Não adianta mudar os limites, não vou baixar os limites dos ventos enquanto for CEO da TAP, diz o presidente executivo da companhia em entrevista ao Expresso

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O novo CEO da TAP recusa discutir a alteração dos limites dos ventos no Aeroporto Internacional da Madeira Cristiano Ronaldo. Foto Dinheiro Vivo

“Não adianta mudar os limites, eu não vou baixar os limites dos ventos enquanto for CEO da TAP. Não vou baixar”, a afirmação é do presidente executivo da TAP, em entrevista este sábado ao Expresso e que o jornal já publicou um excerto, esta noite, na edição online. As declarações de Antonoaldo Neves prometem causar polémica na abordagem sobre os limites dos ventos no Aeroporto Internacional da Madeira Cristiano Ronaldo. A Madeira reivindica, a TAP não está pelos ajustes e nem quer discutir uma matéria que, para a companhia, tem a ver apenas com segurança.

No texto hoje divulgado no Expresso online, o presidente da TAP é claro e direto: “Nem pensar. Podem até mudar a lei e aumentar ou eliminar os limites de vento para levantar voo ou aterrar no Aeroporto Cristiano Ronaldo, na Madeira, mas a TAP vai continuar a respeitar os limites atuais”.

Confessa que já conversou com os “pilotos e não tem dúvidas: “Conversei com os meus pilotos, conversei com os pilotos da Airbus… Isso é retórica. Houve uma pessoa que veio aqui dizer-me que ‘em média, os ventos este ano foram mais baixos que no ano passado’. Uma pessoa que pensa a aviação em médias vai causar um acidente catastrófico. O que importa é o vento no pico, que derruba o avião. A média do vento não quer dizer nada, toda a média é burra. As pessoas estão a tratar desse assunto sem seriedade. A TAP não negoceia com segurança.”

E diz mais:  “Há filmes na Internet, vão observar as aterragens. É muito arriscado. Não adianta ter essa discussão sobre cancelamentos na Madeira no que diz respeito a questões meteorológicas. É uma irresponsabilidade tratar o assunto dessa forma, a TAP não vai entrar nesse jogo”.

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“Temos aumentado a oferta, onde mostrámos que as nossas são tarifas são módicas… A nossa frustração vai mais no sentido em que investimos, continuamos a investir e não percebemos a razoabilidade das críticas.

Quanto à posição do Governo Regional de Miguel Albuquerque, que defende uma alteração dos limites argumentando que esses limites foram definidos nos anos 60, com a pista mais curta, sublinhando que a manutenção desta situação penaliza uma Região turística, Antonoaldo Neves diz ao Expresso: “Os limites não podem ser ultrapassados por questões de segurança”.

Aceita as críticas políticas quando é confrontado com outro problema: atrasos e cancelamentos: “Críticas de governante nós não rebatemos, ouvimos. Os governantes são eleitos pelo povo, têm legitimidade para exigir. Mas tenho de reconhecer que é uma surpresa para mim, é uma questão até frustrante”.

Lembra que foi feito, na Madeira, um Conselho de Administração, onde afirma ter sido demonstrado o carinho que a TAP tem para com a Região. E faz uma leitura, do ponto de vista da companhia, assente em tarifas módicas e crescimento:  “Temos aumentado a oferta, onde mostrámos que as nossas são tarifas são módicas… A nossa frustração vai mais no sentido em que investimos, continuamos a investir e não percebemos a razoabilidade das críticas. Porquê? A quantidade dos voos cresce, a quantidade de clientes e de turistas cresce, temos parcerias e acordos para estudantes, sabemos a importância que temos para a ilha”.

Sobre os atraso, diz que a operação da Madeira é mais pontual do que toda a TAP. Sobre os cancelamentos, condições meteorológicas à parte, a percentagem global da companhia superior.

Antonoaldo Grangeon Trancoso Neves nasceu no Brasil a 5 de março de 1975, tem formação em Administração de Empresas, Finanças e Engenharia Civil. Entrou na TAP em 2017. O percurso profissional está ligado à aviação. Liderou a Azul Linhas Aéreas, uma das maiores companhias aéreas do Brasil, que transporta mais de 22 milhões de passageiros por ano, com cerca de 1.000 voos por dia. Com sucesso, liderou o processo de abertura de capital nas bolsas de NY e SP, captando mais de mil milhões de dólares para a empresa durante o período da maior crise brasileira.