“Amigos do Parque Ecológico” contra gado nas terras altas do Maciço Montanhoso Central e no Paul da Serra/Fanal

Florest Campo de educação ambiental CABEÇO DA LENHA MARÇO 2028
Campo de Educação Ambiental Cabeço da Lenha, numa imagem de março de 2018. Foto AAPEF

A Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal, num texto assinado pelo seu presidente Raimundo Quintal, diz-se “frontalmente contra a presença de gado ovino, caprino, bovino ou suíno nas terras altas do Maciço Montanhoso Central e no Paul da Serra / Fanal”. A AAPEF defende que “o pastoreio ordenado é possível nas áreas onde habitualmente começam os fogos, ou seja na zona de transição entre as habitações e as matas de pinheiros bravos, acácias e eucaliptos”.

A AAPEF entende que “a redução dos incêndios (número de focos e área ardida) só acontecerá quando as matas de espécies pirófilas e os matagais forem limpos periodicamente ou substituídos por prados. A biomassa deverá ser utilizada na produção de eletricidade e os prados poderão ser valorizados com a apascentação sustentável de gado ovino. Nesses prados vedados será aconselhável desenvolver núcleos de castanheiros e nogueiras, árvores vocacionadas para a produção de frutos secos. A gestão dessas explorações mistas deve ser da responsabilidade de associações de vizinhos, o que implica uma mudança de mentalidades”.

Numa conjuntura em que o presidente do Governo Regional anunciou, através do JM, um almoço com pastores, agendado para esta quarta feira, defendendo o gado na serra, desde que de forma ordenada, o que de resto já tinha sido alvo de abordagem no mesmo sentido, por parte do líder do PS-M, Emanuel Câmara e do candidato socialista a presidente do Governo, Paulo Cafôfo, vem a Associação dos Amigos do Parque Ecológico mostra-se crítica relativamente a esses encontros negando as”virtudes” do pastoreio nas serras da Madeira.

Na página do facebook da Associação, esta lembra que “o processo de retirada do gado das serras do concelho do Funchal teve início em 1994, quando a Câmara Municipal criou o Parque Ecológico do Funchal na zona montanhosa sobranceira à cidade. A vasta propriedade concelhia, com uma área de 10 km2, tinha estado sujeita a um intenso pastoreio, na parte mais alta, e à expansão descontrolada de eucaliptos e acácias nas terras mais baixas, Em 1995 foram retiradas 1300 ovelhas e cabras e em 1996 teve início o programa de reflorestação, com os seguintes objetivos: recuperar as formações vegetais phrimitivas; minimizar as condições de propagação de fogos; reduzir a erosão e diminuir os efeitos catastróficos das cheias; aumentar a infiltração das águas e reforçar as nascentes”.

Refere ainda que “foi então celebrado um protocolo com a Cooperativa dos Criadores de Gado do Monte, estabelecendo-se que apascentariam 250 ovelhas de forma ordenada numa área próxima da Ribeira das Cales, onde existia um ovil. Quem cuidava dos animais era um homem contratado pela referida cooperativa, porque os criadores não eram pastores. O Parque Ecológico disponibilizou um espaço onde podiam pôr à venda produtos resultantes da criação do gado, como queijo e artesanato de lã, mas nunca o fizeram. Passados cerca de sete anos, abandonaram a atividade e devolveram o terreno à Câmara do Funchal. O processo de retirada do gado das serras altas de Santo António, São Roque e Areeiro terminou em julho de 2003”.

A Associação diz que “em nome dos voluntários, residentes e visitantes, que têm participado no projeto, e de muitos outros cidadãos que estão irmanados na nossa linha de ação, alertamos o Governo Regional e a Câmara do Funchal, que a Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal estará na primeira linha da luta contra o retorno do gado aos píncaros da Ilha da Madeira, mesmo que eufemisticamente sob a designação de “pastoreio ordenado. A água, o solo e a biodiversidade são recursos vitais, que não podem ser delapidados pelo vício do gado nas serras da Madeira”.

A AAPEF diz que “donos de ovelhas e cabras (conceito diferente de pastores) responsáveis pelo processo de desertificação que alastrou pelas serras de Santo António, São Roque e Pico do Areeiro, defendem o “regresso do pastoreio controlado às serras, como forma de prevenção, entre outros, de fogos florestais…” e contrapõe referindo que “os maiores incêndios na Ilha da Madeira, desde o início do século XIX, ocorreram quando as serras estavam infestadas de ovelhas, cabras e porcos”.