PSD desafia oposição a ser “melhor”, a “sair da modorra” e trazer verdadeiras propostas

Fotos: Rui Marote

O primeiro dia do debate do Orçamento e plano para 2018 terminou com o PSD a fazer apelos pungentes, pela voz de João Paulo Marques e Carlos Rodrigues, a uma “melhor oposição”. Os social-democratas criticaram os outros partidos, por, em seu entender, só criticarem. João Paulo Marques pegou nas repetidas críticas oposicionistas ao “lobby do betão” para dizer que, para a oposição, só em certos concelhos, nomeadamente naqueles em que detêm poder autárquico, é que o betão é bom, é que o betão é “social”, já servindo para melhorar as acessibilidades, o nível de vida e as condições que famílias e empresas merecem. Nos outros lugares, apontou, o betão já é “mau” aos olhos dos outros partidos, e só serve para fazer favores a empresários e grupos económicos.

Já Carlos Rodrigues foi ainda mais irónico e contundente, referindo que a oposição tem de “inovar, dar um golpe de asa”, e não utilizar contra o PSD e o Governo a mesma argumentação “cansada e bolorenta” de há quarenta anos.

A oposição, acusou, só sabe fazer críticas: à estratégia ou à falta dela, ao betão, à credibilidade ou à falta dela… “Continua a dizer as mesmas coisas” que já dizia há décadas, e que lhe tem trazido “resultados eleitorais ruinosos”. A terminologia, ironizou, é mais rica, embora a semântica seja mais pobre, e, no essencial, os argumentos aduzidos mantêm-se os mesmos de há anos a esta parte.

Carlos Rodrigues disse ser possível concluir, do que se disse, que a oposição “é contra a protecção das pessoas no Seixal, no Jardim do Mar, em São Jorge… e está contra a construção ou melhoria dos centros de saúde na Calheta, no Bom Jesus (Funchal) e outras localidades.

Para o deputado do PSD-M, a política social que a oposição advoga é, sempre que alguém reclama qualquer coisa, “deitar-lhes um balde de dinheiro, não dar-lhes uma cana e ensinar a pescar”. O investimento na educação “também não serve”. Os deputados oposicionistas desejariam, acusou, que se desse aulas aos madeirenses em palhotas, e não se contemplassem também as infraestruturas sem as quais não é possível ministrar bons ensinamentos.

Também é preciso, disse, melhorar os bairros sociais. E como se vai fazê-lo, interpelou? “Com palavras e afectos?” Do mesmo modo que a oposição critica tanto o estado do Hospital dos Marmeleiros, esquece-se que para o recuperar são precisos “palavrões” como o betão, o cimento, a tinta.

“Para esta oposição, só os Açores são o paraíso na terra”, insistiu. Entre as propostas da oposição que reteve, e criticou, situa-se o investimento numa “companhia aérea falida e insolvente”, mas que “é dos Açores, um paraíso”, ironizou.

Já também as PPPs mantidas na Região, como a Via Expresso e a Via Litoral, são “bandidagens”, “mal geridas e mal negociadas”. Mas contrapôs com o exemplo de uma autoestrada no Alentejo, onde passa um carro de duas em duas horas, e que custa ao Governo da República “um milhão de euros por quilómetro”.

Por tudo isto, desafiou, o Governo e os próprios madeirenses precisam que haja “uma melhor oposição”, pois “a nossa evolução também depende disso”.

Pediu, portanto, aos deputados das outras forças políticas que regressem ao debate do Orçamento e plano para 2018, que se prolonga nos próximos dias, imbuídos de um espírito colaborativo e de verdadeiras e exequíveis propostas, saindo da “modorra” que lhes “tem trazido tão amargas derrotas”.

O vice-presidente do Governo Regional, Pedro Calado, insistiu por seu turno na leitura correcta dos números e das estatísticas que apontam para um crescimento da economia da Região e uma diminuição do desemprego, bem como de óptimos resultados operacionais no sector turístico, e sublinhou as medidas de coesão social que, garante, este Orçamento segue, com investimentos a privilegiar a habitação, a saúde, a empregabilidade e a dinamização do tecido económico e empresarial.