Castro lidera “grito de revolta” contra os partidos, quer barco reposto em janeiro e taxas no máximo aos hotéis que fechem no inverno

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José António Castro quer ir buscar votos ao PS, ao PSD e ainda convencer os abstensionistas. Foto Rui Marote

“Um grito de revolta”. Contra os partidos, contra a forma como tanto o PSD como o PS têm gerido a Câmara Municipal nos últimos anos. É assim que José António Castro apresenta o movimento pelo qual se candidata à presidência da autarquia, o movimento “Mais Porto Santo”, que, como diz, “parecendo que não, tem dois anos”. E que resulta, segundo o próprio candidato, de “uma força do povo”. Não tem dúvidas: “O eleitorado não se revê nos partidos, que aparecem nas alturas das eleições, pedem o voto e depois abandonam a população”. E mais: “hoje, o que se passa é que anda uma junta e uma câmara a dar massa, arroz e iogurtes fora de prazo em vez de arranjar soluções de trabalho para as pessoas”.

200 casos de pobreza tipificados na ilha

O Porto Santo, na perspetiva do candidato, “não teve um desenvolvimento sustentável e sustentado, apenas foram feitos investimentos do momento e, como tal, não foram pensados de forma estruturante para resolver aqueles que são os problemas efetivos da ilha, como por exemplo a falta de trabalho, a falta de dinheiro, há 200 casos tipificados de pobreza, uma ação social que não funciona, a Saúde que não é a melhor e que necessita de reforço, além de outras situações. É por isso que nos candidatamos à Câmara e à Junta de Freguesia”. Indica a necessidade de criar um Banco Alimentar, “cortar com a dispersão de apoios de diversas instituições que fazem da pobreza uma alegria, fazem da pobreza um baralho de cartas”.

Ação Social, Saúde, Transportes, Formação Profissional

José António Castro chega a este momento da candidatura com a convicção de “ter valido a pena”. Afirma ter reunido apoios, mostra-se satisfeito com o facto do movimento ter sido o primeiro a dar entrada das listas nos tribunais e apresenta-se ao eleitorado com as suas ideias, mais do que com as críticas. Uma forma de estar, diz, assente num percurso que “tem que começar do zero”. Enumera as linhas orientadoras do programa que vai levar à Câmara. Já falou da Ação Social e Saúde, fala agora dos Transportes, da Educação, da Agricultura, da Formação Profissional, das Pescas e do Ambiente”.

Isenção de taxas no porto e no aeroporto, barco reposto em janeiro

O candidato, que em tempos já foi do PSD e liderou durante alguns anos a ACIPS (Associação Comercial e Industrial do Porto Santo), particulariza os transportes, um setor de vital importância para o desenvolvimento da ilha. Defende “uma equidade entre as taxas do aeroporto e as taxas do porto. Se há isenção num lado, deve haver noutro”. Diz que essa situação “já foi colocada junto do Representante da República e junto das instâncias europeias, tendo em vista precisamente encontrar uma solução”. Do transporte marítimo, é claro e direto: “O contrato deve ser cumprido e o barco deve ser reposto em janeiro. Não estamos contra a empresa nem contra ninguém, o que queremos é que seja cumprido o que está contratualizado”.

TAP leva 600 euros para alguém vir do Continente ao Porto Santo

O transporte aéreo é outro problema. Quer isenção de taxas e diz que a promoção agressiva que o Porto Santo faz na internet não corresponde com visitas na prática. “Não conseguimos trazer fisicamente as pessoas ao Porto Santo. E a verdade é que as pessoas que aqui vêm têm que fazê-lo a preços competitivos. Neste contexto, a entrada das companhias low cost é importante, uma vez que temos uma companhia de bandeira que leva 600 euros para alguém do Continente vir a Porto Santo, além de que tem poucos lugares disponíveis. No inverno, um residente que tenha necessidade de ir a Lisboa por razões de saúde, tem que sair num sábado e regressar no outro. Isto não pode acontecer”.

A necessidade de articular posições institucionais, com outros orgãos, leva José António Castro a revelar que o movimento a que preside “não vai voltar costas a ninguém. Temos um exemplo recente em que a Câmara ficou de costas voltadas com o Governo, nas matérias mais importantes para o Porto Santo. Os portosantenses é que perderam”.

Aborda o Turismo no enquadramento da principal atividade económica da ilha, como de resto acontece com a Região no seu todo. Defende um setor sustentado numa base sólida. Não se lembra de alguma vez o Governo Regional ter assumido uma posição sobre que estratégia deveria ser adotada para o Porto Santo, se turismo de massas, se turismo de qualidade. “O Governo não sabe, ninguém sabe”.

