“Ponta do Sol está saturada do marasmo e nota-se uma vontade de mudança até nas pessoas mais idosas”

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Sara Madalena, candidata do CDS/PP na Ponta do Sol, diz que há, também, “uma saturação em pessoas que habitualmente eram apoiantes do PSD, não escondo isso porque muitas têm vindo falar comigo nesse sentido. Foto Rui Marote

O CDS/PP apresenta-se a estas eleições autárquicas com uma “esperança acrescida” na Ponta do Sol, fundamentada por uma “lista forte” e com um espírito ganhador expresso pela candidata Sara Madalena, advogada com escritório no concelho, conhecedora das gentes e dos costumes, empenhada no que quer assente na estratégia de campanha.

Vem de uma família social democrata

Tem histórico político familiar, mas não no CDS/PP. O pai, João Madalena, foi aquilo a que a própria filha afirma ser “um dinossauro” do PSD. A filha só confirma, pois o passado tem disso registo, era filiado desde 1975 e figura social democrata de destaque no concelho. Agora, é um eleitor atento e faz parte daquela faixa de desilusão que a social democracia deixou pelo caminho por aquelas bandas. Apoiar a filha é mais do que uma relação familiar, é uma “opção de voto consciente de futuro”. De tal forma que Sara Madalena responde aos que dizem ser natural o pai apoiar a filha: “Não é assim como dizem. No dia 29 de outubro, no jantar de posse na concelhia do CDS/PP, ele não queria ir. Por isso, não está comigo por eu ser sua filha, mas está comigo por convição política de mudança”.

Vários deixaram de se rever no PSD

Sara Madalena confessa que na sua lista tem várias pessoas que já foram do PSD, “deixaram de se rever no partido”. Mas deixa bem claro que, em primeiro lugar, “o CDS/PP candidata-se com a sua própria estratégia, com a sua equipa, independentemente do que aconteça com os outros partidos. E repare que apresentámos a nossa candidatura muito antes dos outros, fomos os primeiros e por isso não estavamos à espera que eles anunciassem para decidirmos”.

Decidida a “fazer diferente”

Mostra-se claramente decidida a “fazer diferente”, um diferente que inclui mesmo o partido que sustenta a candidatura, o CDS/PP. Vontade e expressão de força, além da determinação que diz já estar em curso no terreno, são atributos que não lhe faltam neste desafio, que é uma estreia nas questões políticas, até agora confinadas ao papel de militante.

Tem um objetivo, muito social, muito virado para a pessoa. “Sou natural da Ponta do Sol, do Lombo de São João, conheço os locais e as pessoas, sei dos problemas das zonas altas, dos agricultores, dos que trabalham com a banana e com a cana de açúcar. Além disso, aquelas pessoas que conheci quando era criança, que eram meus vizinhos, estão neste momento com grandes dificuldades. E acho que é possível e necessário mudar alguma coisa”.

Vila melhor mas com exageros artísticos

Considera que “a vila está melhor do que estava”, embora aponte alguns “exageros artísticos”, mesmo admitindo que “a arte não se discute”. Afirma concordar com “o que tem sido feito no âmbito da cultura”, diz que vai reforçar e melhorar os aspetos que considera menos bons. Fala das acessibilidades e é aí que quer, também, dar o seu contributo, “por ser uma área que cria dificuldades às pessoas da Ponta do Sol, sobretudo nos acessos a veredas que estão em avançado estado de degradação”. Acessibilidades que têm a ver “com os caminhos que as pessoas percorrem para os seus terrenos ou até para as suas casas”, mas também naquelas que se prendem com “os transportes internos, que são poucos e não estão organizados de forma a corresponder às necessidades”.

Desemprego, idosos e natalidade

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O combate ao desemprego, um concelho com desenvolvimento sustentável, acessibilidades e natalidade, são assuntos dominantes nas preocupações da candidata. Foto Rui Marote

A mensagem da sua candidatura vai incidir, ainda, noutros aspetos que constituem, hoje por hoje, uma preocupação das populações e das sociedades. Um é o desemprego, “onde é preciso encontrar soluções para dar resposta eficaz que vá ao encontro dos jovens”. Outro é a natalidade, onde “é preciso inverter a tendência que se verifica hoje”. Outro, ainda, tem a ver com os idosos, com a candidata do CDS/PP a pretender dar corpo a um centro de convívio, onde possam tomar as suas refeições, porque muitos vivem sós e às vezes não comem convenientemente porque não têm vontade de fazer. Assim, já vão mais confortáveis para casa e a sociedade cumpre o papel de apoiá-los como merecem”.

Tem igualmente no seu programa uma ideia de criar uma aplicação que permita às pessoas reportarem problemas à Câmara e diz que “é uma ideia errada pensar que os idosos não usam internet, mas usam mais do que se pensa e vão às redes sociais”. Defende ainda “um concelho com desenvolvimento sustentável ao nível ecológico, aproveitando mudanças na iluminação pública e, se as finanças ajudarem, mudar a frota automóvel para carros elétricos”.

Pagamento aos produtores

Sendo um concelho predominantemente agrícola, Sara Madalena diz que existem alguns aspetos a ter em conta e que não podem, de modo algum, sofrer oscilações. Fala dos “pagamentos à produção de banana”, fala da “segurança que muitos não têm porque são obrigados a carregar cachos de banana às costas em zonas muito perigosas. É preciso ter isso em conta e atuar”.

Propõe-se abordar esta luta política de 1 de outubro e o contacto com a população com uma postura “completamente livre, sem estar condicionada por cenários políticos. Venho de uma família social democrata e posso parecer que sou do contra. Mas não é. Tenho uma opinião muito vincada, muito própria, as opiniões dos meus pais, do meu marido, são válidas mas não são vinculativas. Sempre fui assim e sinto-me enquadrada com a ideologia do CDS/PP”.

Pessoas saturadas do marasmo

A candidata diz não ser preciso convencer quem quer que seja a votar no CDS/PP. “Claro que tenho em conta a existência de um eleitorado conservador, que não mudou muito o sentido de voto. Mas também acredito na minha mensagem e sobretudo naquilo que tenho visto nos contactos que venho mantendo. Nota-se uma vontade de mudança até nas pessoas mais idosas, estão saturadas do marasmo da Ponta do Sol. E é claro que há também uma saturação em pessoas que habitualmente eram apoiantes do PSD, não escondo isso porque muitas têm vindo falar comigo nesse sentido. Claro que se isso ajudar a eleger o projeto válido do CDS/PP, será tudo bem vindo. Tenho a consciência que conseguimos fazer melhor, assim as pessoas acreditem em nós”.