A maioria PSD/CDS na Câmara Municipal do Funchal (CMF) rejeitou esta quinta-feira a proposta do Juntos Pelo Povo (JPP) para a criação do Comissariado Municipal para a Prevenção e Combate ao Desperdício Alimentar no Funchal. Desde que a nova vereação foi instalada, há seis meses, PSD/CDS chumbaram todas as oito iniciativas apresentadas pelo maior partido da oposição, queixa-se esta força política.
Os vereadores do JPP, Fátima Aveiro e António Trindade, referiram, no final da reunião desta quinta-feira, que num contexto de aumento significativo do custo de vida, “combater o desperdício alimentar é mais do que uma opção, é uma responsabilidade pública, com impacto direto na eficiência, na consciência colectiva e no apoio às famílias”.
A criação de um comissariado de prevenção e combate ao desperdício alimentar, acrescentam, permitiria organizar e sistematizar dados, definir uma estratégia concertada e alinhar o Funchal com os objetivos europeus nesta matéria.
Portugal é o quarto país da União Europeia com maior desperdício de alimentos. Por ano, cada português inutilizou entre 182 kg a 184 kg de alimentos, de acordo com dados publicados pela agência Lusa, em setembro de 2025.
Este desperdício doméstico representa um gasto médio de cerca de 336€ a 350€ anuais por português. Na Madeira, os últimos indicadores sobre o desperdício alimentar referem-se ao final de 2023, com o Banco Alimentar a considerar a situação “alarmante” e referindo um aumento exponencial dos 500 kg para os 800 kg anuais de alimentos desperdiçados em contexto familiar.
“O chumbo confirma um padrão preocupante desta maioria”, realçam os vereadores do partido que lidera a oposição. “Desde outubro, todas as propostas apresentadas pelo JPP foram rejeitadas, oito propostas em concretas, todas elas com impacto real na vida das pessoas, desde o apoio ao arrendamento à área social, saúde e economia local. Mais do que discordância política, o que se verifica é um bloqueio sistemático, mesmo em matéria consensuais e de relevante interesse social, como a questão do desperdício alimentar ou a atualização do apoio à renda, que também foi recusado.”
Fátima Aveiro e António Trindade afirmam que “a táctica arrogante do PSD/CDS não deixa dúvidas a ninguém”, e tem sido colocada em prática nas reuniões do executivo. “Enquanto propostas estruturadas, com base técnica e alinhadas com boas práticas europeias são rejeitadas, a maioria PSD/CDS continua a aprovar medidas sem coerência apresentadas por vereadores independentes, sem mandato político claro, porque eleitos por um partido que depois renunciaram”.
Os autarcas do JPP recordam que o partido representa mais de 10.000 votos no Funchal e a coligação PSD/CDS 21.700. “Ignorar as iniciativas do JPP, é ignorar uma parte significativa da cidade, e os funchalenses devem ter este comportamento em consideração quando forem chamados às urnas”.
“O JPP continuará a apresentar soluções, a exigir transparência e a defender, com firmeza, políticas públicas com sentido. Porque o Funchal não pode continuar a andar atrás quando podia estar a liderar”, concluem.
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