Hotéis fechados, taxa máxima

E como está a falar de turismo, lembra-se do tudo incluído como uma nova fórmula encontrada pelos hotéis enquanto oferta aos seus clientes, situação que, numa outra perspetiva, pode levar a uma leitura de retirada de potenciais clientes aos restaurantes e bares. Tal como relativamente aos transportes aéreos, o candidato defende “isenção de taxas para o pequeno comércio de restauração”, além de que, no tocante aos hotéis, se fecharem no inverno, diz que “serão aplicadas as taxas máximas de IMI e IMT. Se continuarem abertos mantêm as isenções que hoje têm, mesmo estando encerrados. Isto não pode ser, precisamos dos hotéis abertos para manter postos de trabalho”. E neste domínio, lembra que o movimento “Mais Porto Santo” dispõe de uma plataforma que já permitiu, em articulação com as unidades hoteleiras, colocar 42 pessoas no mercado de trabalho, é essa também a nossa função”.

Não podemos ter turismo de qualidade sem formação profissional

José António Castro deixa, também, um alerta aos restaurantes e bares. Não é só reduzir taxas e criar incentivos. “O serviço é importante para uma Região turística”. E é precisamente nessa vertente da prestação do serviço que o Porto Santo tem enormes lacunas, que o candidato pretende esbater com a formação profissional. “Não temos formação profissional e não podemos ter um turismo de qualidade sem essa formação profissional”.

Gabinete de promoção da Câmara

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O candidato do movimento “Mais Porto Santo” defende isenção de taxas para o transporte aéreo, tal como acontece com o transporte marítimo e diz que o barco deve ser reposto em janeiro. As dormidas terão taxa. Foto Rui Marote

Detém-se no turismo para cativar o mercado nacional, mas sobretudo o madeirense. Recorda que o destino Porto Santo sempre teve um aliado importante que é o madeirense, “vinha cá nas alturas mais difíceis” por isso quer desenvolver um programa promocional específico para este mercado e pretende criar um gabinete de promoção na Câmara, entendendo que a autarquia “pode desempenhar um papel interventivo, junto das unidades hoteleiras, no sentido de estas estabelecerem programas atrativos que possibilitem a visita de madeirenses em algumas épocas baixas do turismo da ilha”. A par disso, anuncia um outro gabinete “exclusivamente dedicado à economia e à formação profissional”.

Defende as taxas de dormida como forma de encontrar receitas. Promete que “não há perdões”, esclarece que preza muito os empresários da hotelaria, “porque são eles que investem nos imóveis e nos recursos humanos, mas têm que pagar”.

Call center” emprega uma centena

O emprego constitui, para a candidatura do movimento “Mais Porto Santo” um desafio importante e um ponto de honra. Mesmo “uma obra emblemática”, como classifica José António Castro, que anuncia a criação de um call center, que vai empregar uma centena de jovens, avançando assim com uma medida direcionada para os que acabam os seus cursos e para aqueles que se encontram sem trabalho, sendo esta “uma aposta “que vai minimizar as necessidades”. Logo a seguir a esse combate ao desemprego, aparecem os problemas sociais, que na opinião do candidato “devem ser vistos de outra forma”. As duas centenas de casos de pobreza exigem resposta e José Castro promete dá-las. A Saúde tem graves problemas no Porto Santo, com falta de valências, pelo que já estabelecemos contacto com o SESARAM e pretendemos fazer aquilo que a Câmara já devia ter feito há muito tempo e não fez, que era salvaguardar uma assistência médica que corresponda às exigências”.

Criar mercado do peixe e mercado dos legumes

A agricultura constitui, por assim dizer, um setor potencialmente aproveitável. José António Castro tem ideias para desenvolver aquela que é, hoje, no Porto Santo, uma agricultura de subsistência, com excedentes que vai tentar colocar no mercado madeirense, utilizando os camiões que vão transportar produtos ao Porto Santo e que regressam vazios. Dá conta de contactos estabelecidos nesse sentido, “para garantir o transporte” e diz que “os produtos do Porto Santo devem chegar ao mercado na Madeira”. A pensar nos agricultores, já reuniu com técnicos que irão fazer os projetos tendo em vista a modernização das pequenas produções, havendo para isso subsídios até 7.500 euros a fundo perdido da União Europeia.

Sou o maior credor do Portosantense

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O cartaz que pretende convencer os eleitores do Porto Santo. Foto Rui Marote

O candidato pensa nas Pescas como um setor que a ilha “não pode esquecer” e dá conta de que os interessados, até 41 anos, podem candidatar-se à aquisição das suas embarcações, no âmbito do programa 2020. Quer construir um mercado do peixe e um mercado dos legumes, sublinhando que para concretizar essa idéia já tem “um pré acordo com o dono de um imóvel, dentro da cidade”.

No “pacote” de medidas que José António Castro tem, o desporto ocupa um lugar de relevo, sempre virado para as camadas mais jovens. Pelo meio da conversa fala do Portosantense, diz que “anda para aí um investidor, que não sei quem é, mas quero que as coisas corram bem, porque sou o maior credor do clube, tenho 2 milhões e 400 mil euros avaliados”.

Vou buscar votos ao PS, ao PSD e capitalizar a redução da abstenção

Na parte político partidária propriamente dita, José António Castro reage com normalidade quando falamos do PSD e daquilo que muitos já falam no Porto Santo, ou seja, vai dividir os votos da mesma área ideológica: “Tenho que ir buscar votos ao PS e ao PSD, mas a nossa grande aposta é na juventude e na conquista de votos através da redução da abstenção.