Os enfermeiros não têm listas de espera, não as criam, lembra o presidente da Ordem na Região num ambiente de contestação às USF

Centro de Saúde Santo António
A eventual intenção de alargar as Unidades de Saúde Familiares (USF) ao Centro de Saúde de Santo António está a provocar descontentamento entre os enfermeiros.

As Unidades de Saúde Familiares (USF), que para o secretário regional da Saúde é o caminho a seguir na estratégia de futuro, mas que para os enfermeiros representa um retrocesso nos cuidados a prestar, estão há algum tempo na origem do diferendo entre a classe e Pedro Ramos, desde que a experiência piloto foi adotada no Centro de Saúde da Ponta do Sol, cujos resultados têm sido apresentados como positivos pela governação regional do setor.

Élvio Jesus, representanto a Ordem na Região, tem sido uma das “faces visíveis” desse descontentamento, também o Sindicato dos Enfermeiros, através de Juan Carvalho, numa onda de contestaçãonque promete não parar nos próximos tempos. Para já, na próxima tensão relacionada com a aparente intenção de alargar essa USF ao Centro de Saúde de Santo António, sendo que o responsável pela Ordem, na Região, já desabafou, recentemente, nas redes sociais, que “os responsáveis da Saúde da Madeira deveriam saber que, desmantelar um Serviço de Enfermagem de um Centro de Saúde que apesar da falta de recursos funciona bem, acarreta enormes custos para os utentes, profissionais e serviços, muito difíceis de calcular”, sublinhando ainda que “por isso, ao invés de incentivar, deveriam pelo menos contrariar as tentativas interesseiras de fragmentação (desintegração) dos Cuidados de Saúde às pessoas, como de resto é seu dever…Já que não conseguem ajudar a melhorar, pelo menos não deveriam estragar”.

Ao Funchal Notícias, Élvio Jesus considera ainda cedo para tirar conclusões relativamente à atitude do Governo, relativamente a Santo António, admitindo, no entanto, que há uma tentativa que vai no sentido de uma previsível alteração em termos de futuro, mas que não está a ser bem acolhida pelos profissionais. Uma reunião, ainda hoje, poderá constituir um foco de esclarecimento, prevendo-se um encontro com o secretário regional da Saúde para o final do mês, no sentido de, então sim, apurar factos mais concretos sobre as reais intenções de eventuais medidas a tomar.

Com o novo ano a começar, Élvio Jesus considera que a situação dos enfermeiros, em termos de carreira, trará algumas conquistas, referindo que neste contexto, até existem situações alvo de reivindicação nacional que já estão contempladas na Região, como sejam as 35 horas, mais dias de férias, por exemplo. E espera, ainda, que o Governo Regional cumpra com a promessa de contratação de 400 enfermeiros até final da atual Legislatura, ponto que deverá incluir a agenda do já referido encontro com Pedro Ramos.

Quanto ao atual momento da prestação de serviço de Saúde e o anunciado reforço das Urgências por via do “pico” da gripe, o responsável pela Ordem na Madeira diz que “os enfermeiros já estão habituados a estas situações. “Desde que não existam disfuncionalidades, mais esforço, menos esforço, os enfermeiros vão dando resposta. Se reparar bem, os enfermeiros não têm lista de espera porque não as criam. Se for para atender dez pessoas mas existem quarenta, atendemos quarenta. Não existe outra classe profissional que faça isso na área da Saúde”.


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