
O secretário regional do Turismo e Cultura, Eduardo Jesus e o presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, reuniram hoje na Quinta Vigia com representantes do sector da hotelaria, nomeadamente dos grupos Pestana Hotels, PortoBay, Savoy, Enotel, FourViews Hotels e Cardoso. De acordo com Eduardo Jesus, foi discutido um conjunto alargado de questões colocadas por estes grupos hoteleiros, e que tinha como pano de fundo a expectativa de reabertura de toda a actividade turística.
“Existe um consenso nesta matéria de que a Madeira não pode avançar com uma data neste momento sem que se verifique localmente o controlo da pandemia na RAM, e esse mesmo controlo na origem dos viajantes para cá. Além de se entender que a existência de uma vacina poderá resolver toda esta circunstância, a verdade é que enquanto essa descoberta não ocorre, impõe-se aos destinos nos quais a Madeira se inclui a adopção de um conjunto de medidas e acções que venham permitir restaurar a confiança aos viajantes”, declarou o governante com a pasta do turismo.
Eduardo Jesus disse que “é preciso acabar com o medo de viajar e dar confiança às pessoas”. Por isso, a Secretaria Regional do Turismo desafiou o sector a dar ideias e sugestões para um documento designado “Covid Safe Tourism”, que sintetiza toda essa orientação.
O governante refere que se estão a estudar novas formas de operacionalizar o aeroporto, o que, aliás, se está a fazer um pouco por todo o mundo, “com testes que se sabe o resultado em apenas 10 minutos, e que já se fazem no embarque dos passageiros”. Já outros entendem que não se deve fazer assim, admitiu, “pelo que estamos a aguardar o entendimento das autoridades nacionais e europeias nesta matéria, para podermos depois implementar esses procedimentos localmente”.
Abordado na reunião foi também o trabalho de promoção que a APRAM tem vindo a fazer, mantendo a Madeira no radar do turismo internacional. Eduardo Jesus acredita, entretanto, que o mercado nacional será o primeiro a reagir, constituindo “a nossa grande aposta no imediato”. Isto sem descurar os mercados internacionais. “Importa que os turistas que daí venham estejam bem, e que não exista o problema desta pandemia, para retomarmos em força todo esse fluxo”. Elegeu-se como prioridade, anunciou, uma aposta forte no mercado nórdico, “procurando afirmar a Madeira como um destino seguro, pelo conjunto de medidas que se está a adoptar” e pelos cuidados de saúde pública.
Da parte dos empresários, referiu o governante, há uma grande preocupação (partilhada pelo GR) em matéria fiscal: “Tudo o que são pagamentos por conta, não deviam existir este ano, ou ser entendidos como opção, aliviando a tesouraria das empresas”, sabendo que não vale a pena estar a fazer pagamentos por conta de resultados que não vão existir. Existe também grande preocupação dos hoteleiros e empresários do sector turístico sobre a duração da aplicação do regime do “lay-off” simplificado, na qual o GR também está ao lado dos empresários, no que diz respeito ao seu prolongamento para além dos três meses.
“O sector do turismo será aquele que terá mais dificuldade em reagir e retomar o seu ritmo normal”. Por isso, precisa de ser apoiado mais tempo, sem provocar desemprego e manter os postos de trabalho. Para isso, disse, o governo da República tem de continuar, através da segurança social, com o regime do “lay off” simplificado, porque, se assim não for, e se a lógica for o regime normal do “lay off”, o que acontecerá é um “despedimento em massa. Algo que não interessa à economia nacional e regional.”
Entretanto, e hoje em declarações ao DN-Madeira, Eduardo Jesus explica o que entende como “Covid-Safe Tourism”: O mesmo, adianta, assenta em três grandes áreas de intervenção, nomeadamente, o distanciamento social, a utilização de equipamentos de protecção individual e a segurança sanitária, pontos que têm que estar presentes e ser respeitados em todos os momentos de uma viagem, e à chegada, na circulação no interior de hotéis e piscinas, nos restaurantes e bares e em todas as áreas públicas. Algo que classifica como “um exercício inovador”, no qual diz querer envolver todos, desde as empresas de animação turística à rent-a-car, aos hotéis, à infraestrutura aeroportuária, etc.
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