O Bispo seguiu o Direito Canónico e calou o padre. Contradição!” denuncia a Fraternitas em comunicado onde aborda o caso Padre Giselo”

padre Giselo
O movimento “Fraternitas” pede: “Fazemos votos profundos para que esta Igreja tão desumanizadora encontre caminhos de convergência, de modo que testemunhe na vida a Palavra que anuncia”.

A “Fraternitas”, um movimento que congrega padres que deixaram o exercício do Ministério, casados ou não, veio a público emitir um comunicado sobre a forma como a Igreja trata esses sacerdotes, referindo o caso do padre Giselo, pároco do Monte, que foi afastado pela Diocese do Funchal, daquelas funções, por ter admitido a existência de uma filha.

E fala do Bispo, em geral e em particular: “O bispo é um Apóstolo. Deve viver a humanidade e incarna a misericórdia de Jesus. Ele é testemunha viva do amor de Deus presente na Sua Igreja. Ora o bispo seguiu o Direito Canónico… e calou o padre. Contradição! Quando falamos de vocações, da falta de presbíteros e de comunidades sem pastor… quem nos leva a sério?

Reconhece aquele movimento que “é evidente que o Padre Giselo calcou o risco. Com aquele procedimento pisou o Direito Canónico”. Mas deixa um alerta: “Não foi por incompetência ou má preparação que o padre foi afastado da “sua” paróquia. Foi apenas por uma questão disciplinar. E pronto! Toda a gente de consciência tranquila… Mais uma paróquia sem pastor, uma filha com a afetividade paterna comprometida, uma mãe sozinha… e uma igreja que fecha os olhos à realidade e vive uma situação contrária à Palavra que prega… Tudo corre às mil maravilhas, mesmo contrariando o Evangelho”.

Diz a organização “Fraternitas” que foi surpreendida com o reconhecimento paternal de uma sua filha. “Um acto de coragem, de transparência e de humanidade. Quem acompanhou este caso constatou a responsabilidade e seriedade com que o Padre Giselo enfrentou a questão. Até se dispôs a continuar a sua atividade pastoral na Senhora do Monte, com aceitação e agrado da maioria dos paroquianos”.

Olhando à nossa volta, acrescenta o comunicado, “vemos que há muitos casos idênticos ao do Padre Giselo. E há muitas e muitas comunidades sem pastor, que não celebram os mistérios do amor de Deus, nem o Evangelho é palavra ativa. E as comunidades aceitam esta imposição, como se fosse a vontade de Deus. E os bispos resignam-se cruzando os braços como uma fatalidade. Mentira”.

Sublinha a nota que “ao Padre Giselo e a todos os corajosos que denunciam, que enfrentam ou enfrentaram questões parecidas, a nossa solidariedade. Fazemos votos profundos para que esta Igreja tão desumanizadora encontre caminhos de convergência, de modo que testemunhe na vida a Palavra que anuncia. Nós acreditamos no Espírito que revitaliza esta Igreja. Acreditamos que Ele tem força dinamizadora para evitar discussões supérfluas. Que leve esta Igreja a redescobrir os tempos primitivos do Cristianismo e encontre forças de renovação…

A nota lembra que “seiscentos e quinze padres deixaram o ministério nos últimos quinze anos!” — É assustador!… É informação do Jornal de Notícias, na edição de 21 de outubro de 2018. Porquê? — Interrogamo-nos. A questão não é simples e também não nos satisfazemos com superficialidades ou com respostas rotineiras.

O comunicado, que pode ser lido no site oficial da “Fraternitas”, acentua que “o bispo é um Apóstolo. Deve viver a humanidade e incarna a misericórdia de Jesus. Ele é testemunha viva do amor de Deus presente na Sua Igreja. Ora o bispo seguiu o Direito Canónico… e calou o padre. Contradição! Quando falamos de vocações, da falta de presbíteros e de comunidades sem pastor… quem nos leva a sério?

Aponta, também, esta tomada de posição, que “na verdade vemos com mágoa que os bispos “não cheiram a ovelha!” Vivem longe, no alto, isolados, onde só chegam ecos da vida dura e amargurada do povo. Conhecerão as necessidades das suas ovelhas? Serão reconhecidos como verdadeiros pastores? Ou serão apenas agentes do direito canónico”, defendendo que “há outras soluções, há outros caminhos. Demos voz ao Povo de Deus. Que os bispos, os padres, os cristãos — numa palavra a Igreja — sejam coerentes, equilibrados, humanos, humanizados e humanizadores, homens e mulheres de Fé, que celebram na alegria este amor de predileção com o qual o nosso Deus e nosso Pai nos acaricia”.