Horácio Bento de Gouveia (filho) lança em breve o romance “O Cais da Vida”

“O Cais da Vida” é como se intitula o romance de Horácio Bento de Gouveia (filho) que será em breve apresentado com a chancela da “Jóias de Cultura”. O lançamento realizar-se-á no Teatro Municipal Baltazar Dias, no dia 1 de Junho, às 17 horas. A obra será apresentada por José Manuel Constantino, autor também do prefácio, no qual considera que “este é um livro que nos cria a vontade de ir aos sítios que o autor relata, pormenorizadamente, mostrando-se conhecedor do espaço que habita”.

“Mais do que conhecedor”, salienta, “descobrimos em Horácio B. Gouveia a capacidade de observação do pormenor, do detalhe que perfaz uma terra. Para além da natureza geográfica, vemos que o autor tem um elevado conhecimento da História do arquipélago, relatando os factos e os lugares, o que incute, em quem lê, uma acrescida vontade da descoberta, de viagem. É um romance, mas poderia muito bem ser um livro de viagem, daqueles que metemos no bolso e vamos descobrindo, uma a um, os lugares que relata…”

Do romance propriamente dito, salientamos o seguinte excerto: …“O cais da cidade do Funchal é um centenário pontão com uma já longa existência. Prolongando a terra, mar dentro, viu nascer e morrer, frente às muralhas do ancestral palácio de São Lourenço, o espaçoso e imaculado Jardim da Rainha com os seus pavilhões alçados, em períodos de festa, elegantemente amurado, com uma
parede, baixa, encimada por arcos ogivados, de ferro adornado de pontas em forma de seta. Respiravam-se, então, os agora longínquos ares que pressagiavam o fim da monarquia portuguesa.
Realidade inerte, coube-lhe e missão de ir registando, silenciosamente, quanto sucedeu por força da natureza, do homem ou de ambos, com o passar do tempo. E foi sob o seu olhar de inelegível testemunha que presenciou o correr de todos os anos, fizesse Sol ou chuva, fosse dia ou fosse noite. À sua volta, no calhau ou já no mar, assistiu, tanto às muitas esperanças que partiram, como às saudades que foram soçobrando nos braços a confortarem abraços de acolhimento, concretizando anseios de chegadas.
Continua a oferecer, ultrapassado mais de um século de existência, a extensão da sua superfície plana a quantos se passeiam naquelas paragens, absorvendo a viração marítima que sopra, perfumada de iodo e de sal.”…

Horácio Bento de Gouveia, filho do conhecido escritor madeirense com o mesmo nome, é advogado e já exerceu docência no ensino secundário.