“Enchente” para análises no Bom Jesus faz reduzir meia hora nas marcações

Centro de Saúde Bom Jesus 1
A grande afluência de utentes para análises no Centro de Saúde do Bom Jesus, fez reduzir, em meia hora, a hora limite de marcação. O horário passa a ser das 8 às 10 horas.

Quem quiser fazer análises no Centro de Saúde do Bom Jesus terá que marcar das 8 às 10 horas. O fecho dá-se meia hora mais cedo do que anteriormente, mantendo-se exceção para os casos urgentes. A medida prende-se com a afluência, que é cada vez maior, com atendimentos diários na ordem dos 180, média verificada nos últimos dias.

Adelino Ribeiro, dirigente do Sindicato dos Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica, classe profissional que esteve em greve durante alguns dias, afirma que a falta de pessoal, o facto de não haver colheitas em Santo António e as recolhas por marcação, em São Roque e Caniço, levam a que as pessoas venham, em grande número, para o Centro do Bom Jesus, onde é importante que sejam atendidas, mas que o sejam com a qualidade e garantia do serviço, sendo que a cada dia que passa, a afluência é maior. Por isso, foi decidido fechar a marcação meia hora mais cedo, mas isso representa que quem se inscreveu às 10 horas tem assegurado o atendimento. Nem que sejam quinhentas pessoas. Não é para ter menos trabalho, é para fazer com que estejam ali pessoas em jejum até ao meio dia”, esclarece.

adriano ribeiro
Adelino Ribeiro, representando o Sindicato dos Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica, diz que a média diária de atendimentos tem sido de 180.

Para Adelino Ribeiro, esta situação é “preocupante”, defendendo que a mesma deverá ser alvo de avaliação, no sentido de organizar os serviços tendo em conta esta realidade. O facto do Centro de Saúde de Santo António não fazer colheitas, numa decisão que conseguiram arrancar do anterior secretário da Saúde, Faria Nunes, representa um grande problema”, além de referir a circunstância das análises representarem o único serviço que não tem lista de espera, precisamente porque não existem marcações e quem chega é atendido. São Roque e Caniço já fazem por marcações e reduziram o número de atendimentos, mas no Centro de Saúde do Bom Jesus isso ainda não acontece”.

Quanto à greve dos técnicos, que é de âmbito nacional, Adelino Ribeiro diz que na Região a situação “é diferente”, havendo avaliações pontuais no sentido de um entendimento relativamente ao dia em que os técnicos param, uma vez que a greve é por tempo indeterminado e é preciso analisar bem a importância da manifestação de luta com o serviço aos utentes. Agora, dizer que este fluxo de pessoas ao serviço deve-se à greve, não é correto nem é justo, uma vez que estamos desde segunda-feira com uma média diária de 180 atendimentos e não estamos em greve”.

No site do sindicato, um comunicado com o balanco ao 14º dia de greve, é referido que o Governo mantém-se com uma resposta igual à que tinha no primeiro dia de paralisação, não havendo por isso qualquer evolução. Sem reposta, a estrutura sindical decide manter esta greve, que já era por tempo indeterminado.

Refira-se que, no que toca ao que está em causa nestas reivindicações, o manifesto constante do site da estrutura sindical, lembra que “de uma vez por todas reconheça-se aos técnicos superiores das áreas de diagnóstico e terapêutica o direito a uma carreira justa e actualizada. De uma vez por todas o Governo assuma que deve explicações aos doentes e utentes do SNS, pois, a nossa luta só terminará quando nos restituírem o direito ao futuro e à dignidade das nossas profissões e carreiras. De uma vez por todas vamos afirmar bem alto o nosso repúdio pelas atitudes de privilégio para uns e de ditadura financeira para nós”.

Os profissionais querem saber “quais são as profissões que integram a carreira e quais as denominações dessas profissões, a definição das competências profissionais, a avaliação do desempenho, a classificação das profissões de risco”.”