Debate aqueceu na Assembleia com acusações a António Costa e denúncia de penalizações à Madeira

Fotos: Rui Marote

O debate começou hoje acalorado no plenário da ALRAM,  depois da intervenção de Élvio Sousa caracterizando com tonalidades negras o panorama da saúde na Região. O PSD reagiu, pela voz do deputado João Paulo Marques, apontando baterias a António Costa, ao Partido Socialista e ao Governo da República, questionando-se a lealdade do chefe do Executivo nacional para com a Madeira e acusando-o de falta de equidade no tratamento da RAM em relação aos Açores.  O orçamento de Estado foi fortemente criticado por “maltratar” os madeirenses.

O parlamentar social-democrata considerou que o primeiro-ministro faltou à palavra relativamente às promessas feitas aos cidadãos da Madeira e apontou, quanto à temática da saúde,  que o novo hospital da Madeira não é contemplado com rigorosamente nada no novo OE. Por outro lado,  o Estado continua a penalizar a Região com o não pagamento de uma dívida de 16 milhões de euros dos subsistemas de saúde. Os juros que a República obriga a Madeira a despender também foram classificados,  sem contemplações,  pelo PSD como “agiotagem”.

Criticando o modo como o Governo da República trata a Madeira, o orador estabeleceu uma curiosa comparação com o que se passa entre o Estado espanhol e a Catalunha, dizendo que no país vizinho,  valorizam a área catalã e não querem a sua secessão; já em Portugal,  deu a entender,  o Estado pouco valoriza a Madeira e o Porto Santo e cada vez se lhes concede menos autonomia e menos direitos.

A perspectiva social-democrata não agradou ao PS,  principalmente ao líder de bancada Jaime Leandro,  mas foi subscrita por diversos outros membros da oposição.

Inclusive,  não faltou quem, como Gil Canha (independente) ou Raquel Coelho (PTP), apontasse que António Costa parece só vir à a Madeira para favorecer a imagem do edil funchalense,  Paulo Cafôfo – mas produzindo promessas vãs.

Entretanto,  passou-se para a discussão de votos de pesar por causa das vítimas dos incêndios no continente,  situação que foi lamentada por vários deputados dos diferentes partidos e que motivou um minuto de silêncio, na evocação a todos quantos perderam as vidas na tragédia.