Ex-governante minimiza ausência de Miguel Albuquerque e conta episódio semelhante em 1993

O ex-secretário regional da Educação, Francisco Santos critica os falsos moralistas que apontam o dedo à ausência de Miguel Albuquerque da Madeira neste momento da tragédia do Caniço.

Num “post”, Francisco Santos conta que Jardim também estava no Brasil aquando da aluvião de 1993 e não veio mal ao mundo.

Leia aqui:

“Em Outubro de 1993, quando de uma dos maiores aluviões sofridas pela Madeira, eu era membro do Governo Autónomo há menos de um ano.
Na altura, o nosso Presidente estava no Brasil a visitar as Comunidades Madeirenses.
Montámos todos, liderado pelo membro do Governo mais antigo, o nosso companheiro Bazenga Marques, e como estava previsto para circunstâncias deste teor, um Gabinete de Crise na Quinta Magnólia (onde estava a sede da Proteção Civil), Gabinete de Crise esse que envolveu, como é óbvio, para além de todos nós, membros do Executivo, os então responsáveis pela Proteção Civil e PSP (Coronel José Maria Gouveia e Superintendente Nuno Homem Costa), para além de um representante das Forças Armadas, cujo nome, penitencio-me, a memória não fixou.
Alberto João Jardim, como líder que era, sempre em contacto connosco, após as conversas adequadas às circunstâncias, entendeu, por bem, continuar a viagem, demonstrando, assim, acreditar na competência, empenhamento e disponibilidade da sua Equipa (mais direta e mais alargada) para lidar com a tragédia e com todo o quadro inerente e subsequente. Confesso, como já o escrevi noutro momento, que o sentimento que senti foi de orgulho e honra, pela confiança em nós depositada, pois estávamos perante a assunção, pelo líder, de que éramos capazes de enfrentar um cenário gravíssimo e de encontrar os caminhos e as soluções adequadas.
Neste contexto, e à contrário de outros, neste momento de tragédia na Madeira, calculo o que se terá passado entre Miguel Albuquerque e a sua Equipa, desde logo pela que foi, unanimemente (a nível regional, nacional e até pelas próprias autoridades alemãs), considerada a excelência de intervenção dos serviços de Proteção Civil e de Saúde da Madeira, que a tudo e a todos deram uma resposta exemplar.
Dito isto e como devem calcular, mesmo longe da Madeira nestes dias, vou ser politicamente incorreto relativamente ao que tenho observado nas redes sociais e em alguma imprensa, pois muito do que tem sido escrito e dito … cheira a “falso moralismo”, a hipocrisia pegada ou a ignorância absoluta sobre qual deve ser a dinâmica entre membros de uma Equipa, neste caso como o Governo Autónomo da Madeira e as suas diferentes componentes e serviços competentes demonstraram saber ser, assim resolvendo, de forma extraordinária, o que lhes foi exigido. Mais ! Acredito que todos e cada um dos membros do Executivo Autónomo da Madeira de hoje tenham sentido o que eu próprio (e os meus companheiros de então) sentimos… orgulho e honra pelo líder da Equipa acreditar que seríamos capazes de enfrentar toda a situação e de resolvê-la da melhor forma possível.