Associação de Padres Casados apoia padre Giselo, diz que os apóstolos não eram celibatários e lembra que o celibato é uma questão de organização da Igreja

Chama-se “FRATERNITAS MOVIMENTO” e o primeiro artigo dos estatutos explica tratar-se de uma “Associação privada de fiéis, constituída por padres dispensados do exercício do Ministério, casados ou não, e suas esposas ou viúvas”.  Os estatutos foram lidos e aprovados na Assembleia Geral do movimento, de 2 de Agosto de 1997 e vieram a ser aprovados pela Conferência Episcopal Portuguesa na Assembleia Plenária de 2 a 5 de Maio de 2000. O objetivo foi criar um núcleo para que os padres casados pudessem apoiar-se mutuamente.

O padre José Alves Azevedo, tesoureiro daquela associação de âmbito nacional, foi ordenado em 1972 e saíu do exercício em 1978. É casado, tem 71 anos de idade e faz considerações positivas relativamente à posição assumida pelo padre Giselo Andrade, pároco do Monte, que assumiu a paternidade de uma menina nascida em 18 de agosto último, fruto de uma ligação com uma antiga colega de escola. Uma atitude que, à luz do pensamento daquele movimento associativo, que congrega parte dos padres casados em Portugal, cerca de 60, constitui “uma decisão correta, uma vez que o padre Giselo assumiu os seus atos, teve uma posição digna de frontalidade para com uma situação que ocorreu na sua vida e, sendo assim, naturalmente, também assumirá as consequências de uma decisão da hierarquia da Igreja”.

O dirigente do movimento “FRATERNITAS” considera ser de louvar a assunção de responsabilidades, sublinhando que “aquilo que de mais errado pode acontecer é uma pessoa não assumir as situações que acontecem. Acho o caso do padre Giselo mais positivo do que as pessoas manterem situações confusas, escondidas. Esconder é uma situação grave, de quem não tem capacidade de assumir as consequências dos atos que têm”.

O padre José Alves Azevedo não se pronuncia se o padre Giselo deve ou não manter-se na paróquia do Monte, diz que essa é uma decisão muito pessoal. Admite que possa haver um acordo com a Igreja, mas neste particular tem uma posição cautelosa, porque efetivamente a Igreja pode assumir um posicionamento que vai no sentido de impedir o exercício do ministério.

Já sobre a posição da própria Igreja relativamente ao celibato, não tem quaisquer dúvidas naquilo que se prende com a necessidade de abrir o debate abrangente por forma a avaliar a situação. Diz mesmo que considera, enquanto padre e membro do movimento, que “a Igreja devia ter outra atitude perante o celibato”, justificando que “não há nenhuma razão teológica para o celibato obrigatório. Não tem sentido. No início, nunca se colocou a questão do celibato, só mais tarde, por razões estranhas e alheias à evangelização, a Igreja optou por obrigar os presbíteros a que sejam celibatários. Os apóstolos não eram celibatários, tanto quanto sabemos, Pedro não era. É uma questão da organização da Igreja”.