“Triste abril que precisa de chegar à frente, ultrapassar a recomendação sanitária, para ser lembrado”, escreve o advogado Ricardo Vieira

“Vão dizer que temos uma economia a definhar, que há espectro de fome e desemprego, e que a recuperação vai durar meses(?).”
Foi com esta imagem que Ricardo Vieira ilustrou este escrito no FB”.

 

O advogado madeirense Ricardo Vieira, que no seu percurso teve ligações dirigentes ao CDS Madeira e que tem ligações à Igreja Católica, emitiu hoje, na sua página do Facebook, uma posição relativamente à “luz verde” que as autoridades do País deram relativamente às comemorações do 25 de abril (também haverá comemoração do 1º de maio), num contexto de pandemia e quando se sucedem os apelos ao confinamento, que inclusivamente têm levado ao cancelamento de muitas outras iniciativas.

Ricardo Vieira lembra que “daqui a uma semana as forças de segurança vão sair à rua. Não apenas para fiscalizar o estado de emergência. Vão perfilhar e prestar honras à data. Lá como cá, os parlamentos abrem exceção à quarentena e em vez das profícuas reuniões telemáticas, vão sentar-se afastados qb para cantar o hino e elevar o cravo vermelho”.

Escreve que “os convidados se calhar até vão tirar a máscara com que nestes dias abriram os telejornais. Vão louvar o nosso confinamento e saudar a resiliência nacional que abdicou das procissões, dos compassos e das Páscoas familiares. Vão insistir que assim nos mantenhamos e que desistamos de Fátima a 13 do mês que vem, que dispensemos a festa da flor e o 10 de junho programado e que reprogramemos as férias sem praias.

Vão dizer que temos uma economia a definhar, que há espectro de fome e desemprego, e que a recuperação vai durar meses(?).

Ah, mas vão dizer-nos que temos a liberdade de abril. Vão lembrar-nos os Salgueiros e outros capitães. Vão fazer exercícios silogísticos entre a democracia, a autonomia e o desenvolvimento.

É que sem isso não haveria Portugal!   É que sem as comemorações o País entraria em tédio e corria o risco de esquecer a data.

Triste abril que precisa de chegar à frente, ultrapassar a recomendação sanitária, para ser lembrado.

Em que te transformaste cravo vermelho?”