Albuquerque e Cafôfo em marcação “cerrada”

Já estamos em campanha para as Regionais de 2019. Nunca uma campanha começou tão cedo. Desta forma, não. Mas também nunca houve este quadro tão pronunciado de luta partidária, de diferentes partidos entenda-se, porque do mesmo já houve e muita, com os resultados desastrosos que se conhecem, que em grande parte contribuiram para deixar em aberto uma alternância de “cor política” e com esta “sede” de mudar, que se vê de forma mais ou menos declarada. É um cenário que à primeira vista pode ser inexplicável, mas é o cenário a olhos vistos.

É uma autêntica “marcação cerrada” entre aqueles que se perfilam como os candidatos supostamente mais fortes, nem sempre com a imaginação que se esperava pudesse ser o foco diferenciador dos potenciais pretendentes à Quinta Vigia, o que leva a crer que a decisão final poderá mesmo ocorrer por detalhes, talvez por saturação, de um lado, e provavelmente novidade, do outro, porque de diferença propriamente dita será bem pouca a avaliar pela amostra que já vai sendo apresentada no dia a dia. Novidades mesmo, podemos assim dizer, nada, um enfado em termos de discurso, de “enchimento” da opinião pública com milhões e muitas promessas, cenário acompanhado, quase sempre, por “pacotes” de comunicação preparada, quando a inteligência que se reconhece aos dois lados permitia prever outros patamares qualitativos da luta política, já não dizemos partidária, porque essa sabemos que já não é muita em condições normais.

O gado e Londres estiveram e estão, por estes dias, na linha da frente desta “corrida” eleitoral. Cafôfo fala com criadores, defende o gado ordenado na qualidade de candidato a presidente do Governo, com o líder do partido, o Partido Socialista Madeira, ao lado. Albuquerque não só fala, como ainda chama para um almoço. Diz que sempre defendeu o gado ordenado e não é agora que terá posição diferente. Ambos estão de olho num assunto polémico, que normalmente dá chatice. O problema é saber as diferenças.

Albuquerque vai a Londres, o objetivo é falar ao coração dos emigrantes, leva uma comitiva que é qualquer coisa digna de registo, envolvendo um mundo empresarial para trazer negócio para a Madeira. Cafôfo não fica na cidade, a do Funchal, vai a outra, também a de Londres, para reunir com emigrantes, tocar-lhes no coração e mostrar, implicitamente, que a Madeira, em 2019, não é só Albuquerque, o tempo de só Jardim acabou e o PS Madeira afirma que tem, não só um líder como também um candidato digno desse nome a presidente do Governo. Cafôfo faz, nas terras de Sua Majestade, um trajeto mais ou menos o de Albuquerque a caminho do “trono”, só que vai ali meio presidente da Câmara do Funchal, assumido, meio candidato, mais discreto: emigrantes, empresários, negócios. Ainda não estamos na fase do “eu ou ele”, mas lá chegaremos certamente, ainda que por aqueles lados não é bem o voto que conta, é mais o negócio, que depois pode, pelo caminho, chegar aos votos. Mas tudo a seu tempo.

Os dois foram protagonistas, mediatizaram com os meios que têm, na terra onde acabara de acontecer o mediático “casamento Real”. Salvo as devidas comparações, como está bom de ver.

E é de tal modo a azáfama, que não há descanso, nem na política, nem nos empresários, nem nas empresas de jornais nem nos jornais de empresas. E tudo, claro está, por uma boa causa coletiva, coletiva que é como quem diz, coletiva porque são muitos, empresários, políticos e afins, sempre com os olhos virados, neste caso, para a Diáspora, para o bem estar dos emigrantes, por forma a que estes sintam, na pele e se possível no bolso, uma Madeira mais próxima, de qualquer forma, seja com Albuquerque, seja com Cafôfo. Muito bem apanhado. Muito igual, mas bem apanhado. Quem for meio um, meio outro, se conseguir chegar ao fim assim, posiciona-se bem.

Sim, porque o objetivo, neste caso concreto, objetivamente falando, está virado para os emigrantes, não se pense que é só em alturas de eleições, vejam lá que ainda falta um ano e mais um pouco e já andam no terreno, despretensiosamente, para provar isso mesmo, que não há “nada na manga” além da paixão pelos emigrantes e pelo bom negócio das empresas, que graças a Deus, têm campo para andar que não é brincadeira, porque isso mexe com a Economia. E quando a Economia mexe, mexe tudo o que há para mexer. É assim, clarinho como água, quando está limpa.

Nota-se que há um receio mútuo. Não falamos em medo, porque também não é caso para tanto, mas há um receio visível por parte das candidaturas, podemos já chamar assim. Cafôfo “corre” sobre uma “onda” de vitória, resultante de uma “vaga de fundo” que o levou e manteve na Câmara do Funchal, com uma inequívoca popularidade. Albuquerque “corre” atrás do “prejuízo” causado pelos altos e baixos da governação, fruto de decisões e escolhas menos acertadas, que desbarataram o capital adquirido, fazendo-o quase começar de novo a governação. Aproveitar a “onda” é sempre mais fácil. Correr atrás do prejuízo é sempre mais difícil. Mas ser diferente é importante e pode ser mesmo decisivo.

É preciso que os madeirenses cheguem às eleições regionais de 2019 e não tenham que fazer como nos passatempos: descubra as diferenças.


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