“Sinto-me muito feliz por tudo aquilo que pude viver aqui nestes 26 anos”, disse D. Maurílio de Gouveia quando saíu de Évora

D. Nuno Brás com D. Mau.rílio de Gouveia
D. Maurílio na imagem com D. António Carrilho e D. Teodoro de Faria.

“Levem-te os Anjos ao Paraíso, à tua chegada recebam-te os Mártires e te conduzam à cidade santa de Jerusalém”. Foi assim, com este título, que a Diocese do Funchal anunciou, hoje, a morte de D. Maurílio de Gouveia, madeirense, Arcebispo Emérito de Évora. Morreu aos 86 anos, em Gaula.

A Diocese do Funchal refere, no site, ter recebido “com tristeza, a notícia do falecimento de D. Maurílio de Gouveia, neste dia da festa de são José, e manifesta o seu pesar. Rezamos pelo D. Maurílio e o confiamos ao Senhor na Sua imensa misericórdia, e pedimos-Lhe: concedei-lhe, por vossa bondade, o convívio dos santos. O Senhor conforte toda a sua família com esperança na Ressurreição”.

A nota da Diocese lembra que “D. Maurílio nasceu no Funchal no dia 5 de agosto de 1932. Foi ordenado padre no dia 4 de junho de 1955. Em 22-03-1978 foi nomeado Arcebispo titular de Mitilene e Vigário Geral do Patriarcado de Lisboa. Foi ordenado bispo na Sé do Funchal, no dia 13 de janeiro de 1974. Foi nomeado Arcebispo de Évora em 08-09-1981.

A tomada de posse de D. Maurílio de Gouveia como arcebispo de Évora aconteceria três meses mais tarde, a 8 de dezembro de 1981, no dia da festa da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria, padroeira principal de Portugal e da Arquidiocese de Évora.

Ao longo dos 26 anos em que tomou conta dos destinos da arquidiocese alentejana, D. Maurílio de Gouveia destacou-se pelo empenho pastoral, assumindo como pioneiro num trabalho de proximidade com as comunidades católicas locais.

“Como estive no terreno, conheci as pessoas, entrei nas suas casas, visitei escolas e fábricas e pude experimentar bem a alma alentejana”, destacava D. Maurílio de Gouveia.

Em 2007, por ter atingido os 75 anos, idade limite para o desempenho da missão episcopal, segundo a lei canónica, D. Maurílio de Gouveia apresentou ao então Papa Bento XVI a sua resignação ao cargo de arcebispo de Évora.

A 8 de janeiro foi anunciado o nome do novo arcebispo de Évora, D. José Alves, com D. Maurílio de Gouveia a assumir o cargo de Administrador Apostólico até à tomada de posse do seu sucessor, que viria a acontecer a 17 de fevereiro de 2008.

“Sinto-me muito feliz por tudo aquilo que pude viver aqui nestes 26 anos. Foi uma experiência muito gratificante. Estou muito grato a Deus por tudo aquilo que pude viver nestes anos, sobretudo pela amizade que se estabeleceu com todas as populações, famílias e pessoas individualmente”, destaca também na hora de deixar o cargo.

Os seus últimos anos, já com uma saúde muito debilitada, foram passados na terra natal, no Funchal; do seu percurso constam também cargos como os de presidente das Comissões Episcopais para o Apostolado dos Leigos e para as Comunicações Sociais.

A sua veia para a comunicação, que demonstrou de forma mais evidente ao longo do seu trabalho na Arquidiocese de Évora, ficou também expressa na sua ligação a projetos como o Jornal da Madeira, do qual foi diretor; e à criação literária.

Entre a sua obra bibliográfica estão livros como ‘Cristãos Exemplares’, ‘Eu sou o Pão da Vida’, ‘O Eremitério Maria Serena’, ‘Uma Comunidade de Cristãos – A Paróquia na Missão da Igreja’, ‘Magnificat’ e ‘Rumo ao Céu’, esta última já uma coletânea de pensamentos do arcebispo emérito reunida pelo cónego Cardoso de Melo.

Ainda no campo literário, e do legado deixado por D. Maurílio de Gouveia, inclui-se a obra ‘Concílio, Diocese e Evangelização’, apresentada no âmbito dos 50 anos de sacerdócio do arcebispo emérito, em 2005, com uma entrevista conduzida pelo então sacerdote e professor de História da Igreja no Instituto Superior de Teologia de Évora, D. Francisco José Senra Coelho, atual arcebispo de Évora. Ver www.agencia.ecclesia.pt

Nota: estes elementos que constam da informação acima descrita constam de uma publicação hoje veiculada no site da Diocese do Funchal