
Virgílio Pereira faz parte da história do PSD-Madeira, mas a filiação propriamente dita, “preto no branco”, só aconteceu em 1983, a 12 de novembro, lembra-se bem, tinha concluído a primeira passagem pela Câmara do Funchal. “Até tenho vergonha de dizer, mas passou-se uma coisa esquisita. A dada altura, apareceram-me na Câmara convites, pessoais, de tantos partidos, até de Mário Soares, para várias posições, desde deputado à Assembleia da República, para presidente da Câmara, nunca liguei a isso. Até diziam que eu estava sempre do lado do partido do poder, por acaso calhou assim. E se fosse hoje fazia a mesma coisa”.
Nunca discordou da linha de pensamento mas sim da “praxis”
A dado momento, assumiu uma imagem como se se tratasse de um “desalinhado” dentro da estrutura do PSD-M, uma espécie de consciência do partido, de Jardim até, com quem teve várias divergências, algumas públicas. Diz que ao filiar-se no partido, sabia que lhe devia obediência, que se quiser discutir com esse partido ideias tinha os orgãos próprios, mas era importante saber se esses orgãos estavam dispostos a ouvi-lo. Nunca discordou em função das linhas que tinham a ver com o pensamento político, mas sim naquilo que diz ter sido a “praxis”, da maneira de ser com os subordinados dentro do partido, da maneira de ser para com a oposição, a forma de estar na Assembleia Legislativa. Um indivíduo do PS, CDS, Bloco, do PS, é uma pessoa que tem família e que tem direito a ser respeitado quanto à sua dignidade humana. E há casos em que, mesmo em diferentes partidos, as pessoas criam alguma empatia e até amizade, com o relacionamento político de anos. Isso é possível”.
A relação com Alberto João Jardim não foi pacífica
Virgílio Pereira reconhece que a relação com Alberto João Jardim “não foi pacífica”. Mas lembra que, antes da política, as famílias já se relacionavam, “já nos encontravamos, semanalmente, à frente do Golden. E depois do 25 de abril, convidou-me para um movimento, começou aí a relação política. Mas nunca confundi política com família. Se me disser que houve alturas em que não queria nada com ele, politicamente falando, nem ele comigo, é verdade. Mas não era por isso que eu ia deixar de ter uma relação com a família, até sou padrinho da Andreia, gosto muito dela”.

“Miguel Albuquerque foi levado por mim para os bombeiros e para a Câmara”
Fala de Jardim, mas também não esquece o atual presidente Miguel Albuquerque, também é padrinho de um dos filhos do líder social democrata, o Martim, que vai fazer 21 anos e com quem Virgílio Pereira mantém uma excelente relação, “é um rapaz daqueles que ainda tem um coração grande”. Miguel Albuquerque “foi levado por mim para os Bombeiros Voluntários Madeirenses, foi levado por mim para vice presidente da Câmara”. E por falar em padrinhos, faz um aparte para dizer que quando foi presidente da Câmara teve “mais de cem afilhados”.
“Não considero que o PSD-M esteja verdadeiramente unido”
Virar a página para o PSD atual, tanto na estrutura regional como a nacional, não deixa Virgílio Pereira à defesa, nem isso seria de esperar. Não tem dúvidas que “o PSD nacional está uma desgraça, está tudo a fingir, no PSD Madeira também estão a fingir um pouco, mas houve uns gestos, que mesmo sendo feitos com um sentido artificial, não é assim interpretado pela grande massa e, com isso, julgo que o partido é capaz de reaver eleitores que votaram noutros partidos. Julgo que o PSD-Madeira não está tão fragmentado e tão embrulhado como o PSD nacional, mas francamente não considero que o PSD-Madeira esteja verdadeiramente unido, se bem que em democracia não é fácil dizer que qualquer partido está realmente unido.
“Houve sempre uma luta da Madeira e dos Açores por lugares elegíveis”
Em termos de estratégia partidária, Virgílio Pereira discorda completamente da atitude do líder nacional do PSD, Rui Rio, que de repente avança com um lugar elegível para a Madeira, na lista de candidatos às eleições europeias, com uma observação nunca antes vista em situações similares, ou seja, a candidata da Região, Cláudia Monteiro de Aguiar, é a candidata, não apenas da Madeira, mas das Regiões Ultraperiféricas portuguesas, representando assim, também, os Açores. Esta é a hora da Madeira, justificou o líder social democrata nacional, o que poderá significar que nas eleições seguintes o candidato dos Açores representará igualmente a Madeira. “O PSD mostra que está doente quando diz que o candidato da Madeira nas eleições europeias vai representar também os Açores. Alguma vez isso acontecia no meu tempo? Nem noutro partido qualquer. Houve sempre uma luta para termos um representante em lugar elegível, uma luta tanto da Madeira como dos Açores. O que acontecia era que as ilhas alternavam de posição, umas vezes a Madeira ia à frente, outras vezes era os Açores”.
Descubra mais sobre Funchal Notícias
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.




