Stephen Hawking, uma vida notável e uma personalidade que os madeirenses chegaram a conhecer

 

 

“Olha para cima para as estrelas, e não para baixo, para os teus pés”. A citação de Stephen Hawking foi hoje divulgada pela Universidade de Cambridge, numa homenagem colocada na rede social Twitter. Era nesse estabelecimento de ensino que leccionava o célebre físico teórico que faleceu na sua casa, às primeiras horas de hoje. Ali ocupava a cátedra que em tempos pertenceu a Newton.

Conforme o FN já referiu esta manhã, Hawking morreu tranquilamente aos 76 anos na sua casa de Cambridge, Grã-Bretanha, deixando um vazio na comunidade científica, que se mostrou transtornada pela sua partida inesperada, mas orgulhosa do que o físico “amarrado” a uma cadeira de rodas se mostrou capaz de concretizar, em vida.

As reacções à sua morte multiplicam-se: o conhecido astrofísico norte-americano Neil DeGrasse Tyson, digno continuador do legado de divulgação científica de Carl Sagan, comentou hoje no Twitter: “A sua morte deixou um vácuo intelectual na sua esteira. Mas não está vazio. Pensem nele como o tipo de energia do vácuo que permeia o tecido do espaço-tempo e que desafia a medida. Stephen Hawking, RIP 1942-2018”.

O ministro da Defesa da Grã-Bretanha, Tobias Ellwood, citado pela BBC, declarou que o professor Hawking foi “uma inspiração para todos nós, seja qual for a nossa posição na vida, almejarmos as estrelas”.  E referiu no Twitter: “RIP Senhor. O Sr. é a epítome da verdadeira coragem sobre a adversidade, enquanto explicava ao mundo as maravilhas do universo. As suas façanhas simbolizam o poder da mente humana”.

O vice-chanceler da Universidade de Cambridge, onde o professor Hawking estudou e trabalhava, o professor Stephen Toope, declarou que ele “era um indivíduo único”, que será lembrado com “calor e afeição”.

“As suas excepcionais contribuições para o conhecimento científico e a popularização da ciência e das matemáticas deixou um legado inapagável. O seu carácter foi uma inspiração para milhões de pessoas”, acrescentou.

O co-fundador da Apple, Steve Wozniak disse por seu turno: “A integridade de Stephen Hawking e a sua dedicação à ciência elevaram-no acima do puro brilhantismo”.

Nas suas memórias, publicadas em 2013, Stephen Hawking descreve como se sentiu quando foi diagnosticado com a doença que o obrigaria a passar o resto da vida numa cadeira de rodas. A BBC recorda que Hawking sentiu ser “muito injusto que isto me acontecesse”. Na altura, pensou que a sua vida tinha terminado e que nunca conseguiria realizar o seu potencial. Mas, meio século mais tarde, considerava-se calmamente satisfeito com a sua vida.

Mais que um cientista, Hawking tornou-se, como lembrou o jornal espanhol El País, uma espécie de ícone da cultura pop, que influenciou milhões de pessoas. Duas vezes casado, pai de três filhos, o cientista fascinou ao ponto de inspirar filmes sobre a sua vida, interpretados por actores famosos: Benedict Cumberbatch interpretou-o na televisão e Eddie Redmayne no cinema, no filme “A Teoria de Tudo”.  O seu livro “Breve História do Tempo”, publicado em 1988, vendeu mais de 10 milhões de cópias.

No final dos anos 90, a Grã-Bretanha ofereceu-lhe um título de cavaleiro, mas dez anos mais tarde revelaria ter recusado por razões relacionadas com o apoio governamental às ciências.

Apesar de estar confinado a uma cadeira de rodas, viajou por todos os continentes. Até foi à Antártida. E visitou a Madeira por duas vezes.