População revoltada com excesso de zelo e fiscalização por tudo e por nada do comandante da polícia da Calheta

Populares descontentes com a atuação da PSP na Calheta.

A Polícia de Segurança Pública na Calheta está a ser contestada pela população local, nomeadamente a intervenção do seu comandante, Comissário José Rocha.
Os populares alegam que há uma “intervenção invulgar e anómala” da autoridade policial local, marcada por um “insustentável excesso de zelo” e “autuações por tudo e por nada” que estão a provocar apreensão e descontentamento gerais.

Ninguém põe em causa “a necessária intervenção policial no cumprimento estrito da lei” nos diversos procedimentos adstritos a esta força de segurança. O problema, explicam ao FN, é que “por tudo e por nada desencadeiam operações de fiscalização a tudo e mais alguma coisa” e até mesmo “as comuns operações STOP são feitas de forma muito estranha”, chegando mesmo os agentes “a aguardarem a chegada a casa do cidadão para o multar por excesso de álcool ou por outra infração”.

Nem mesmo nas prosaicas atividades agrícolas se a PSP da Calheta dará tréguas, segundo revelam ao FN. A título de exemplo, relatam que, “se um indivíduo idoso tem um determinado equipamento agrícola para uso da sua atividade e não tiver toda a papelada em dia, é imediatamente sancionado pela PSP da Calheta”.

Pároco critica falta de maleabilidade

Nem os arraiais parecem escapar à intervenção da PSP. Na recente Festa do Emigrante, todas as licenças foram passadas a pente fino, o que não deixou de surpreender os dinamizadores dos arraiais. A situação é de tal ordem que, segundo asseguram os populares, o pároco Silvano Gonçalves já terá expresso o seu descontentamento ao comandante. Há mesmo quem  diga que “o sacerdote e o comandante estiveram praticamente aos gritos na esquadra da Calheta”. E dão como exemplo outra situação hilariante: “O padre a querer colocar um CD no arraial e a PSP a intervir para proibir com o argumento de que era necessária a licença…”

O FN contactou o pároco da Calheta que admitiu alguns problemas nesta relação com a PSP e algumas demarches que fez em “nome do diálogo”, mas que ainda não surtiram efeito. Na qualidade de responsável pelo Arciprestado da Calheta, o padre Silvano Gonçalves explica que promoveu uma reunião com o comandante da PSP para “esclarecer tudo”. “Contudo, sinto que o Sr. comandante quer fazer cumprir toda a lei e não sei até que ponto a lei é justa. Por exemplo, um conjunto musical para atuar numa festa do concelho tem de pagar diversas licenças e a paróquia também tem de pagar as mesmas licenças. Isto é, estamos a pagar em duplicado ao Estado. O Sr. comandante quer obedecer a toda esta lei, muito injusta. Ora, num meio pacato e sem grandes recursos como é o da Calheta, em diversas situações, creio que o Sr. comandante deveria ser um pouco mais maleável e tolerante para com os cidadãos”, afirmou ao FN o sacerdote.

O pároco Silvano Gonçalves salienta ainda que o “diálogo tem existido” mas depois não se verifica qualquer compreensão ou flexibilidade por parte do comandante da PSP.

AFA também fiscalizada

São cidadãos e pessoas coletivas na mira da fiscalização policial. Hoje mesmo, os populares referem ao FN que a PSP da Calheta efetuou uma fiscalização aos trabalhos da empresa AFA de pavimentação/asfaltagem de uma estrada que liga a escola da Calheta ao Sítio da Estrela, solicitando as respetivas licenças. Uma intervenção de  que não há memória no longo historial de empreitadas de construção na Calheta e demais municípios da Região.

Foto arquivo FN

O FN contactou o comandante da PSP na Calheta para registar a sua posição sobre estas críticas. O Comissário José Rocha respondeu que teria “todo o gosto em responder” mas que tais contactos deveriam ser feitos para o Comando Regional, só falando com autorização da respetiva Comandante. Acontece que, segundo informação do agente Barreto, a Comandante encontra-se de férias, pelo que remetemos o questionário ao seu gabinete, bem como ao setor de Relações Públicas, do qual aguardamos resposta para ulterior publicação.

Presidente da Câmara já foi sancionado

Recorde-se que, a intervenção do comandante da Calheta já se fez sentir até mesmo no topo da hierarquia autárquica. Nomes como o atual presidente da Câmara Municipal da Calheta, Carlos Teles, já foi detido pela PSP a 15 de janeiro e autuado pela PSP da Calheta por excesso de álcool. Também o antigo chefe de gabinete do ex-presidente da Câmara, Manuel Baeta, foi alvo de intervenção policial.

Os descontentes clarificam ao FN que “nenhum cidadão está acima da lei”, pelo que não surpreende a intervenção da PSP junto dos infratores. Mas no cerne da contestação estará uma intervenção policial “musculada” e com “evidente intolerância” que em nada abona “numa necessária relação de confiança entre o cidadão e a sua polícia em nome da segurança pública”.