Museu Etnográfico inaugura hoje mostra sobre “a açucena no Culto Mariano”

A secretária regional do Turismo e Cultura estará presente hoje, pelas 17.00 horas, no Museu Etnográfico da Madeira, na Ribeira Brava, na cerimónia de inauguração da exposição “Do Bom Despacho ao Livramento: a açucena no Culto Mariano”.

O culto mariano tem uma enorme importância nas igrejas, capelas e ermidas do arquipélago da Madeira. É padroeira em 50 paróquias e são cerca de 195 os padrões de invocação de Maria nas festividades que ocorrem ao longo do ano, refere uma nota da SRTC.

“A devoção à Virgem Maria é vasta e tem as suas origens com o início do povoamento. Ao longo de quase seis séculos, muitos espaços de culto foram construídos em louvor à Mãe de Jesus que conta, hoje, entre nós, com cerca de 77 títulos.

Alguns dos nomes de Maria nasceram de uma alusão directa à sua pessoa e vida terrena, aos lugares das aparições e aos dogmas definidos pela Igreja. Outros títulos, como o de Nossa Senhora do Bom Despacho e de Nossa Senhora do Livramento nasceram das necessidades, aflições e fragilidades humanas, sentidas por quem habita este território insular.

As festas de Nossa Senhora do Bom Despacho e de Nossa Senhora do Livramento são celebradas, respectivamente, em Campanário – no último fim-de-semana de setembro – e Ponta do Sol – no segundo fim-de-semana de Outubro. Em ambas as localidades o ponto alto reside no cortejo das açucenas, uma genuína e ancestral festa da flor, de carácter religioso, que resulta da colheita de uma única espécie botânica – a Amaryllis belladonna –, destinada às ornamentações do andor e da capela”, refere-se.

Com curadoria de Martinho Mendes, esta exposição cruza, precisamente, a antropologia, a etnobotânica e o olhar artístico contemporâneo, procurando dar a conhecer as especificidades destas celebrações a oeste da ilha, onde é ampla e marcante a utilização das açucenas (Amaryllis beladona), espécie introduzida no século XVII, que as comunidades locais vão colher às serras onde estão intimidade associadas.

Ao evocar os vários momentos de preparação destas festas – a colheita das flores, a concentração e convívio dos romeiros até às capelas e a entrega de flores e decorações – esta iniciativa promove as memórias, tradições e costumes que nos caracterizam, enquanto povo, salvaguardando-as e valorizando-as em mais esta mostra temporária.

Esta mostra estará patente ao público até dia 7 de Dezembro.