Madeira com forte paralisação na greve dos trabalhadores dos Registos

A greve dos trabalhadores dos Registos arrancou hoje com paralisações em todos os distritos do país, incluindo Açores e Madeira, confirmando uma adesão nacional e transversal  a rondar os 80 por cento, com destaque para a Madeira, que atingiu os 90 por cento, afirma um comunicado.
Desde as primeiras horas da manhã, registaram‑se encerramentos totais e atendimento reduzido em muitas conservatórias dos Registos Predial, Comercial, Automóvel e Civil e ainda nas Lojas de Cidadão, funcionando muitas apenas em serviços mínimos.

A mobilização faz‑se sentir de Norte a Sul do país. Dados ainda provisórios destprimeira manhã dão nota de paralisações em Vila Nova de Gaia, Gondomar, Paredes, Lousada, Amarante, Trofa, Braga, Vila Verde, Sabugal, Almeida, Pinhel, Gouveia, Fornos de Algodres, Caldas da Rainha, Bombarral, Marinha Grande, Nazaré, Loures, Amadora, Sintra, Lisboa, Oeiras, Almada, Seixal, Barreiro, Moita, Palmela, Sesimbra, Montijo, Rio Maior, Ourém, Torres Novas, Cartaxo, Abrantes e Tomar, bem como em Chaves, Sabrosa, Montalegre, Vila Pouca de Aguiar e Resende, entre muitos outros serviços.
Também nas regiões autónomas a greve está a ter forte impacto. Na Madeira, chegou aos 90 por cento, com apenas alguns serviços no Funchal e Porto Santo a funcionar, todos os restantes encerrados. Nos Açores, há registo de encerramentos e fortes constrangimentos em todas as ilhas, assevera uma nota de imprensa. 
O STRN sublinha que esta adesão expressiva confirma a gravidade dos problemas estruturais que há anos afectam o setor, apontando para um défice superior a 3.000 trabalhadores, degradação do serviço público, atrasos crónicos, serviços encerrados, assimetrias salariais, carreiras bloqueadasretrocesso profissional, ausência de investimento, falta de medicina do trabalho e substituições não remuneradas.

O Sindicato dos Trabalhadores dos Registos e Notariado denuncia ainda que o Instituto dos Registos e do Notariado (IRN) colocou inspetores no terreno a recolher dados sobre a adesão à greve em tempo real — uma prática que considera ilegal, intimidatória e contrária às regras que regem o exercício do direito à greve.

De acordo com o STRN, a recolha de informação sobre a participação dos trabalhadores só deve ocorrer após a conclusão do período de greve, nunca durante a sua execução. Ao colocar inspetores no terreno durante a greve, o IRN está, objetivamente, a tentar condicionar os trabalhadores. A lei é clara: a recolha de informação sobre a adesão é feita apenas após o termo da greve. O que está a acontecer é inaceitável, afirma Arménio Maximino, presidente  do STRN.
O Sindicato considera que esta actuação configura uma forma de pressão e vigilância indevida num contexto de conflito laboral, reforçando acusações anteriores de instrumentalização do IRN por parte da tutela. Recorda ainda que na semana passada criticou o Governo por recorrer ao IRN, para fora de tempo, divulgar um acordo assinado há quatro meses, numa tentativa de interferir na mobilização dos trabalhadores.
Se a luta fosse irrelevante, não haveria esta reacção. Se a greve não tivesse impacto, não haveria tentativas de condicionamento, conclui o Sindicato.


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