Celso Manata diz cá que a cadeia do Funchal não está sobrelotada; à Rádio Renascença, em Lisboa, diz o contrário

Celso Manata, director-geral dos Serviços Prisionais, diz uma coisa na Madeira e outra em Lisboa. Nomeadamente, sobre a sobrelotação do Estabelecimento Prisional do Funchal (EPF) na Cancela. Ainda há dias, a 12 de Fevereiro, para sermos concretos, dizia ao JM que “a capacidade da cadeia não está esgotada”, sendo a realidade do EPF bem diferente da de outras cadeias do país. Manata dizia ao matutino madeirense que lhe parecia estar a ser compreendido na sua luta para reduzir o excesso de presos em cadeias sobrelotadas. O jornal chegou a fazer título com a afirmação de que o EPF não estava entre as cadeias sobrelotadas do país.

Foto RR

Todavia, ontem em entrevista à Rádio Renascença, Celso Manata disse o contrário. Declarou que o Estabelecimento Prisional do Funchal está sobrelotado. Numa entrevista na qual referia: “Não me demito porque uns quantos querem que eu saia”, aludindo à contestação de que está a ser alvo por parte dos guardas prisionais e suas representações sindicais (que exigem a sua demissão), o director-geral dos Serviços Prisionais afirmou que “já não há sobrelotação”, em termos globais, nas prisões do nosso país. Mas dizia que, infelizmente, persistiam alguns exemplos do contrário, ainda não resolvidos. E um deles, pasme-se, era precisamente, nas palavras deste responsável, o Estabelecimento Prisional do Funchal.

“Não queria embandeirar em arco, porque ainda temos problemas graves de sobrelotação em algumas prisões. Não me sinto completamente feliz, porque embora já não exista sobrelotação, nós vamos acabar com a sobrelotação em termos nacionais, mas depois há assimetrias. Por exemplo, no Estabelecimento Prisional do Funchal, está em sobrelotação. O Estabelecimento Prisional de Leiria está em sobrelotação… O Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada, está com sobrelotação”.

Declarações estranhas porque, na entrevista ao JM a 12 deste mês, apontava precisamente a cadeia de Ponta Delgada, nos Açores, como sendo um caso absolutamente contrário ao que aconteceria na Madeira, onde, alegadamente, a sobrelotação não seria existente. Até ao ponto de virem para cá presos repatriados dos EUA ou do Canadá, sem família perto e a quem, dizia Celso Manata, tanto faria estarem nos Açores como na Madeira.