Bloco de Esquerda acusa: Museu do Romantismo é “capricho de Albuquerque”

O Bloco de Esquerda considerou hoje o anunciado “Museu do Romantismo”, para o qual o governo anunciou um investimento de 2,3 milhões, na Quinta Jardins do Imperador, como “um capricho” de Miguel Albuquerque.

“Há uma questão de fundo: o turismo é a principal actividade da economia da Madeira, tem dinâmica própria, não precisa de investimento público para reforçar a monocultura, a dependência deste atcividade. É mais avisado o governo investir para diversificar a economia e o emprego na Região”, considerou o BE.

O respectivo coordenador, Paulino Ascensão, declarou que no âmbito do turismo, “este investimento não vai trazer mais visitantes à Madeira, nem vem resolver nenhum dos problema centrais do sector: a operacionalidade do aeroporto e o custo das ligações aéreas. Há muitos gastos que o Governo justifica com o turismo, mas que não passam estes dois critérios: O rali histórico, as festas, são cada vez mais por toda a ilha, o futebol profissional que se justifica com a promoção da Madeira, uma competição náutica – a formula 1 da vela – durou dois anos e foi descartada. Não há estratégia, há impulsos e caprichos”, acusou Ascensão.

Para os bloquistas, “o que atrai os turistas à Madeira é a Natureza e a paisagem. É o que temos de único e nos distingue de outros destinos. Isso é descurado, deixa-se estragar o que temos de mais valioso e inventa-se coisas artificiais, como este museu, que não vai servir para muito. É um capricho pessoal, mais nada, não se insere numa visão estratégica. Precisamos de realismo e não de romantismo”, acentua esta força política.

O Bloco acusa o presidente do Governo Regional de ser fã da monarquia, “mas mais que uma homenagem ao imperador da Áustria, é uma homenagem a si próprio: Há muito que Albuquerque procura deixar o seu nome associado a uma grande obra na paisagem mas falharam todos os projectos: as megalomanias da praia do Toco ou do Cais do Carvão, os mais recentes projectos de museus para o matadouro e de renovação do museu municipal, ficaram no papel. Carrega essa frustração e viu uma nova oportunidade com os incêndios de 2016 que atingiram esta quinta. Foi logo nos dias de rescaldo, depois de delírio do “Está tudo controlado” quando muitas famílias se afligiam com o futuro sem casa e chorar os falecidos que foi anunciada este ideia. Era urgente, não havia outra prioridade”, ironiza Paulino Ascensão.