CMF remete ao MP relatório preliminar à queda do carvalho no Monte

A Câmara Municipal do Funchal (CMF) divulgou hoje em comunicado uma síntese do relatório de peritagem ao carvalho que, a 15 de agosto de 2017, caiu no largo da Fonte e matou 13 pessoas.

A autarquia informa que remeteu já ao Ministério Público a versão preliminar do Relatório Técnico da peritagem que solicitou na sequência da queda de um carvalho no Largo da Fonte, na freguesia do Monte, no passado dia 15 de agosto de 2017.

O relatório preliminar está já publicado no site da Câmara Municipal do Funchal, para efeitos de consulta pública.

O Relatório foi elaborado pelo perito independente Pedro Ginja, Engenheiro Agrícola e Arboricultor Profissional com Formação Avançada em Arboricultura Urbana, com a colaboração de Gerard Passola Parcerissa, Biólogo, membro do Colégio de Biólogos da Catalunha e especialista em arboricultura.

A versão preliminar, agora entregue, para além do mais, considera que “num passado recente não se registou nenhum incremento da inclinação” (página 56 e alínea e) das conclusões: página 109); “a rutura teve origem na base” (página 60); o tronco encontrava-se “totalmente são em toda a sua extensão” (página 67 e alínea p) das conclusões: página 112).  Refere que nenhum cabo de aço se encontrava preso ao carvalho e afasta a possibilidade de um ramo de plátano ter quebrado e levado ao derrube da árvore (página 70 e alíneas q) e r) das conclusões: página 112); refere que a “árvore apresentava um crescimento da área anelar nos últimos anos” que evidencia “um incremento da vitalidade” (página 75); e diz que “a parte visível da base não apresentava nenhuma anomalia” (página 76 e alínea t) das conclusões: página 112).

Conclui que a árvore apresentava um “bom estado global” (alínea f) das conclusões: página 109) inexistindo qualquer lesão ou anomalia que possa ter interferido na sua queda, não encontrando “defeitos na estrutura mecânica da árvore ou cargas externas naturais (vento ou outras) que justifiquem a rotura repentina da grande raiz de tensão, que se encontrava integralmente sã, e o consequente colapso do carvalho” (alínea ff) das conclusões: página 115).

O Relatório levanta “como hipótese que a explicação para a rotura da raiz de tensão esteja relacionada com um sobre esforço a que foi sujeita por uma movimentação do solo, provavelmente na zona rochosa encontrada a sul”.

Entende que devem “ser encetados estudos subsequentes de caracterização da geologia, da pedologia, da geotecnia, em especial no que concerne à mecânica dos solos, e as respetivas relações com as questões da acústica (som emitido pela atuação dos conjuntos musicais e detonação dos fogos de artifício) e da detónica (fogos de artifício: caracterização das ondas de choque, caracterização dos materiais – solo e árvore – ao choque e avaliação de possíveis danos)”, (alínea hh). Considera “que também deverá ser estudado o possível efeito das vibrações mecânicas de uma máquina giratória que trabalhou com um martelo pneumático na Ribeira de Santa Maria, próxima do local”, (alínea ii), ambas das conclusões: página 115.

A Câmara Municipal do Funchal aguarda agora a entrega do relatório técnico final da peritagem.