2018: Ano Europeu do Património Cultural

Boa hora a que decidiram dedicar 2018 como Ano Europeu do Património Cultural (AEPC 2018). O que desejo é que se possa, efetivamente, ao longo do presente ano vivenciar momentos propícios para a reflexão e para o debate sobre o papel transversal do património cultural em toda a sociedade, ligando o passado com o presente e com o futuro.

O Ano Europeu para o Património Cultural tem como grandes objetivos a promoção da diversidade cultural, do diálogo intercultural e da coesão social, visando chamar a atenção para o papel do património no desenvolvimento social e económico e nas relações externas da União Europeia.

Para nós madeirenses, podemos até dizer que o Ano Europeu do Património Cultural, vem mesmo a calhar, visto que coincide com as comemorações dos 600 anos da descoberta e povoamento da Madeira – onde já manifestei a minha opinião sobre estas comemorações, numa crónica publicada, em agosto de 2016 no Funchal Notícias e que pode ser consultada em: https://opinarte7.blogspot.pt/.

Por cá, surgem de vez em quando, bons exemplos, em prol do património cultural, como o que a Junta de Freguesia de São Roque, com o apoio da Direção Regional de Cultura, recupera o alpendre da Capela de Nossa Senhora da Conceição, um imóvel datado do século XVII. Podemos ainda mencionar o que vem sendo feito no âmbito da recuperação de património imóvel no Convento de Santa Clara, Fortaleza do Pico, e conservação e restauro de tetos Mudéjares da Sé. Além de intervenção em capelas de Santa Quitéria, Machico, Igreja de São Pedro, Nevez, Corpo Santo e Nazaré.

Oxalá que a ocasião seja bem aproveitada pela nossa região, pois tal como referiu a secretária regional do Turismo e Cultura, Paula Cabaço, por ocasião da inauguração da exposição  “As Ilhas do Ouro Branco – Encomenda Artística na Madeira: Séculos XV-XVI” no Museu Nacional de Arte Antiga será: “um momento de grande projeção turística para um destino que tem uma oferta cultural inigualável…).

Assim, esperemos que se possa até associar as nossas comemorações a este grande evento europeu. Aliás a própria “Direção Geral do Património Cultural convida todas as entidades públicas e privadas a participarem ativamente no Ano Europeu do Património Cultural, através da organização de atividades no âmbito dos objetivos do AEPC 2018, contribuindo para reavivar e reforçar a ligação das pessoas e das comunidades com o seu património, com as suas tradições, os seus saberes e os seus lugares.” Para o efeito é só aceder a toda a informação em: http://anoeuropeu.patrimoniocultural.gov.pt e inserir online as iniciativas que tencionem promover no âmbito desta iniciativa europeia.

Pelo que me apercebi, o Palácio de São Lourenço, foi um dos primeiros monumentos regionais a anunciar que estará envolvido nas iniciativas do Ano Europeu do Património Cultural. Oxalá que outros sigam o bom exemplo. Que se associe com as atividades culturais de excelência e não querendo, simplesmente, juntar tudo e mais alguma coisa ao evento AEPC 2018.

Esta iniciativa será uma oportunidade para conhecermos e realizarmos atividades a nível europeu, nacional, regional e local, envolvendo todos os que se queiram associar. Só assim é que poderemos dar a devida visibilidade à cultura e ao património, reconhecendo a sua importância transversal a toda a sociedade.

Pois devemos encarar a “defesa e preservação da herança e da memória históricas como realidades vivas, nas quais o passado é enriquecido no presente para poder projetar-se no futuro como mais-valia. Falar de Património Cultural é isto mesmo: ter consciência de que a memória viva do que recebemos da História exige o respeito pela responsabilidade que nos levará a fazer da criatividade e da inovação o enriquecimento necessário do que recebemos e legamos a quem nos sucede.” (Guilherme D’Oliveira Martins, Jornal de Letras, pag. 28; 14 a 27 de outubro de 2015).

O que queremos é que o AEPC 2018 seja um tempo de verdadeira conivência cultural, de forma a se salvaguardar, reutilizar, valorizar e promover o património cultural em cada cantinho da Europa. Que seja um tempo para festejar e para apoiar os setores culturais e criativos, de maneira que se crie bons hábitos culturais.

Não tenhamos dúvidas que o facto de promovermos o património cultural junto das comunidades locais, pode tornar-se uma fonte de inspiração para a criação contemporânea e a inovação. E de uma forma, ciente, estamos também a desenvolver estratégias de desenvolvimento regional e locar para explorarem o potencial do património cultural, nomeadamente através da promoção do turismo sustentável – que é, inevitavelmente, o melhor caminho para o sucesso turístico da nossa região. Num pequeno aparte deixem-me desabafar que assusta-me o crescer desenfreado de grandes unidades hoteleiras previsto para a nossa região. Infelizmente, os grandes darão cabo dos pequenos.

Há muito ainda a fazer para se promover soluções que tornem o património cultural acessível a todos, mas este ano, aliados ao programa do AEPC 2018, pode ser um bom começo para afirmarmos a cultura como algo prioritário para o desenvolvimento das diferentes comunidades.

Não tenhamos dúvidas que todo o património cultural proporciona-nos experiências memoráveis e uma aprendizagem indispensável à formação da identidade de cada local. Daí é que devemos sensibilizar todos os membros da sociedade para a importância de conhecer-se e debater-se o património cultural europeu, através da educação e da aprendizagem ao longo da vida,

Já agora, que estamos a falar de Património Cultural, há que louvar o facto de que em Portugal, terminámos o ano de 2017 com a UNESCO a classificar como Património Cultural Imaterial da Humanidade a produção dos “Bonecos de Estremoz” – uma arte popular, em barro, com mais de 300 anos de história.

É tempo de festejarmos a cultura. Pois o tempo e a cultura ajuda-nos a construir memórias, lembranças que espelham o que vivemos e como vivemos.

Assim, vamos todos trabalhar com afinco para que o AEPC 2018 seja um encontro mais próximo com o património cultural e um ano exemplar de diálogo entre culturas e gerações. Desejo-vos um ano novo cheio de saúde e onde a cultura seja também algo muito importante para uma vida mais feliz.