
Quem chega a Madrid, confronta-se com duas realidades: a imponência da cidade dominada pelo turismo estival, sobretudo sul-americano, e a diversidade de obras públicas que está em curso nas principais artérias da capital espanhola. Movimentada, de contrastes, mas sempre atraente ao forasteiro pela diversidade de ofertas, seja cultural, seja comercial.

As eleições autárquicas são já daqui a seis meses e há promessas a cumprir. Por isso, o centro de Madrid apresenta a maior concentração de obras públicas em superfície e abaixo do solo, com destaque principal para a Gran Vía, assim como junto à Puerta del Sol.
De um lado, os turistas a apreciar as vistas e o comércio da cidade, nomeadamente as maravilhas do Museu do Prado, e do outro, os constrangimentos próprios de uma parte da cidade transformada em estaleiro para modernizar as ruas vias da cidade. O que é certo é que os turistas circulam indiferentes aos constrangimentos das obras, nomeadamente, a interdição de certas ruas, abertas apenas à circulação pedonal.

Circular de automóvel em Madrid torna-se penoso. Não há engarrafamentos de trânsito, porque agosto é tranquilo, mas estacionar a viatura é uma verdadeira descida aos infernos, com os valores dos poucos parques públicos a cobrarem cerca de 3 euros por hora. Uma forma de as autoridades locais convidarem os forasteiros a recorrerem ao aluguer das bicicletas, unindo dois em um: conhecer a cidade e praticar exercício físico.

A polícia municipal espreita a cada “calle” e é frequente o som da sirene a anunciar a sua intervenção. Evidente o refoço policial nas ruas, para prevenir atos também terroristas. Aliás, o FN pôde assistir a uma intervenção da polícia, pelas 11 horas desta quarta feira, que fez parar uma viatura e os seus ocupantes, em plena Gran Vía, para indagações, durante largo tempo. Documentos em cima do carro, cinco polícias em ação, tudo passado a pente fino, indiferentes aos olhares e às fotos, com visível incómodo para os visados. Pergunta-se a razão: resposta curta: “É uma mera intervenção policial…”
A imprensa, nomeadamente o jornal El País-edición Madrid, dá grande relevo às obras de verão na capital, mas também ao insólito e dramático caso de Barcelona, em que um a cidadão argelino, de 29 anos, entrou num posto policial munido de uma faca, gritando “Alá”, tendo imediatamente sido abatido a tiro por uma agente. Um caso que está a dar que falar. Para uns, uma intervenção policial desproporcionada, já que o indivíduo se encontrava transtornado porque tinha confessado à mulher que era homossexual. Para outros, a reação da agente, que disparou quatro tiros e matou o jovem, foi em legítima defesa porque, em tempos de terrorismo, ninguém poderia descartar a hipótese de um ataque.
As praças de Madrid, para além dos turistas que animam a economia, com preços elevados para todos os produtos, são também ocupadas pelo comércio paralelo dos ciganos e de outras culturas. Estes comerciantes itinerantes estão sempre prontos a fugir à intervenção policial.

O famoso Estádio de Santiago Bernabeu é visitado diariamente por centenas de adeptos do futebol que gostam de seguir a dinâmica do Real Madrid, mesmo sem Cristiano Ronaldo. As filas para entrar no Estádio começam logo pela manhã.


O roteiro histórico é deveras atrativo com destaque para o Museu do Prado, com entradas gratuitas, entre as 18 e as 20 horas. Uma lição de história de arte com os famosos pintores Goya, Veázquez, Rafael e tantos outros que deixam os visitantes longos minutos a olhar para cada tela que parece falar com os observadores. Um Museu que completa no próximo ano o seu bicentenário e que prepara já um vasto programa de comemorações.
Puertas de Alcalla, Palacio Real, entre outros pontos históricos merecem bem a visita do turista, assim como a Estação Ferroviária de Atocha.

A exemplo de tantas outras cidades, Madrid também tem mendigos a pernoitarem pelas ruas centrais, indiferentes aos olhares.

Nos recantos das grandes vias, embrulhados em cartão, adormecem quando a cidade ainda é percorrida pela agitação do turista.
Madrid prossegue a sua dinâmica de cidade cosmopolita, aberta a todos, mas com grande preocupação na segurança pública.



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