“Machico nunca deveria ser palco para lavagem partidária de roupa suja e despropositado e ridículo aproveitamento de casos do foro eclesiástico”, escreve o padre Martins Júnior sobre o 1 de julho

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“Marcasse o Parlamento outra sessão de esgrima inter-partidos, onde cada qual pudesse livremente argumentar, contrapor ou concordar. Mas hoje não, sobretudo em Machico, terra primeira seiscentista!  Hoje,  “Dia D”  da Redescoberta e da Autonomia!”

O padre Martins Júnior, pároco da Ribeira Seca, polémica figura que não é nem nunca foi geradora de consensos, foi duro no escrito que publicou no seu blogue Senso & Consenso, no dia 1 de julho, Dia da Região, com Machico a centralizar cerimónias e atenções comemorativas. O padre dissertou por algumas considerações sobre o passado, num momento em que foi pacificada a sua relação com a Diocese do Funchal, que pela assinatura de D. Nuno Brás, revogou a suspensão “a divinis” aplicada há 42 anos pelo Bispo de então, D. Francisco Santana.

Martins Júnior, padre, com uma vida política intensa, antigo deputado, antigo presidente da Câmara de Machico, à frente da histórica paróquia do concelho de Machico, escreve hoje, aos 81 anos de idade, como no passado. Fala na solenidade do dia e da cerimónia e a dado passo diz que “aqueles que durante mais de quatro décadas massacraram e defraudaram Machico e o seu Povo apresentaram-se hoje de libré e luvas sujas, sem um pingo de pudor diante dos ofendidos e humilhados, sem que um único pedido de desculpa esboçassem pelas maldades, calúnias  e prejuízos perpetrados contra Machico. Os que manietaram as finanças autárquicas, os que atiraram contra Machico o vergonhoso labéu de “terceiro mundo” (e até de “quarto mundo!) eles, os mesmos estiveram hoje emproados na ‘casa dos seiscentos’, (2X300) tecendo louvores ao bombismo ‘flamista’ que teria destruído pessoas e bens se não fosse a atenta vigilância popular em 1975. Tamanha insolência não deveria ser permitida por quem de direito”.

Escreve que “na gloriosa comemoração do Achamento, Machico nunca deveria ser palco para descaradas campanhas eleitorais, lavagem partidária de roupa suja, despropositado e ridículo aproveitamento de casos do foro eclesiástico, propaganda charlatã de feira política. Neste dia e nesta magna circunstância (irrepetível em 100 anos) não tem lugar o figurino doméstico dos parlamentos regulares. Marcasse o Parlamento outra sessão de esgrima inter-partidos, onde cada qual pudesse livremente argumentar, contrapor ou concordar. Mas hoje não, sobretudo em Machico, terra primeira seiscentista!  Hoje,  “Dia D”  da Redescoberta e da Autonomia!”

Escreve ainda: “Outrossim, não é hora de fazer chicana política, de eiró rastejante de calhau em calhau, tentando opor Machico ao Funchal, com o  doentio infantilismo argumentativo de que Machico celebra a data em 2 de Julho e o Funchal (ou a Região) em 1 de Julho. Vem de há mais de  500 anos esta discrepância, desde Azurara, João de Barros, Damião de Gois e outros cronistas e abalizados historiadores. Aliás, Machico não esperou pelo decreto regional para comemorar o Achamento. Já antes do 25 de Abril, aqui foi sempre o “2 de Julho” festejado com o devido enquadramento histórico-cultural”.

Martins Júnior afirma, também, que “manda a verdade histórica reconhecer que, assim como os marinheiros do Senhor Infante abriram a grande epopeia portuguesa a partir da baía de Machico, da mesma forma este Povo (a que tenho a honra e o brio de pertencer) foi o primeiro e mais decidido em implantar na ilha  os horizontes da Revolução dos Cravos e os sonhos  da Autonomia e da verdadeira Liberdade”.