Ortopedia do SESARAM fez operação inovadora que durou 10 horas

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A equipa cirúrgica, constituída pelos médicos ortopedistas, Anacleto Mendonça, Vítor Menezes, Filipe Rodrigues, contou com a direcção cirúrgica do médico ortopedista, João Freitas, do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra.

O Serviço de Ortopedia do Serviço de Saúde da RAM, realizou no passado dia 10 de março de 2018, uma cirurgia inovadora, executada pela primeira vez na Região Autónoma da Madeira. Tratou-se da implantação intra-corpórea de uma megaprótese total de fémur num doente com 62 anos, sexo feminino, com doença reumatológica crónica (síndrome stikler) com perda acentuada de substância óssea. A operação durou cerca de 10 horas.

A informação foi há pouco divulgada pelo SESARAM, referindo que “a cirurgia foi realizada no Bloco Operatório do Hospital Dr. Nélio Mendonça, por uma vasta equipa de médicos e enfermeiros, com a duração de cerca de 10 horas. A equipa cirúrgica, constituída pelos médicos ortopedistas, Anacleto Mendonça, Vítor Menezes, Filipe Rodrigues, contou com a direcção cirúrgica do médico ortopedista, João Freitas, do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (especialista na área dos tumores ósseos e reconstrução artroplástica com próteses, com muita experiência neste tipo de intervenção).

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A equipa de ortopedistas que liderou a primeira cirurgia do género realizada na Região.

Para além dos médicos ortopedistas, participaram nesta intervenção cirúrgica, a médica anestesista, Lina Câmara, 3 enfermeiros especialistas, Angelina Sousa, Renata Silva, Isilda Matos, e o técnico Vítor Morais.

Segundo a mesma nota, “a doente alvo desta intervenção, já tinha sido submetida a três cirurgias da anca sendo que na última tinha sido necessário remover, por infeção, grande parte do fémur e colocar um espaçador artroplástico provisório. A qualidade óssea desta doente com patologia reumática, crónica, hereditária (síndrome Stikler), praticamente acamada já há cerca de 11 meses, exigia uma solução cirúrgica radical, a remoção de todo o fémur e reconstrução intra-corpórea, com uma prótese total de fémur revestida a prata (resistente e aplicada em tratamento de infeção com próteses), pelo que após análise do seu estado clínico, a equipa cirúrgica ortopédica, propôs a realização desta cirurgia inovadora no SESARAM e na Região Autónoma da Madeira.

A intervenção cirúrgica foi muito delicada, com uma duração de cerca de 10 horas e teve um custo aproximado de 60 mil euros.

O texto explicativo enviado para as Redações aponta, também, que “ao longo de todo este processo, foi ponderada a possibilidade de encaminhar a doente para outro hospital do país, onde fosse possível realizar este procedimento cirúrgico, mas após a análise de todos os constrangimentos associados, nomeadamente as limitações físicas da doente e o seu estado clínico, a equipa médica encetou todos os esforços no sentido de promover este ato cirúrgico no Hospital Dr. Nélio Mendonça, tendo para o efeito solicitado a colaboração do médico ortopedista, João Freitas, do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, que trabalha na Unidade de Tumores do Aparelho Locomotor (UTAL), chefiada pelo Prof. Doutor José Casanova”.

Esta intervenção cirúrgica, só foi possível realizar, graças ao protocolo de cooperação existente entre o Serviço de Ortopedia do Hospital Dr. Nélio Mendonça do Funchal, chefiada pelo médico ortopedista Anacleto Mendonça, e o Serviço de Ortopedia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra cujo diretor é o Prof. Doutor Fernando Fonseca.

O mais importante, e fundamental, é que com a colocação desta megaprótese revestida a prata, o chamado “3 em 1” (prótese da anca, fémur e joelho), estão reunidas as condições para a doente recuperar a capacidade de andar e ter qualidade de vida.

Passados poucos dias após cirurgia, a doente mantém-se internada no nosso hospital e já apresenta ganhos funcionais de mobilidade da anca e joelho, sendo que a equipa está confiante num processo de recuperação que, apesar de algo moroso, seja tranquilo e sem complicações