Dermatite Alérgica à Picada da Pulga (DAPP)

A pulga é o parasita mais frequente, tanto no cão como no gato. As mais comuns nos nossos animais de estimação são a pulga do gato (Ctenocephalides felis) e a pulga do cão (Ctenocephalides canis). Ambas caracterizam-se por se alimentarem do sangue do animal que serve de seu hospedeiro picando-o. Por serem tão pequenas, as pulgas não são fáceis de ver. Além disso, possuem uma capacidade de reprodução extraordinária. As pulgas produzem mais de 100 ovos diários dos quais nascem larvas que em poucas semanas se convertem em adultas.

Ctenocephalides felis – Adulta

A DAPP é uma das doenças cutâneas que mais comummente surge na clínica de pequenos animais, afetando igualmente cães e gatos. Esta patologia ocorre em animais que desenvolvem hipersensibilidade (alergia) aos componentes da saliva da pulga. Enquanto alguns animais toleram um número moderado de picadas de pulgas por dia, os animais com DAPP não toleram nenhuma!

A DAPP surge sobretudo na Primavera e Verão, apesar de poder ocorrer também nas outras épocas do ano, principalmente aqui na Madeira.

Ctenocephalides canis – Macho o da esquerda: Fêmea o da Direita

Os sinais clínicos de DAPP surgem de forma diferente no cão e no gato. Os cães apresentam prurido intenso, que se manifesta sob a forma de morder, coçar e esfregar-se no chão. Apresentam ainda perda de pelo, pele ruborizada e por vezes crostas na região lombar e na base da cauda. A dermatite pode estender-se às coxas e região do abdómen. Os gatos podem lamber-se excessivamente ou arrancar os próprios pelos, apresentando falta de pelo nos flancos e no dorso. Podem ainda desenvolver pequenas crostas vermelhas no dorso.

 

Nos casos mais crónicos, em consequência dos autotraumatismos infringidos, surge inflamação crónica, falha de pelo, descamação e a pele pode mesmo tomar a cor negra e não voltar a surgir pelo. Nas piores situações surgem focos de infeção bacteriana (piodermatite superficial e profunda) que exigem tratamento simultâneo com antibioterapia.

O diagnóstico baseia-se na observação da distribuição das lesões e observação de pulgas, ou fezes de pulgas. Esta reação alérgica pode estar associada a outros processos alérgicos paralelos. Cães que apresentam história de otites recorrentes de origem alérgica poderão ser alérgicos a outras coisas simultaneamente. Para comprovar o diagnóstico existem provas que se podem fazer tais como teste de alergia intradérmicos ou ao sangue.

O objetivo principal é reduzir ao máximo o número de picadas de pulgas. Existem atualmente excelentes produtos disponíveis no mercado efetivos no controlo de pulgas. A maioria destes é destinado a uma aplicação mensal.

As pulgas presentes na pelagem do animal representam apenas 5% da infestação que está presente no ambiente que o rodeia. Os outros 95% consistem em ovos, larvas e pupas “invisíveis”. Este é o principal motivo pelo qual as infestações de pulgas são tão difíceis de controlar. Para um adequado controle de pulgas, é importante ter em mente esses fatores “invisíveis”. Portanto, o tratamento deve focar três pontos:

Eliminar as pulgas presentes no animal (5%)

Eliminar os elementos “invisíveis”: ovos, larvas e pupas (95%)

Prevenir reinfestações

O completo controlo das pulgas exige tratar o animal afetado e todos os animais que o rodeiam. Assim, torna-se importante a adoção de algumas medidas:

Aspirar todos os tapetes, carpetes, sofás, cortinas, etc., tendo particular atenção aos locais mais frequentados pelo animal.

Lavar todas as mantas, camas, almofadas, etc., onde o seu animal dorme, com água quente e detergente.

Ter especial atenção aos locais onde há frechas ou ranhuras, rodapés, atrás dos sofás, do frigorífico, máquina de lavar e, em geral, nos locais mais difíceis de passar o aspirador.

Existem ainda vários produtos que ajudam na eliminação das pulgas no ambiente. Cuidado, com os animais, na utilização destes produtos.

*Médica na Clínica Veterinária Santa Teresinha