
Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (2013) e Mestre em Saúde Pública pela Universidade de Umeå, no norte da Suécia, em 2016, Sara Cerdas é a aposta do PS-Madeira para o Parlamento Europeu.
Iniciou o seu percurso associativo na Associação de Estudantes da Faculdade de Medicina de Lisboa (AEFML).
Aos 29 anos, já acumulou alguma experiência nas mais diversas áreas de trabalho do programa de intercâmbios, a nível local, nacional e internacional. Foi “trainer” da IFMSA (Federação Internacional de Associações de Estudantes de Medicina) e acumulou experiência em formações no âmbito dos intercâmbios e das chamadas “soft skills” (competências “fora da caixa”).
Em entrevista ao Funchal Notícias, Sara Cerdas afirma-se independente e socialista e garante que não precisa da política mas quer contribuir para servir as pessoas.
FUNCHAL NOTÍCIAS: O que leva uma jovem médica a concorrer às Europeias de 26 de Maio?
SARA CERDAS: Foi com grande honra e um enorme sentido de responsabilidade que aceitei o desafio proposto pelo PS-Madeira: abraçar este projeto de mudança que têm para o desenvolvimento da região, e ser candidata ao parlamento europeu para representar todas e todos os madeirenses e porto-santenses. O meu percurso académico e profissional sempre se pautou em, de forma ativa, contribuir para a melhoria da saúde e qualidade de vida das pessoas. Sempre considerei essa a minha aspiração de vida, como cidadã e como médica.
Acho que posso fazer a diferença no Parlamento Europeu, não apenas pelas minhas competências técnicas, mas porque tenho a convicção que represento uma geração que não se sente envolvida nem próxima da política europeia, e é necessário mudanças claras na forma como os eleitos se relacionam com os seus eleitores. É necessário humanizar o papel do eurodeputado, não podemos ser apenas gramofones da burocracia do parlamento e da comissão europeia, tem de haver iniciativas que vão ao encontro dos cidadãos e que realmente valorizem o trabalho europeu.
FN: Depois de se ter falado de uma juíza, sente que foi uma segunda escolha?
SC: Confesso que me faz alguma confusão a forma atual de fazer política de alguns diretórios partidários, nomeadamente do PSD Madeira, em que o ênfase é desclassificar os adversários e criar um clima constante de confronto e de desinformação das pessoas. Os madeirenses estão cansados desta governação e da máquina partidária que pressiona pessoas e famílias, onde há décadas que o cartão partidário parece ser o único meio de alcançar algo profissionalmente, e onde se beneficia às claras determinados grupos económicos ligados ao PSD. Honestamente, e afirmo com todas as letras, é contra este estado de coisas que aceitei ser candidata e ajudar a uma mudança histórica na Madeira e Porto Santo.
Como já afirmei publicamente, sinto que o PS Madeira é o único partido com uma estratégia de desenvolvimento da região para a próxima década, e identifico-me com a proximidade e ímpeto de democracia participativa que querem imprimir na política madeirense. Os Estados Gerais são uma iniciativa única na Região, diria até no País, onde há largos meses se organizam fóruns, debates, convenções para construir um programa de governo. Identifico-me a 100% com esta forma positiva de fazer política, e vou contribuir com o máximo de dedicação e competência para este projeto colectivo, liderado pelo Paulo Cafôfo.
FN: A Sara Cerdas é uma mulher socialista ou uma socialista, mulher?
SC: Sou mulher, independente e socialista. Não aceitaria um convite de outra força política. Acima de tudo, respeito os meus valores e convicções, que me foram transmitidos pela família, pelo meu pai e mãe. Sempre tive consciência da realidade social onde vivemos na Madeira, que é de uma extrema desigualdade entre os mais desfavorecidos e os com mais rendimentos. São necessárias políticas sociais e económicas que tenham como prioridade reduzir estas disparidades, e não tenho dúvidas que o único partido que tem essa preocupação como pilar é o PS.
Devo dizer que ao iniciar este percurso, surpreendi-me muito pela positiva pela envolvência do partido e por todo o apoio recebido desde o momento em que fui anunciada. Certamente que existem sempre algumas vozes discordantes, mas mesmo essas, ao longo do tempo, já vieram demonstrar o seu apoio a este projeto maior que o PS Madeira tem para a nossa região.
Aproveitando a pergunta, também devo dizer que valorizo muito as questões relacionadas com a Igualdade e Inclusão, e julgo ser um trabalho importante a ter a nível europeu. De uma perspetiva pessoal, tive a felicidade de nunca sentir qualquer distinção ou discriminação de género, pelo facto de ser mulher. Na maior parte das equipas que integrei a nível profissional, em particular na Direção Geral de Saúde, era dada igualdade de oportunidades a todos, independentemente do género. Mas estou bem ciente que há um longo e duro caminho a percorrer até chegarmos ao momento em que seremos todas e todos iguais. É uma bandeira do Partido Socialista, e que me orgulha bastante.
