Editorial: O que está em jogo no próximo domingo!

No próximo domingo, dia 6 de outubro, os eleitores madeirenses vão novamente a votos. Desta vez para escolher os deputados para a Assembleia da República.

Não! Não vamos escolher quem queremos para Primeiro-Ministro nem tão pouco quem serão os 230 deputados.

O que vamos escolher são os seis mandatos que cabem ao Círculo Eleitoral da Madeira. Ou seja, quem são os 6 nomes que vão representar a Madeira, nos próximos 4 anos, em São Bento.

Ora, se é isso que está em jogo, não se percebe -ou percebe-se pouco- a proliferação de candidaturas. Sim! São 20 candidaturas pelo Círculo da Madeira, mais três do que as Eleições Regionais que tivemos há bem pouco tempo, a 22 de setembro.

E não precisamos de ser bons a Matemática para perceber que, para eleger um deputado pela Madeira, são necessários pelo menos 14 a 15 mil votos expressos. Tudo depende da abstenção.

Neste quadro, e num contexto de bipolarização, é bom de ver que os dois grandes partidos levam vantagem. Por exemplo, em Outubro de 2015, cada um dos 3 deputados eleitos pelo PSD-M valeu 15.742 votos. Cada um dos 2 deputados eleitos pelo PS-M valeu 13.076 votos. O único deputado eleito pelo BE valeu 13.342.
Números abaixo disto, dificilmente são eleitos.

Daí a minha inquietação sobre a proliferação de candidaturas. É bom para a Democracia? É. Resultado prático? Nenhum.

Não se percebe, por exemplo, porque não foi ensaiado um acordo pré-eleitoral entre aqueles partidos que estão “no meio da tabela”. Tipo JPP/BE ou CDS/pequenos partidos de direita ou ideologicamente neutros. É que, juntos, o todo pode ser maior do que a soma das partes. Separados, o JPP arrisca-se a ter os 8.671 votos que obteve em 2015 e fica fora de São Bento. Separado, o CDS arrisca-se a ter menos do que os 7.536 votos obtidos em outubro de 2015, ficando também fora do parlamento nacional.

A realidade nua e cria é esta: Todos os votos são úteis mas, na prática, podem ser inúteis.

São os números que falam mais alto. Em política mais vale ser pragmático do que utópico. Que o diga o CDS-M que, perdendo mais de 9 mil votos a 22 de setembro, consegue chegar, pela primeira vez na história da Madeira, ao Governo Regional.