Victor Aguiar é um madeirense bem sucedido na hotelaria na Noruega

Fotos DR

Chama-se Victor Diogo dos Santos Aguiar, é natural do Funchal e nasceu a 29 de Abril de 1991.

Entre 2006 e 2009 estudou na Escola Profissional de Hotelaria e Turismo da Madeira, no curso de Técnicas profissionais de Restaurante e Bar.
Durante o primeiro estágio profissional, teve a oportunidade de conhecer uma família norueguesa que è proprietária de um hotel na Noruega, mais precisamente em Sogndal.
Em 11 de Janeiro de 2011 foi para a Noruega com 19 anos e muitos sonhos na bagagem. Aterrou em Sogndal, a temperatura era de – (menos) 15 graus e tinha uma altura de quase dois metros de neve.
“Estávamos perante um dos Invernos mais rigorosos dos últimos anos, além de estar no meio da época escura do ano (escurece pelas 15 horas!)”, revela.
Depois de 3 anos como empregado de mesa no hotel, Quality Hotel Sogndal, chegou à posição de Chefe de Restaurantes. Responsável por operar dois dos 3 restaurantes do hotel, conferências e um bar.
Em Abril de 2017 achou que era altura para mudanças e novos desafios e mudou-se, junto com a namorada para Bergen, a segunda maior cidade da Noruega. Ali, trabalhou durante um ano num hotel como chefe de sala e mais tarde teve oportunidade de mudar para o hotel onde trabalha actualmente, Comfort Hotel Bergen Airport.
De referir que o Comfort Hotel Bergen Airport faz parte de uma das maiores companhias hoteleiras da Escandinávia com cerca de 200 hotéis, Nordic Choice Hotels.
Durante os primeiros tempos como chefe de sala neste hotel, encontrou alguns desafios tanto de pessoal como económicos.
“Estes desafios diários foram-se resolvendo e em apenas 4 meses passei de chefe de sala a Director de Comidas, Bebidas e Conferências”, relata.
 
A Nordic Choice Hotels baseia-se em três valores com os quais se identifica: PEOPLE, PLANET, PROFIT (Pessoas, Planeta, Lucro). Os três valores estão interligados e um não funciona sem o outro.
 
“O nosso hotel tem imensas iniciativas sociais (quartos grátis a famílias com necessidades na época natalícia, donativos à Unicef por cada quarto etc.). Trabalhamos diariamente com a efectividade e motivação dos empregados e com iniciativas para proteger o planeta (não usamos químicos para limpezas e até 2020 vamos substituir todos os plásticos por produtos biodegradáveis)”, explica.

Em Novembro de 2018, confrontado com as pessoas que diariamente acorrem ao hotel à procura de trabalho, recorreu ao director do hotel (Erlend Fardal Lunde) e falou-lhe no quão limitada é a escolha (90% das vezes não têm experiência na área). Sugeriu-lhe fazer uma formação para os diferentes departamentos, com teoria e testes práticos para ficar a conhecer melhor os candidatos e lhes dar a conhecer a profissão.

Durante o mês de Novembro contactaram a NAV (equivalente ao centro de segurança social e desemprego em Portugal) e o Centro de introdução para refugiados em Bergen, que prontamente se disponibilizaram a ajudar no que fosse possível.

No início de Fevereiro deram início ao primeiro curso, para a área de Restaurante e Bar e na área de housekeeping (limpeza e andares).

“O curso foi um sucesso e foram escolhidos 9 candidatos que começam um estágio esta semana, com o objectivo de receberem um contrato de trabalho antes da época alta”, relata.

O curso está a ter tamanha atenção, que já foi, juntamente com o director do hotel, Erlend Fardal Lunde e a sua colega de Housekeeping Iveta Langzdkalne, convidado para diversas palestras nos centros de desemprego para contar a experiência, o processo de integração na comunidade norueguesa.

“O objectivo é tornar o ”curso” num programa de integração a nível nacional. O grande objectivo é usar os hotéis como arenas de integração de pessoas que por um ou outro motivo acabaram fora do mercado de trabalho, seja por problemas sociais, por serem refugiados ou apenas por terem o azar da empresa onde trabalhavam ter falido. A minha história e integração na comunidade norueguesa é, deveras, uma motivação extra para todos estes candidatos que vêm como uma inspiração para criarem a sua própria história de sucesso”, relata.

“Gostava de, com isto, poder inspirar as pessoas da minha terra natal, a ilha da Madeira, e quem sabe inspirar os hotéis e as entidades locais a criar um projecto semelhante”, remata.


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