Jorge Moreira ao FN: presença de Marcelo no Liceu/ESJM é o reconhecimento pelo papel da Escola no ensino e formação

O presidente do Conselho Executivo da ESJM, Jorge Moreira, define a instituição “com uma cultura organizacional que se orienta para uma cultura de proximidade”. Fotos FN.

O Liceu/ESJM vive, esta quarta feira, um dos momentos altos da sua história com a presença do Presidente da República e demais entidades na já anunciada comemoração dos 180 anos da instituição. Jorge Moreira é o rosto desta instituição ao longo de mais de duas décadas. Em entrevista ao FN, afirma que a presença de Marcelo Rebelo de Sousa é “uma honra e o reconhecimento pelo papel que o Liceu tem no ensino e na formação”. Uma história para preservar com uma aposta na formação integral do cidadão e numa cultura organizacional de proximidade.

Funchal Notícias – Neste aniversário do Liceu/ ESJM, qual é a mensagem que pretende passar à comunidade com a presença do Presidente da República nas festividades?

Jorge Moreira – Garantir a continuidade da nossa instituição como Escola de referência e assegurar, num clima de abertura e inovação, a qualidade do processo de ensino-aprendizagem para atingir níveis de excelência. A presença do Senhor Presidente da República na nossa Escola é uma honra e um reconhecimento pelo papel que o Liceu desempenhou  à causa do ensino e da formação.

FN – Como se posiciona hoje, no panorama de ensino da Madeira, a ESJM em termos de vocação e itinerário? Quais têm sido as principais dificuldades e desafios?

JM – É uma Escola que ministra o ensino secundário regular e profissional. O projeto educativo assume, sem qualquer equívoco, que a missão da nossa Escola é garantir uma formação integral, assegurando a todos os alunos uma plena integração e sucesso pessoal e profissional numa perspetiva de educação para a cidadania. Tem por vocação ministrar os cursos científico-humanísticos que permitem o acesso ao ensino superior, numa percentagem de 80%. Contudo, estamos atentos às tendências, não só da sociedade civil, mas também dos alunos que procuram uma formação em contexto de trabalho, uma educação mais orientada para a vida ativa, para o mercado de trabalho. Neste nicho de formação para o mundo do trabalho, temos uma quota de 20%.

A ESJM tem por objetivo a formação integral do cidadão.

FN – Qual é a mais-valia que a ESJM tem para oferecer a um aluno que inicia hoje o ensino secundário?

JM – Uma Escola com uma cultura organizacional que se orienta para uma cultura de proximidade, de abertura à mudança e que promove a diversidade como fator enriquecedor para a comunidade educativa e para a formação integral do aluno. Uma Escola orientada para os valores do mérito, do trabalho, da exigência, do respeito, da disciplina, da responsabilidade, da tolerância e da solidariedade. Temos uma grande tradição e professores com enorme experiência para preparar os alunos atingir níveis de sucesso elevados nos exames nacionais e percentagens superiores a 90% no acesso dos alunos ao ensino superior. Somos uma Escola com uma forte matriz cultural, com clubes, projetos variados de enriquecimento curricular, projetos para a cidadania e para a cultura do empreendedorismo.

“Tratamos todos por igual, mas criando mecanismos de diferenciação positiva”.

Uma Escola aberta a todos

FN – Muitas vezes, a ESJM é associada a uma instituição de “elite” ou tradicional. Esta associação ainda é atual?

JM – Não corresponde minimamente à verdade. Hoje, temos uma escola aberta a todas as freguesias da RAM e a todos os estratos sociais. Tratamos todos por igual, mas criando mecanismos de diferenciação positiva. Para os alunos mais carenciados, temos a ação social e para os alunos com dificuldades de aprendizagem temos um projeto de apoios pedagógicos acrescidos. Atingir elevados níveis de sucesso para todos constitui o nosso desígnio. O insucesso constitui um fracasso para a Escola. Daí o nosso desafio de reduzir as taxas de insucesso e de abandono a níveis muito baixos. No que concerne a ser uma escola tradicional, não é aceitável. Ao longo destes anos, soubemos associar, de uma forma equilibrada, o nosso lema:”Tradição e Inovação”. Inovamos nas novas tecnologias, fomos a 1ª Escola da região a implementar o sumário digital, o cartão electrónico de controlo de entrada dos alunos e fomos a 1ª escola de Região a introduzir um plano de auto-avaliação interna.

FN – O edifício, que completa 75 anos de existência, foi alvo de obras. Em que consistiu esta intervenção e se isso terá reflexos na dinâmica de estudos dos alunos e de toda a comunidade.

JM – Foi uma intervenção levada a cabo pela PATRIRAM e que consistiu na pintura exterior do edifício, pinturas e substituição de vidros das janelas, repavimentação do corpo central com novos mosaicos no corpo central, substituição do pavimento do ginásio e pinturas e restauração, pela Escola, do painel etnográfico da autoria do pintor alemão Max Romer. Esta fase de restauração do edifício vem beneficiar as condições materiais da aprendizagem dos alunos e de toda a comunidade.

FN – Como presidente desta instituição há mais de duas décadas, qual o momento mais marcante que guarda na memória e o mais difícil?

JM – É difícil enumerar o momento mais marcante, porque existe um contínuo de momentos que considero … O momento mais difícil prende-se com o Programa de Assistência Económica e Financeira que bloqueou, quase por completo o normal funcionamento da nossa Escola. Regredimos no domínio das novas tecnologias e na aquisição de equipamentos essenciais ao bom funcionamento da componente letiva.

FN – Como antevê o futuro deste primeiro Liceu nacional? Que mensagem deixa à comunidade?

JMS – Com muita confiança. Acredito nas novas gerações de alunos e de professores para continuarem a manter a nossa escola como um referencial de qualidade na RAM.