Deputados social-democratas reúnem-se para abordar situação na Venezuela

Os deputados do PSD/M nos parlamentos nacional e da Madeira reuniram-se hoje na Assembleia Legislativa Regional com um grupo de lusodescendentes, para debater a situação na Venezuela. Segundo o parlamentar Paulo Neves, esta reunião relaciona-se com a audição parlamentar ao Ministro dos Negócios Estrangeiros, que será realizada amanhã na Assembleia da República, a pedido do PSD, sobre a Venezuela.

Nesta audição, o deputado social-democrata pretende, sobretudo, reivindicar três questões. A primeira é que o Governo português estabeleça com as autoridades venezuelanas linhas vermelhas para além das quais não se pode ultrapassar. Uma delas é que não haja, seja por que razões forem, detidos madeirenses por se terem manifestado contra o regime de Nicolás Maduro. “É inaceitável que qualquer português seja detido por tomar posições políticas na Venezuela”, considerou.

Outra questão refere-se à ajuda humanitária, a qual, segundo Paulo Neves, que não pode deixar de chegar à comunidade portuguesa e aos venezuelanos em geral. “O Governo português não pode aceitar que a ajuda humanitária que é dirigida à comunidade portuguesa não chegue aos portugueses na Venezuela e quando estamos a falar em ajuda humanitária falamos em questões de saúde e em questões tão básicas como alimentos.”

A terceira questão relaciona-se com os “ataques cirúrgicos” a interesses de portugueses na Venezuela. “Sejam bens, sejam pessoas, não podem ser atacados e as autoridades venezuelanas têm que proteger todos os venezuelanos como é evidente, mas também, em especial, alguma da comunidade que possa vir a ser visada em alguns ataques que são absolutamente inaceitáveis”.

Paulo Neves também quer transmitir ao Governo uma posição muito clara do PSD “Nós achamos que devem existir rapidamente corredores humanitários para prestarem ajudas a uma população que precisa urgentemente de ajuda, seja na saúde, seja na questão de alimentos”.

Sobre a realização de eleições livres, o deputado considera que é preciso uma clarificação e legitimação da vida política na Venezuela, o que passa por uma “pressão muito grande da comunidade internacional”, defendo também que o país precisa rapidamente de um plano de auxílio de emergência económico por parte dessa mesma comunidade internacional.

Por fim, Paulo Neves salientou que Portugal tem de ser um ‘pivot’ activo na questão da Venezuela, porque ela é também “uma questão portuguesa”. “Nós estamos a falar de milhares e milhares de portugueses que vivem na Venezuela. O problema da Venezuela é também um problema português.” Nesse sentido, adiantou, as soluções passam também, e obrigatoriamente, pelo Governo português.

Um dos lusodescendentes que participaram nesta reunião, Jonny da Corte, sublinhou que alguns dos problemas com que se depara a comunidade portuguesa prendem-se com o tempo de espera para tratar de qualquer documentação que permita aos portugueses sair do país e, uma vez cá, a demora nas equivalências de habilitação.

Sobre a situação na Venezuela, este lusodescendente espera que a solução seja aquela que represente o menor número de mortes possível, não acreditando que seja fácil um abandono do poder por parte daqueles que sustentam o actual regime.