FN: O seu slogan é “Geração Madeira”. A política precisa da Sara Cerdas ou a Sara Cerdas precisa da política?
SC: Tudo o que alcancei na minha vida foi graças ao meu trabalho, empenho e dedicação.
A política precisa acima de tudo de cidadãos que contribuam de forma ativa para a democracia, que possam influenciar os seus pares para melhores decisões, e que tenham em mente o interesse coletivo, e menos o particular. O PS Madeira abriu as suas portas à sociedade civil, conta com as colaborações de cidadãos prontos a participarem ativamente na mudança que queremos imprimir na região. Esta abertura do PS à sociedade é algo de extraordinário e muito raro de vermos nos partidos.
Trabalhei na Direção Geral de Saúde, no centro de emergências em saúde pública e na unidade de apoio à autoridade de saúde nacional. Fazia investigação em saúde pública, nas áreas de epidemiologia, saúde ocupacional, doenças transmissíveis e resistência a antimicrobianos. Tenho um contrato de trabalho com a Universidade de Estocolmo onde estava a concluir o meu doutoramento. Julgo que se conclui facilmente que não preciso pessoalmente da política, mas quero contribuir muito para a política servindo as pessoas e os madeirenses.
FN: Já falou com Liliana Rodrigues para recolher alguns “ensinamentos” sobre o trabalho na Europa?
SC: Já tive oportunidade de falar com a Dra. Liliana Rodrigues por via telefónica e combinámos encontrar-nos pessoalmente assim que for possível.
Nesta etapa de campanha o fundamental é esclarecer e informar as pessoas sobre a importância de participarem nestas eleições europeias, sobre o nosso programa, e o trabalho que iremos desenvolver e executar. Deixo já aqui o convite para no dia 9, Dia da Europa, se juntarem a nós no auditório da Reitoria da UMa para a apresentação do nosso manifesto “Geração Europa”, onde, depois de ter passado por todos os concelhos da Região, vou anunciar as principais prioridades para o nosso mandato.
FN: O 6.º lugar na lista nacional garante, à partida, um lugar em Estrasburgo. Isso é motivo de orgulho ou obriga a um trabalho acrescido?
SC: Nada é garantido. O que garante lugares é o voto das pessoas. Daí estarmos a trabalhar todos os dias, em grande proximidade com a população – a nossa chamada campanha de proximidade – para divulgarmos a nossa mensagem e criarmos já as pontes de comunicação direta com os nossos concidadãos e as mais diversas instituições com as quais estamos a reunir.
O sexto lugar é o melhor lugar de sempre numa lista para o PS Madeira, uma clara aposta do Secretário Geral António Costa no projeto do PS Madeira e uma prova do respeito pela Autonomia e pelas Regiões da Madeira e dos Açores. Tanto a RAM como a RAA estão em lugares potencialmente elegíveis, o que não acontece com mais nenhum partido. Os madeirenses e porto-santenses saberão interpretar estas posições. Estamos obviamente orgulhosos do nosso lugar.
FN: O PS é um partido europeísta. Defende uma Europa Federada (tipo Estados Unidos da Europa), uma Europa de Estados soberanos como a atual ou uma Europa com cada vez maiores poderes ao nível das Finanças, Defesa, etc.?
SC: O PS é convictamente o partido português mais europeísta, que defende uma Europa com os seus Estados Membros a trabalharem de forma interdependente, com os valores da liberdade, da justiça e da igualdade como base deste grande projeto. A Europa não precisa de ser repensada, mas sim de refletir sobre como envolver cada vez mais os cidadãos neste grande projeto democrático, em linha com os valores que estiveram na sua génese. Numa altura de ameaças de movimentos populistas e nacionalistas em particular da extrema direita, tem de haver uma reflexão bastante alargada dos passos que as instituições europeias têm de dar para a frente, tendo em conta a possibilidade concreta de também já não contarmos com o Reino Unido, e se faz sentido uma cada vez maior centralização de poderes em Bruxelas.
Acima de tudo, eu creio que ainda estamos a raciocinar como há 20 ou 30 anos atrás, e estamos a perder a noção das prioridades das pessoas, do cidadão comum. É difícil de explicar como se gasta milhares de milhões de euros no sistema bancário, mas não se consegue investir o mesmo no combate às alterações climáticas, na criação de novos empregos para uma população cada vez mais qualificada, no investimento em melhores serviços públicos sociais e de saúde para uma população cada vez mais envelhecida, ou num sistema de ensino onde haja efetivamente igualdade de oportunidades.
Julgo que estes é que deveriam ser os temas a marcar a agenda europeia.
FN: Está prevista a deslocação à Madeira do secretário-geral do partido, António Costa e do cabeça-de-lista às Europeias, Pedro Marques? Quando?
SC: O Pedro Marques está confirmado que virá novamente à Madeira, falta acertar a data. Veremos se o António Costa também poderá cá marcar presença. (continua)
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