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Na entrevista ao Funchal Notícias, Sara Cerdas traça cinco áreas de atuação no Parlamento Europeu: combate ao desemprego e diminuição das desigualdades sociais e pobreza; investimento na educação e qualificação; gerar um novo modelo de desenvolvimento económico, que passe pelo turismo, agricultura, pescas e produtos regionais; coesão territorial; e sustentabilidade ambiental.
FUNCHAL NOTÍCIAS: O que pode a Europa fazer pela Madeira e o que pode a Madeira fazer pela Europa?
SARA CERDAS: Os madeirenses reconhecem que a Europa tem sido um importante factor de desenvolvimento para a Região, nomeadamente graças aos fundos europeus que têm sido disponibilizados e catapultado quer o investimento público, quer o investimento privado. Contudo, é importante reconhecermos que a realidade que vivemos hoje é diferente do passado e temos de olhar para a Europa como uma oportunidade de desenvolvimento não apenas na área das infraestruturas e equipamentos, como por vezes aconteceu, mas acima de tudo como um novo impulso para o desenvolvimento, assente num novo modelo económico e social, que torne prioritários o investimento na educação, no conhecimento, no combate à pobreza e desigualdades sociais, na diversificação económica. É preciso virar as opções europeias para uma política de desenvolvimento para as pessoas.
A Madeira dá uma dimensão atlântica à Europa que não pode ser ignorada. É graças às Regiões Autónomas que o país e a Europa beneficiam de circunstâncias geográficas e económicas únicas, que devem também ser aproveitadas e potencializadas pelas instituições europeias, nomeadamente na sua ligação ao mar e à Zona Económica Exclusiva, à Economia do Mar, e como plataforma de ligação aos continentes americano e africano. As realidades específicas das RUP são um desafio para a União Europeia, em termos de continuidade territorial e de coesão social.
FN: Se for eleita, quais as primeiras cinco medidas que irá defender no Parlamento Europeu?
SC: A minha intervenção no Parlamento Europeu assentará em cinco áreas fundamentais: combate ao desemprego e diminuição das desigualdades sociais e pobreza; investimento na educação e qualificação; gerar um novo modelo de desenvolvimento económico, que passe pelo turismo, agricultura, pescas e produtos regionais; coesão territorial; e sustentabilidade ambiental.
Precisamos de canalizar cada vez mais verbas para instrumentos de educação e formação destinados a toda a população, para programas de investimento em Ciência, Inovação e Tecnologia, como o Erasmus+, e num conjunto de ferramentas que permita uma progressiva maior qualificação dos nossos cidadãos e ultrapassar o atraso que a Madeira ainda enfrenta a esse nível.
É fundamental canalizar os fundos europeus do novo quadro comunitário não só para a proteção e modernização da nossa agricultura e pescas, mas também para a diversificação da nossa economia, permitindo valorizar os produtos regionais. A continuidade territorial será necessariamente outro pilar do meu trabalho, sendo que já tornei público que também defendo uma terceira companhia aérea para a rota de Lisboa e uma ligação ferry regular o ano todo para o continente.
Só assim será possível estabelecer um novo modelo de desenvolvimento económico e social que crie mais emprego, que permita reduzir as desigualdades sociais e a pobreza e garantir a coesão social e territorial. Lutarei também para que se desenvolva uma estratégia de “Saúde em todas as políticas”, que promova a saúde de forma transversal, através da aposta na prevenção e no direito universal ao acesso à saúde.
Quero igualmente deixar bem claro que o Centro Internacional de Negócios da Madeira contará com o meu apoio incondicional em qualquer circunstância, mesmo contra algumas vozes discordantes do meu partido a nível nacional.
A Europa precisa também de promover a sustentabilidade ambiental em todas as suas decisões políticas, combatendo as alterações climáticas, que poderão ter impactos determinantes na Região a todos os níveis. O ambiente e a causa animal estarão dentro das minhas prioridades no grupo dos Socialistas Europeus.
FN: Quanto vai gastar o PS-Madeira nesta campanha?
SC: A gestão do orçamento para as Europeias é nacional, sendo que os únicos gastos de relevo na região são os outdoors e os flyers que temos distribuído no porta a porta.
FN: Um bom resultado do PS-M nestas eleições passa por ganhar, cá, à candidata do PSD, Cláudia Monteiro de Aguiar?
SC: O PS nunca ganhou as Europeias na Madeira. Há 5 anos o PS teve 22,5% na Madeira, 10p.p. abaixo do resultado nacional, numas eleições onde o vencedor foi a abstenção. Estamos empenhados em fazer a melhor campanha possível, sempre pela positiva, sempre com ideias afirmativas, e em contacto direto e diário com a população. O combate à abstenção tem de ser o foco de todas e todos os candidatos. Não vejo a Cláudia Aguiar e os outros candidatos como adversários, mas sim como colegas que terão de trabalhar em conjunto pela Madeira e Porto Santo no Parlamento Europeu.
O facto de o PS Madeira ter apostado numa jovem, de uma nova geração qualificada, da sociedade civil, sem estar ligada aos diretórios partidários é um claro sinal de mudança na forma de fazer política na região. E é um sinal de que o PS Madeira conta com todas e todos os cidadãos para construir um projeto para uma região mais desenvolvida, com melhores cuidados de saúde, com mais oportunidades de emprego, menos pobreza e desigualdades sociais.
Importa dizer que vou passar por todas as freguesias da Região, no sábado irei deslocar-me a Porto Santo pela segunda vez, e creio estar tudo a correr muito bem e com grande mobilização dos nossos apoiantes. Tenho tido um enorme prazer em fazer porta a porta todos os dias nas ruas, nas instituições, nos negócios, nos cafés, tenho sido recebida com um imenso carinho e abertura, nota-se claramente que as pessoas anseiam por uma mudança política na região. Vou dar o meu melhor para retribuir com muito trabalho toda a confiança que me estão a transmitir. Espero ter um resultado que honre a Madeira, para termos ainda mais voz no Parlamento Europeu.
FN: As “Europeias” são, para o PS-M um “balão de ensaio” para as Regionais de 22 de setembro?
SC: São eleições com objetivos distintos e muito claros. As eleições para o parlamento europeu devem ser lidadas como tal, e não me caberia outro tipo de juízo. Compreendo que para alguns sectores ou para a comunicação social seja difícil separar os dois projetos, porque as regionais são sem dúvida o ato eleitoral mais importante este ano, mas estou a dar o meu melhor para focar a atenção das pessoas nas Europeias e na importância de irem votar no dia 26 de maio. O meu contributo ativo é mobilizar as pessoas para a importância de participarem e votarem, não deixarem o nosso futuro colectivo nas mãos de outros. Será assim até ao último dia de campanha.
FN: E para as Legislativas Nacionais de Outubro?
SC: Diria quase o mesmo. Espero que o PS ganhe as eleições regionais e que o Paulo Cafôfo seja o novo Presidente do Governo Regional e que faça uma mudança histórica na Região, e espero que depois o António Costa também continue como Primeiro Ministro.
FN: Numa palavra, como qualifica o sector da Saúde, na Região?
SC: Preocupante. Ou em duas palavras: muito preocupante.
FN: Foi campeã de natação. Que mais coisas gosta de fazer quando não está com a atenção na medicina ou na política?
SC: Ler, ouvir música clássica, passear e conhecer novos lugares e culturas. No entanto, não há nada como a Madeira e a companhia da família, que amo.
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