectuado um planeamento por todos os agrupamentos de Escola de forma a preparar o regresso às aulas. Os programas são transversais podendo ser ajustados às necessidades específicas de cada escola. Deste planeamento faz parte naturalmente todos os materiais e recursos que serão utilizados ao longo do ano lectivo de forma a poder dar ao aluno a possibilidade de apreender de forma lúdica e didáctica.

No planeamento deste ano lectivo, não seria provável que, sensivelmente, a meio do ano o modelo educativo tivesse de ser alterado de forma tão drástica. O País não estava preparado, o próprio Governo não se conseguiu antecipar, as Escolas tiveram de se adaptar, mas os heróis que saltaram à vista foram sem dúvida os Professores.

Estes que dia a dia lutam para poder fornecer um ensino de qualidade, de excelência capacitando ano após ano uma geração de jovens merecem o nosso sincero agradecimento. Foram lutadores, reinventaram-se, ultrapassaram barreiras, tiveram de se adaptar aos condicionalismos das aulas digitais. Não tiveram muito tempo para se preparar, mas tiveram a resiliência de enfrentar o problema focando-se na solução e tendo sempre em conta o bem-estar dos seus alunos. Fizeram muito com pouco, deram o que tinham e não tinham, fizeram o possível e o impossível e nós só lhe devemos a nossa mais genuína ovação.

No planeamento do próximo ano lectivo, já não teremos desculpas nem margens para erro. Teremos de acelerar o processo de transição digital nas escolas, investir em tablets e computadores portáteis, fornecer acesso à Internet gratuito a todos os alunos, apostar num ensino misto com componente presencial e digital, ajustar as componentes de avaliação à nova era digital, reforçar os exercícios, testes e exames através de plataformas online e reforçar os gabinetes de apoio à informática dos agrupamentos escolares.

Portugal necessita de, à semelhança de alguns dos seus principais parceiros europeus, rapidamente entrar na nova era digital do Ensino, pois só assim poderemos ter um sistema educativo coeso, preparado, ajustado e adaptado aos novos tempos que vivemos.