Bispo dá a “Boa Notícia: Cristo ressuscitou; com Ele a morte foi vencida; e nele também nós a podemos vencer!”

Na Sé do Funchal, D. Nuno Brás defendeu a importância do anúncio da boa notícia. Cristo Vive! FOTO RUI MAROTE.

Neste domingo, que a igreja Católica celebra a Ressurreição de Cristo, o Bispo da Diocese do Funchal veiculou também “a Boa Notícia: Cristo ressuscitou; com Ele a morte foi vencida; e nele também nós a podemos vencer!”

O FN reproduz a homilia de D. Nuno Brás, esta manhã, na Sé do Funchal.

“Cristo ressuscitou, Aleluia!

Irmãos, este pregão que, em cada manhã de Páscoa, que em cada Domingo, e mesmo até em cada dia que começa a Igreja entoa — e, como disse o Senhor, se os discípulos calarem, gritarão as pedras (Lc 19,40) — este pregão é verdadeiramente uma Boa Notícia, um Evangelho, que o mundo inteiro necessita conhecer.

A exemplo das demais paróquias, no Socorro, celebrou-se a Ressurreição de Cristo.

Como refere o Papa Francisco, todos os seres humanos têm o direito de a  conhecer, e nós, cristãos, temos o dever de anunciar (Evangelii gaudium 14)!

Porque é um direito de todos os seres humanos conhecer esta Boa Notícia? Porque, sem ela, a vida humana é uma vida para a morte, por muito bem que tenha sido vivida, por muito que alguém tenha construído, por muitos actos heróicos que tenha praticado. Se é verdade que Camões fala daqueles “que, por obras valerosas, se vão da lei da morte libertando” (Lusíadas, Canto I,2), o facto é que, mesmo esses, os heróis, permanecem somente na memória dos vindouros — quando não são esquecidos algumas gerações depois da sua morte!

Não nos basta a nós, seres humanos, permanecer na memória dos demais. Trazemos em nós uma sede de viver. Somos estruturalmente avessos à morte. Queremos viver para sempre, e queremos viver para sempre na felicidade eterna.

É apenas Jesus, que regressado dos infernos, do reino dos mortos, trazendo consigo o esplendor da vida divina — é apenas Ele quem nos pode dar a esperança, a certeza de que a morte foi vencida, de que a morte deixou de ser uma fatalidade, deixou de ser o destino a que todos estaríamos votados. E como é diferente poder viver para a vida, num horizonte de vida eterna, ou viver para a morte, para o nada! É um direito de cada ser humano saber que não tem que viver para a morte!

Mas, para nós, cristãos, é um dever anunciar a Páscoa de Jesus. Porque a nós foi-nos dada a graça de viver neste horizonte de vida. Mais. Jesus ressuscitado, ao dar o seu sopro de vida, o seu Espírito, aos discípulos, como acabámos de escutar no Evangelho, dá-nos a participar da sua vida eterna. Vivemos no meio do mundo, nós os baptizados, mas vivemos com Cristo, por Cristo e em Cristo. Que realidade melhor, mais feliz, pode existir neste mundo do que esta de saborear o Céu vivendo ainda na terra? Que outra maior fonte de alegria pode o ser humano encontrar? Como podemos guardar para nós, de uma forma egoísta, esta felicidade? Temos o dever de a anunciar, de a testemunhar, de a mostrar a todos os demais, crentes e não crentes. Essa é a missão que Deus nos confia. Confia em nós para darmos a conhecer a todos, para que de todos seja conhecida esta Boa Notícia: Cristo ressuscitou; com Ele a morte foi vencida; e nele também nós a podemos vencer!

Isso mesmo recordava o Papa Francisco aos jovens, na sua Exortação “Cristo vive”: “corremos o risco  — dizia o Papa — de tomar Jesus Cristo apenas como um bom exemplo do passado, como uma recordação, como Alguém que nos salvou há dois mil anos. De nada nos aproveitaria isto: deixava-nos como antes, não nos libertaria. Aquele que nos enche com a sua graça, Aquele que nos liberta, Aquele que nos transforma, Aquele que nos cura e consola é Alguém que vive. É Cristo ressuscitado, cheio de vitalidade sobrenatural, revestido de luz infinita. Por isso dizia São Paulo: «Se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé» (1 Cor 15, 17).

Mas, se Ele vive, então poderá estar presente em cada momento da tua vida, para o encher de luz. Assim, nunca mais haverá solidão nem abandono. Ainda que todos nos abandonem, Jesus permanecerá, como prometeu: «Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos» (Mt 28, 20). Tudo preenche com a sua presença invisível e, para onde quer que vás, lá estará Ele à tua espera. É que Ele não só veio, mas vem e continuará a vir todos os dias, para te convidar a caminhar para um horizonte sempre novo” (Cristo vive, 124.125).”