Gian Paolo Peloso e OCM proporcionaram excelente concerto na sala azul do Casino, com grandes momentos de virtuosismo

Excelente o concerto da Orquestra Clássica da Madeira ontem proporcionado a um público, como de costume, maioritariamente constituído por estrangeiros. Além de uma muito boa interpretação da Sinfonia nº 4 de Johannes Brahms, o prato forte foi servido por aquele que, simultâneamente, foi neste concerto o maestro convidado: o violinista italiano Gian Paolo Peloso.

Na qualidade de solista, e após ter dirigido a OCM na abertura da ópera “La Forza del Destino”, de Giuseppe Verdi, Peloso continuou a conduzir o colectivo pela senda operática na primeira parte do programa, com uma Fantasia sobre “Il Trovatore”, também de Verdi, e Variações sobre um tema de “A Filha do Regimento”, de Donizetti. Ambas as peças, da autoria de Francisco de Sá Noronha.

Aqui já se começaram a tornar bem patentes as suas aptidões notáveis ao nível técnico e artístico, mas a grande qualidade da sua interpretação ficaria bem patente na “piéce de resistance”, a obra “La Campanella”, de Niccolò Paganini, segundo movimento do seu concerto nº 2 para Violino. A extraordinária mecânica que Gian Paolo Peloso possui nas suas mãos verdadeiramente mágicas só encontrou paralelo na delicadeza com que interpretou esta peça dificílima, não caindo em tentações de aceleração desnecessária para demonstrar virtuosismo, antes permanecendo fiel ao espírito original que o compositor aqui quis imprimir, colocando um pouco a capacidade técnica em segundo plano para dar ênfase à componente melódica. E que grande interpretação realmente foi.

Quem perdeu este concerto da OCM perdeu muito. A OCM está a tocar bem, sem dúvida, e prazenteiramente. Foi um gosto ver. Parece que a actual forma de não manter um maestro titular, mas antes trabalhar com maestros convidados, só tem beneficiado a instituição.

Peloso, artista da Sony Classics, maestro e solista, actualmente docente na Academia de Artes Performativas de Hong Kong, não deixou créditos por mãos alheias. Concertos deste nível na Madeira, podem rivalizar com muitos outros em qualquer parte da Europa ou do mundo. Não ignoremos o que temos mesmo aqui à mão, nesta pequena ilha.