Luís Vilhena “forte e feio” com a atual liderança do PS-M deseja “paciência” a Carlos Pereira para “uma campanha ao lado de quem lhe espetou tantas facas nas costas”.

Vilhena sobre Carlos Pereira
Foi com esta imagem que Luís Vilhena ilustrou o seu escrito sobre a indicação de Carlos Pereira para liderar a lista de candidatos do PS-Madeira à Assembleia da República.

Luís Vilhena, que nesta Legislatura foi deputado pelo PS-Madeira na Assembleia da República, a par de Carlos Pereira, foi “forte e feio” numa análise que faz ao processo de recondução de candidatura do seu companheiro de bancada, por parte da atual direção socialista madeirense, sobretudo tendo em conta o clima de tensão que o anterior líder do PS-M e agora parlamentar candidato à reeleição manteve com os atuais dirigentes sob o comando de Emanuel Câmara e com Paulo Cafôfo candidato à Quinta Vigia.

Vilhena sempre esteve ao lado de Carlos Pereira quando este era o líder regional do partido, foi com ele para o Parlamento Nacional e hoje na sua página da rede social Facebook, mostra-se implacável com a atual liderança. Diz que a escolha de Carlos Pereira para encabeçar a lista para 6 de outubro deve-se à credibilidade, diz que “a credibilidade é fundamental. E é por isso que o nome de Carlos Pereira aparece a encabeçar a lista do PS-Madeira às legislativas em Outubro”, para logo de seguida sublinhar que “em segundo lugar vem o filho do atual presidente e com isto está tudo dito. Mais um filho do papá. Não há paciência”.

Luís Vilhena começa por escrever que “um cenário completamente diferente de há quatro anos, Carlos surge enquadrado numa equipa não escolhida por si. Depois de ter perdido as eleições internas e após dois anos a tentar estabelecer pontes com a atual Direcção do PS-Madeira, a mostrar a sua disponibilidade para construir uma união interna que fosse útil a um projeto que oferecesse uma alternativa a 40 anos de PSD, depois de dois anos em que foi maltratado e afastado por Emanuel Câmara & comp. lda., Carlos Pereira foi convidado a participar na lista do PS.

O que terá levado então a direção do PS-Madeira a convidar Carlos Pereira, a engolir em seco este elefante?

Duas coisas:

Em primeiro lugar os fracos resultados das eleições europeias. A escolha de uma candidata desconhecida, de que quem nunca se conheceu uma atividade cívica, uma opinião política, uma posição pública sobre qualquer assunto, antecipava o resultado que só a cegueira irresponsável permitiu que isso acontecesse. As pessoas acreditam mais em pessoas do que em instituições e mesmo muitos daqueles que desejam a mudança não deram a sua confiança a quem não conheciam ou acreditavam.

O resultado foi fraco e ainda que os ‘culpados’ não assumissem o desastre, terá havido alguém que os chamou à razão antes que o descalabro fosse maior.

E então surge o nome Carlos Pereira, político conhecido pelas provas dadas, reconhecido pela seu valor, acreditado no panorama nacional, defensor de ideias, sempre pela Madeira.

. O que nos leva à segunda razão. A competência. Há 4 anos, Carlos Pereira apresentou uma moção ao congresso do PS-Madeira, com cabeça, tronco e membros; com ideias muito claras e um projeto para constituir uma alternativa credível para a Madeira. Sempre pela Madeira. Um projeto que reunisse ideias e pessoas que dessem confiança aos cidadãos. Foram esses factores que fizeram crescer um PS-Madeira que tinha batido no fundo com 11% aos comandos de Vítor Freitas, passando para 21% nas legislativas em que eu e o Carlos fomos eleitos numa equipa rejuvenescida, com vontade de mudar e que merecesse confiança.

E a verdade é que passamos de um para dois deputados a representar o PS pela Madeira. E não fora o efeito ‘Catarina Martins’ e, provavelmente, teríamos eleito três.

A credibilidade é fundamental. E é por isso que o nome de Carlos Pereira aparece a encabeçar a lista do PS-Madeira às legislativas em Outubro.

Em segundo lugar vem o filho do atual presidente e com isto está tudo dito. Mais um filho do papá. Não há paciência.

Ao Carlos Pereira, desejo sorte. Melhor do que a que a que teve há quatro anos, em que gastou energias a lutar contra caprichos e birras sem deixar de afirmar o PS Madeira. Não fosse a sua perseverança, o trabalho e a astúcia política e podia ter-se deixado aniquilar pelo canal inquinado que tem ligado à Madeira a Lisboa.

Desejo-lhe paciência também para uma campanha ao lado de quem lhe espetou tantas facas nas costas.

Desde há muito que saí desse ‘filme’ e ainda que, por remota hipótese, tivesse sido abordado para essa aventura, nunca poderia ter aceite. Não sou filiado no PS, nem tenho as responsabilidades do Carlos. Sou militante de projetos em que acredito. Acreditei no Projeto do Carlos e militei nele até ao fim. Foi pena ter sido interrompido de forma inglória.

Mas o Carlos tem a responsabilidade de continuar a lutar. Sempre pela Madeira. E sei que o fará melhor do que ninguém. Boa sorte. Cá estarei para o que for preciso. Sempre pela Madeira”.