Novo quadro político partidário na Madeira faz equacionar a Frente Centrista de 74

psd machico
O que resulta do PSD de hoje, regional e nacional, está na origem de alguma reserva de militantes de peso.

Na sequência de uma semana política de acerto de estratégias e lugares, mais do que de governação, começam a surgir algumas reações que reforçam o descontentamento em fações dos dois partidos da nova coligação regional, que apontam este alargamento de lugares para disponibilização de “clientelas” como sendo uma situação de grande constrangimento, sobretudo para o CDS que fez oposição ao despesismo e agora participa no maior governo de sempre e com esta “alucinante” troca de cadeiras.

E a situação é de tal forma que hoje, no blog ultraperiferias, o comentador e social democrata Filipe Malheiro aborda a questão do novo quadro resultante das eleições de 22 de setembro, que se traduziu na necessidade de um governo de coligação, para revelar, através de fonte bem colocada, diz mesmo que esteve ligada ao dirigismo partidário, que estará a ser estudada a possibilidade de reeditar como que uma Frente Centrista da Madeira, criada nos anos setenta e da qual viria a resultar o PSD-Madeira.

Essa Frente Centrista, recorde-se, “nasceu” por volta de maio de 74, na sequência de reuniões que envolviam um grupo de amigos, designadamente Luciano Castanheira, Henrique Pontes Leça, Aragão de Freitas e Alberto João Jardim, amigos com visões comuns em alguns domínios, mas de diferentes tendências.

Mais tarde, esse movimento alargou-se e António Gil, que se juntou, acabou por vir a ser, mais tarde, o militante número 1 do PSD-Madeira. Foi mesmo o responsável pela logística das primeiras assembleias gerais da Frente Centrista.

Neste texto de hoje, no seu blog, Filipe Malheiro diz que “um grupo de cidadãos madeirenses estará alegadamente a ponderar a possibilidade de retomar o movimento político Frente Centrista da Madeira – criada nos anos setenta e que viria a ser a génese do PSD-Madeira, depois de negociações havidas em 1974 com Sá Carneiro. Segundo me confidenciaram, em mensagem, o projecto estará a ser “amadurecido”, de forma “discreta”, desde Janeiro deste ano, e poderá ter ganho uma outra velocidade graças à imposição de uma sucessão de acontecimentos políticos que aquele grupo de pessoas, com ligações a vários partidos, muitos sem filiação partidária, mas predominantemente próximos do PSD, entende dever ser olhado com preocupação”.

Escreve Malheiro que “o facto do PSD nacional poder ser tomado de assalto em Lisboa pela chamada ala “passista” – Montenegro será o rosto desse retrocesso – poderá constituir um primeiro rastilho para grandes abandonos da militância social-democrata regional. A essa realidade potencial juntar-se-á a alegada ameaça de outras dissidências resultantes de uma “enorme insatisfação, ainda que habilmente contida”, perceptível entre as bases social-democratas regionais e dirigentes locais depois dos últimos acontecimentos”.

Não obstante reconheceram “a existência de alguma tolerância para com Miguel Albuquerque cuja validade dependerá em muito do comportamento da coligação nomeadamente do CDS, e do papel do PSD-Madeira que dizem estar potencialmente ameaçado de “descaracterização” e submissão”, a verdade é que começa a incomodar esta “onda” avassaladora de lugares, o que sendo natural atendendo ao aumento de secretarias e, logo, da despesa pública – a situação é tão surpreendente que ainda nem há lugar definido para a secretarias de Teófilo Cunha e ainda não está desocupado o lugar para onde Rui Barreto irá, a Vila Passos. Mas há mais, na parte do PSD, onde tem sido frequente o “salto” de figuras, de assessores e “despedidos” com lugares sempre assegurados num outro departamento qualquer.

Malheiro dá conta que “o reaparecimento da Frente Centrista com uma liderança entregue a uma nova vaga de políticos, de vários escalões etários”, muitos deles próximos e/ou do PSD-M mas desligados de estruturas dirigentes locais e regionais do partido, a que se juntará uma “assinalável captação em sectores do eleitorado natural do CDS e uma importante aposta no eleitorado do PS-M que não subscreve entendimentos à esquerda”, poderá ser o rastilho para um novo projecto político que os seus mentores dizem só valer a pena se for mobilizador, diferente, inovador, confiável, consequente e consistente, com “pés para andar e ganhar”, que ocupe um “espaço ideológico próprio e claramente delimitado” e que seja “capaz de recolocar a politica regional ao centro evitando extremismos para a esquerda ou para a direita”.

Aponta o comentador, sublinhando ter dúvidas quanto a esta aposta, que “uma das ideias já abordadas “superficialmente” tem a ver com a indefinição quanto a uma Frente Centrista transformada imediatamente em partido político com base operacional na Madeira, que poderá crescer, depois e também, nos Açores – onde o PSD e o CDS locais revelam “gritantes incapacidades” e precisam de novas perspectivas e de novas pessoas  que “sustenham o perigoso avanço da abstenção”. Há ainda a ideia de que não existirão no movimento estruturas estanques, nomeadamente para jovens, quando “é sabido que os eleitores são essencialmente a classe média e os escalões etários mais velhos”. “Nessa ordem de ideias teríamos de ter estruturas para os eleitores idosos activos, para a classe média e para as mulheres que são as grandes vítimas do machismo prevalecente na política quando provavelmente reside entre elas os maiores níveis de saber e competência”… Curioso!
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