Não há auditoria clínica em Portugal, revela o diretor clínico do Centro da Fundação Champalimaud

“Não há em Portugal auditoria clínica de forma adequada ou mesmo de forma regular. É fundamental que existam. E não há, pelo menos com a frequência que seria necessária. Se houvesse, resolveria muitos dos vossos problemas. Se alguém contrata um médico para trabalhar 8 horas por dia, ele terá folgas, formação, é impossível um serviço funcionar se tiver apenas um médico especialista em Medicina Nuclear”. Estas declarações foram proferidas pelo diretor clinico do Serviço de Medicina Nuclear do Centro Clinico da Fundação Champalimaud, Durval Costa, que está a ser ouvido na comissão parlamentar de inquérito sobre o funcionamento da Unidade de Medicina Nuclear do SESARAM.

Durval Costa tem pautado a sua intervenção pelo calculismo, numa perspetiva de não entrar em áreas de abordagem, esclarecendo que “nunca visitei o serviço de Medicina Nuclear do SESARAM. Tenho ouvido algumas coisas na comunicação social e os argumentos são sempre mais importantes quando são objetivos e aquilo que tenho visto não são argumentos objetivos”.

Roberto Almada, do BE, questionou Durval Costa sobre se pareceu que Rafael Marques pudesse evidenciar alguns distúrbios comportamentais, referindo-se à insinuação de Silvestre Abreu, o diretor do serviço de Endocrinologia, feita ontem no Parlamento, sobre o médico da Medicina Nuclear do SESARAM, dando a entender que o clínico deveria ser alvo de avaliação por parte da Ordem dos Médicos. Durval Costa respondeu sem responder diretamente à questão.

Durval Costa considerou, ainda, que “retirar o único médico especialista em Medicina Nuclear interfere logicamente no serviço”, respondendo a uma outra questão de Roberto Almada.